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<title>Folha de S.Paulo - Colunas - Carlos Heitor Cony</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha de S.Paulo. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@grupofolha.com.br (Webmaster Folha de S.Paulo)</webMaster>

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<title>Folha de S.Paulo - Colunas - Carlos Heitor Cony</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
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<title>Gestão &amp; congestão</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO -&lt;/b&gt; A primeira referência que tivemos sobre dona Dilma é que se tratava de uma grande gestora. Apesar de militante política desde a mocidade, ela sobressaía pela gestão e alcançou postos de relevo.
Sua capacidade centralizadora, vendida ao eleitorado na sucessão de Lula, levou-a à Presidência da República da qual faz questão de se nomear &amp;quot;presidenta&amp;quot;. Não parece, mas uma boa gestão implica se dar nome aos bois.
No passado, um governador de São Paulo (Adhemar de Barros) escandalizou o país ao afirmar que o Brasil precisava de um gerente. O PT ofereceu uma gestora e, para exercer o ofício, ela abduziu 39 tripulantes para a sua viagem no espaço tumultuado de crises e até mesmo de alguns escândalos, que não a atingem pessoalmente, mas colocam sua nave num estado gasoso, próprio dos extraterrestres, ao preço de R$ 58 bilhões, mais que o dobro da verba destinada à Bolsa Família.
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<pubDate>21 May 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>A salvação da pátria</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO&lt;/b&gt; - É natural que se espere das Comissões da Verdade um resultado que esclareça os pontos obscuros de nossa história, sobretudo no que diz respeito aos atentados aos direitos humanos sabidamente violados de muitas maneiras durante os anos da ditadura militar.
Até agora nada de concreto foi feito ou revelado. Volta e meia aparece uma notícia sobre as intenções das comissões, ouvir fulano ou sicrano, examinar ou não os numerosos casos que chocam a nação até hoje, sobre a violenta repressão exercida contra a sociedade.
A última novidade que foi divulgada é estarrecedora: mudar o nome de logradouros públicos que lembram ou homenageiam os responsáveis pelos crimes daquele período sinistro.
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<pubDate>19 May 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>O mau brasileiro</title>
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Ainda não me motivei o suficiente para a campanha da Olimpíada de 2016. Como todo pessimista, acho que não vai dar certo. O Rio aguentou bravamente a barra da Eco-92: o evento era de menor duração e menos gente.
Tivemos dezenas de chefes de Estado, reis e muitos turistas, apesar de alguns problemas com a infraestrutura, demos conta do recado, sobretudo no item da segurança: a criminalidade baixou a quase zero, devido, sobretudo, à colaboração das Forças Armadas.
Tantos anos depois, continuamos com os mesmos problemas na infraestrutura: bons alojamentos, boa segurança, bons hospitais para os casos de emergência. Não creio que haja dinheiro nem tempo para a construção de vilas olímpicas, novas vias de acesso, estádios e instalações para as diversas modalidades de esporte.
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<pubDate>17 May 2013 03:03:00 -0300</pubDate>
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<title>O grande festim</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO -&lt;/b&gt; Os cariocas herdaram dos tamoios aquele assanhamento que tomou conta dos índios quando viram no horizonte as caravelas de Cabral que aqui chegavam. Não bem informados sobre o que estava acontecendo, se enfeitaram como puderam e dançaram para dar boa impressão à frota portuguesa.
O Rio está com uma agenda suculenta para atrair visitantes e é natural que as autoridades locais façam o que for possível para tornar a cidade mais agradável e interessante aos turistas que aqui chegarão para a Copa do Mundo e a Olimpíada.
Lembro um conto do Marques Rebelo. Prefeito do interior, para comemorar o aniversário de sua pequena e progressiva cidade, marcou uma série de eventos relativos àquela comunidade: desfiles, danças, jogos etc. Mandou construir um suntuoso palanque na praça principal, com camarotes, comes e bebes para os convidados. Que eram muitos e ilustres: embaixadores de países amigos, artistas do Moulin Rouge, campeões de várias modalidades esportivas, alguns banqueiros de Wall Street, três Prêmios Nobel e até mesmo um protonotário apostólico que trazia uma mensagem do papa.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/carlosheitorcony/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/colunas/carlosheitorcony/2013/05/1278101-o-grande-festim.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (14/05/2013 - 03h30)</description>
<pubDate>14 May 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>(Risos)</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO -&lt;/b&gt; Todo mundo sabe que Graciliano Ramos, nos tempos em que fazia revisão dos textos da reportagem do &amp;quot;Correio da Manhã&amp;quot;, sendo na realidade um ancestral dos futuros copidesques, embirrava com certas palavras: &amp;quot;entrementes&amp;quot; e &amp;quot;outrossim&amp;quot; levavam o velho Graça a um delírio de epilético.
No meu caso, bem mais modesto, mas relativamente epilético diante de certos textos, subo pelas paredes quando leio entrevistas em que o repórter coloca entre parêntesis a marcação cênica: (risos). A rubrica pretende acentuar a ironia ou a graça de determinada declaração, fazendo do leitor uma besta que não entende nada.
Em geral, o pessoal que sai dos cursos de jornalismo aprende que eles devem ser claros, objetivos e completos em suas matérias. Volta e meia leio que Gonçalves Dias nasceu no dia tal, na rua das Palmeiras, &amp;quot;número 57, fundos&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/carlosheitorcony/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/colunas/carlosheitorcony/2013/05/1277144-risos.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (12/05/2013 - 03h00)</description>
<pubDate>12 May 2013 03:00:00 -0300</pubDate>
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<title>O fosso e a fossa</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO -&lt;/b&gt; Apesar de ter passado por vários episódios de saúde, desde o sarampo da infância a múltiplas complicações do ofício de viver, falar sobre medicina é temeridade e pretensão. Mas vamos lá. A crônica fica valendo como um depoimento pessoal, testemunho de alguém que com certo exagero é obrigado a apelar para a classe médica na condição ambígua de paciente, ou seja, dotado de pouca saúde e muita paciência.
A primeira e mais dramática constatação é a dicotomia entre a ciência e a prática, o lado conceitual e o operacional. No primeiro, os avanços foram e continuam notáveis. Laboratórios, institutos de pesquisa, até mesmo governos de países desenvolvidos em mentalidade e pecúnia investem no setor e os resultados --pelo menos aos olhos de um leigo-- revelam-se maravilhosos. Aplicando uma escala geométrica às pesquisas e descobertas, podemos suspeitar que um dia será descoberto o elixir não apenas da longa vida, mas de toda a vida.
Na parte operacional, contudo, a escala geométrica também funciona, mas na contramão. Os serviços médicos ampliam progressivamente o fosso que os separam do progresso cientifico e tecnológico.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/carlosheitorcony/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/colunas/carlosheitorcony/2013/05/1274408-o-fosso-e-a-fossa.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (07/05/2013 - 03h30)</description>
<pubDate>07 May 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>A morte de Jango</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO&lt;/b&gt; - A Comissão da Verdade pretende pedir a exumação do corpo de João Goulart, que morreu em Mercedes (Argentina) no auge da Operação Condor, em 1976.
Publicamos, Anna Lee e eu, em 2003, pela Objetiva, o livro &amp;quot;O Beijo da Morte&amp;quot;, que ganharia um prêmio Jabuti naquele ano. Começamos a trabalhar a partir de uma reportagem do &amp;quot;Jornal do Brasil&amp;quot;, de 19 de maio de 2000, assinada por Sônia Carneiro. Título da matéria: &amp;quot;Governo apura a morte de Goulart&amp;quot;.
Na verdade, era um assunto velho. Um juiz de Curuzú Cuatiá, província de Corrientes, já havia pedido a exumação do corpo do ex-presidente, mas um acordo entre os generais que governavam o Brasil e a Argentina sustou a medida.
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<pubDate>05 May 2013 03:02:00 -0300</pubDate>
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<title>A virtude dos medíocres</title>
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Passei um fim de semana sem ler jornais e revistas. Afinal, o mundo é mundo há milhões de anos e não deixa de ser um saco ficarmos reféns do noticiário sobre o dólar, os ciclistas atropelados e o mensalão. Entre tantos e tão diversificados assuntos, há outras coisas que a nossa vã prosápia ignora.
Retomo antigo projeto pessoal: reler Marx, sem pressa nem fé, tal como leio a Bíblia e os editoriais da nossa imprensa, bicando aqui e ali, discordando mais do que concordando. Escritor difícil, impenetrável em muitos textos, Marx resvala com frequência para frases de efeito --são essas, exatamente, as vigas daquilo que se denominou Marxismo, ou seja, uma coisa alienígena, como o cristianismo, a penicilina, o uísque, o iPod, o futebol e o FMI.
Pinço da leitura a obviedade de que cada classe dominante promove as virtudes que interessam à dominação. Marx cita dois exemplos: a aristocracia, que enalteceu a fidelidade, a lealdade e a obediência; e a burguesia, que enaltece a liberdade, o direito às oportunidades, a concorrência, o esforço individual. Marx parou por aí. Não avançou no tempo, fornecendo o exemplo seguinte, que dentro de sua concepção da história, seria o Estado proletário.
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<pubDate>03 May 2013 03:06:00 -0300</pubDate>
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<title>Paulo Vanzolini</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO -&lt;/b&gt; Por diversas vezes tentei me aproximar de Paulo Vanzolini, mas por timidez ou preguiça, fui ficando no meu canto.
Com a sua morte, assumi uma dívida, pois devo a ele o título do livro que considero o mais pessoal de todos os romances que escrevi por aí. Nem sempre é fácil dar um nome a um romance, mas &amp;quot;Pilatos&amp;quot; veio naturalmente, como epígrafe e título do único livro que escrevi por e com prazer.
Chico Buarque gravara o &amp;quot;Samba Erudito&amp;quot;, de Vanzolini conhecia o clássico &amp;quot;Ronda&amp;quot;, mas senti nos versos finais do erudito samba não apenas o nome, mas a própria história do romance: &amp;quot;E assim, me rendi ante a força dos fatos, lavei minhas mãos como Pôncio Pilatos&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/carlosheitorcony/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/colunas/carlosheitorcony/1270880-paulo-vanzolini.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (30/04/2013 - 03h30)</description>
<pubDate>30 Apr 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>&quot;Res sacra reus&quot;</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO&lt;/b&gt; - Num dos primeiros filmes do neorrealismo italiano, o forasteiro chegava a uma cidade do interior e perguntava para que servia a alta muralha no meio da praça. Alguém informava: &amp;quot;Ali funcionava a prisão de emergência. No início, eram os fascistas que a usavam, para nela colocar todos os suspeitos de antifascismo. Agora, são os democratas-cristãos que botam atrás da muralha todos os suspeitos de terem sido fascistas&amp;quot;. Bem, como exemplo da eterna briga de cão e gato, serve.
Alguns escândalos e crimes estão sendo ressuscitados, na imprensa e fora dela, e são muitos aqueles que consideram esta atitude revanchismo, um episódio a mais da mesma luta de cão e gato. Não é bem assim.
Uma sociedade só é civilizada quando garante a seus cidadãos direitos e deveres. Na administração da &amp;quot;práxis&amp;quot; social, o direito de punir um crime se transforma em dever de toda sociedade. Em 1964, logo após o movimento militar, milhares de pessoas foram presas e centenas de personalidades tiveram seus direitos políticos suspensos e seus mandatos parlamentares cassados.
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<pubDate>28 Apr 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>Regras e menopausa</title>
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Deus é testemunha de que nada tenho contra os gramáticos, um dos meus maiores amigos é o mestre Evanildo Bechara, cuja cultura e bom senso superam as picuinhas armadas, não se sabe por quem, que ficaram condensadas na chamada &amp;quot;norma culta&amp;quot; que é ensinada nos colégios e desprezada pelo vulgo, vale dizer, por todos nós que falamos e escrevemos errado.
Com o advento dos manuais de redação, adotados pelos principais veículos de comunicação do país e de grande parte do mundo, uma classe pitoresca de gramáticos assumiu o comando do idioma e passou a ditar regras que os profissionais da imprensa, inseguros dos segredos e ciladas da língua, acatam forçadamente, sem qualquer entusiasmo.
Respeitam sem refletir regrinhas bobas, daí que, no domingo, lendo jornais e revistas para saber se o mundo ainda vale a pena, decidi anotar alguns desses modismos que não chegaram ao uso da plebe que simpaticamente continua falando errado.
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<pubDate>26 Apr 2013 03:06:00 -0300</pubDate>
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<title>Polêmicas</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO&lt;/b&gt; - Polêmicas há, por aí afora, em busca da verdade ou solução. Como se não bastassem as discussões que chateiam o homem desde o início dos tempos (Deus existe? De onde viemos? Para onde vamos?), volta e meia aparecem polêmicas que nunca chegam a um resultado.
Uma delas, que, sendo cíclica, ameaça tornar-se eterna, é sobre a marca de cigarros que Noel Rosa fumava. Os especialistas no assunto já se descompuseram, fizeram pesquisas, ouviram fontes --e não se chegou a nenhuma certeza. Para uns, Noel fumava Liberty ovais. Para outros, Yolanda (com y mesmo) também ovais. O ponto pacífico é o ovais. Nem o Ruy Castro ousou discrepar da ovalidade ou ovacidade ou ovacuidade dos cigarros fumados pelo cantor da Vila.
Além da marca do cigarro, criaram-se teses e antíteses a respeito de Noel. Por exemplo: a hora de sua morte. Há tratados sobre o assunto, mas as discordâncias são tantas e tais que se pode duvidar da morte dele. Devastadora angústia é sobre a injeção que Noel tomou pouco antes de morrer. Já foram citadas a cânfora e a morfina, havendo corrente de opinião que optou pelo &amp;quot;Tonosfosfan&amp;quot;, produto em voga naquele tempo. O número da casa em que Noel nasceu é tão inquietante quanto o número da casa onde ele morreu.
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<pubDate>23 Apr 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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<title>Morde e assopra</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO -&lt;/b&gt; A julgar pelas informações até agora reveladas, as explosões ocorridas em Boston e, possivelmente, no Texas parecem de fato atos terroristas, mas amadores, sem a sofisticação que ficou escancarada no episódio do WTC. Aparentemente, não há uma organização como a Al Qaeda por trás das bombas caseiras que aumentaram a paranoia norte-americana.
No 11 de Setembro, o atentado mostrou que os adversários (ou inimigos) dos EUA optaram por um desafio frontal, em nível de guerra entre Estados.
Apesar dos estragos feitos em Nova York e em Washington, o gigante não caiu de joelhos pedindo clemência aos atacantes. Levou dez anos, mas reagiu; se não desmantelou a organização terrorista, pelo menos eliminou seu principal comandante.
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<pubDate>20 Apr 2013 22:00:00 -0300</pubDate>
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<title>Bobo da corte</title>
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Com atraso, e ainda exausto pela façanha de ter ganhado o Nobel, o lusitano José Saramago fez um desabafo sobre a desimportância do artista na sociedade humana. Classificou-o como bobo da corte, a cereja cenográfica em cima do bolo.
Tudo bem se não fosse uma descoberta tardia. Bem antes dele, Jean-Paul Sartre dizia que &amp;quot;a arte é uma generosidade inútil&amp;quot;. E um escritor brasileiro caiu em desgraça, quando, numa conferência no &amp;quot;Jornal do Commercio&amp;quot; do Rio, definiu a literatura como &amp;quot;o sorriso da sociedade&amp;quot;. Nunca foi perdoado por isso.
Não li o desabafo de Saramago, tomei conhecimento dele em segunda mão, de maneira que ignoro se ele chegou a essas descobertas nos últimos tempos e em função dos tempos últimos. Pois a verdade é que sempre foi assim. O artista é sempre o Rigoletto que diverte o rei (&amp;quot;Le Roi s&apos;Amuse&amp;quot;), tal como aparece no romance de Victor Hugo e na ópera de Verdi.
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<pubDate>19 Apr 2013 03:03:00 -0300</pubDate>
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<title>O preço de cada um</title>
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&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO&lt;/b&gt; - Anos após a morte de John Lennon, falou-se muito sobre algo que seria o &amp;quot;legado cultural de John Lennon&amp;quot;. Achei a expressão esquisita, fiquei sem saber o que seria exatamente esse tipo de legado.
Revistas especializadas, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, e provavelmente em outros países, referiam-se a Lennon como figura mais importante do que Jesus Cristo. Aliás, ele próprio tinha essa opinião sobre si mesmo.
Em 2011, um leilão da Omega Auctions, na Inglaterra, avaliou em US$ 16 mil um dente dele dado a uma empregada. Foi arrematado por US$ 31 mil. Daqui a 50 anos, esse tipo de legado valerá o que hoje vale uma cueca do Tiririca.
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<pubDate>16 Apr 2013 03:30:00 -0300</pubDate>
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