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<title>Folha Online - Colunas - Pai é Pai</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
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<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<title>Folha Online - Colunas - Pai é Pai</title>
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<title>Abre o bocão!</title>
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Esta semana levei o Pedro ao dentista. E, adianto, vivi um experiência que em nada lembra os tempos em que eu mesmo me via aterrorizado perante aquele motorzinho de som insuportável. E não aconteceu só com o Pedro não. Há bem pouco tempo, também acompanhei o João e tudo transcorreu acima das minhas expectativas. Mas como o João é mais velho, pensei que com o Pedro a coisa entornasse. Engano meu.
Acho que peguei esse trauma de dentista na época que precisei tratar um canal. Coisa mais chata e dolorida do mundo. Devia ter uns 13, 14 anos e o dentista era um dos melhores amigos do meu pai. Gente boa, engraçado, paciente, fez o que era preciso. Sofri um pouco na cadeira, mas, depois, pensei, enfim tudo tinha sido resolvido. E assim foi por anos, até que o danado do mesmo canal voltou a doer. Já morando em São Paulo, e mais de 20 anos depois do primeiro tratamento, voltei a enfrentar o motorzinho, as anestesia, as agulhinhas sendo torcidas bem dentro do meu dente. Doeu. E não foi pouco não. Hoje, acho, está tudo bem. Ainda assim continuo acompanhando. Vai que o danado cisma de voltar a incomodar. Mas voltemos aos meninos.
Então, no caso do João, numa visita de rotina, com o objetivo de simplesmente fazer uma boa limpeza e tal, o dentista descobriu uma cárie bem escondida. Chato, porque até então ele estava levando tudo na brincadeira, gostando até dos jatos de ar e de água. &amp;quot;Tem uma cárie e está avançada. Vamos precisar tratar e pra isso vou ter de aplicar anestesia&amp;quot;, decretou o dentista, que, por sinal, também é meu amigo. Gelei. Odeio anestesia. Mas, ali na frente do João, precisa manter a fleuma. &amp;quot;Tudo bem, vai ser na boa, depois você até vai sentir tudo meio amortecido. É engraçado&amp;quot;, falei pro menino fazendo força para esconder o meu total desespero. &amp;quot;Ok, papai, vamos lá.&amp;quot; Gentilmente, o dentista pediu que eu saísse da sala. Acho que ele percebeu o meu nervosismo e notou que eu poderia influenciar o garoto de forma negativa. Saí, confesso, aliviado.
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<title>Mas que bruxa é essa?</title>
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Sei que pode parecer papo de velho ranzinza, mas a verdade é que no &amp;quot;meu tempo&amp;quot; (eita expressãozinha que entrega a idade!) não havia essa história de Halloween entre as crianças, no caso eu era uma delas. Naquela época, pelo menos na pujante Ribeirão Preto, o Dia das Bruxas só era comemorado, e ainda assim de forma comedida, nas escolas de inglês, que arriscavam uma decoração com abóboras de plástico ou papel, chapéus de feiticeiros, frankensteins, dráculas, caveiras e toda a sorte de fantasmas. Nada muito sofisticado, tampouco aterrador. Era, digamos assim, uma festa &amp;quot;curricular&amp;quot;, que remetia aos costumes dos norte-americanos, cujas crianças desde sempre aprendem a bater de porta em porta no dia 31 de outubro perguntando por doces ou travessuras. E quem não estudasse numa escola de idiomas corria o sério risco de sequer tomar conhecimento dessa tradição. Foi o meu caso até a que o cinema se encarregasse de disseminar a praga. Mas aí, pelo menos pra mim, já era tarde. Meus interesses de forma alguma convergiam para os doces, visto que eu só pensava nas travessuras.
Mas o tempo passou, e muito (olha eu entregando a idade de novo...), até que na condição de pai aos poucos fui percebendo que a comemoração do Dia das Bruxas transcendera os muros das escolinhas de inglês para assumir uma posição definitiva no calendário escolar, nos programas de TV, nos clubes, nas ruas, nos shoppings, enfim. É só começar o mês de outubro que as lojas já penduram as fantasias nas portas e na agenda dos meninos vem o aviso da comemoração na escola, liberando o uso de fantasias e solicitando que todos tragam guloseimas para o lanche comunitário. Claro que os meninos lá de casa não estão imunes a essa movimentação toda. Ao contrário, como todas as crianças de 3 a 7 anos, são fascinados por monstros e caveiras e desde o início do mês começam a planejar que fantasia irão usar no dia 31. Acho até ok, desde que isso não consuma centenas de reais, nem se transforme num concurso de fantasia e alegoria do Clube Monte Líbano. Ou seja, se quiserem entrar nessa, tudo bem, mas precisam usar a criatividade para compor os seus personagens.
Pensando nisso, sábado passado convidei-os a mais um passeio pela galeria do rock, no centro de São Paulo. Afinal, ali estão reunidas lojas com artigos e roupas para góticos e assimilados, além de uma infinidade de acessórios para os amantes do heavy metal, verdadeiros aficionados por caveiras e esqueletos. Na verdade, a idéia de ir até lá foi do João, que adora aquela confusão toda. Eu apenas liguei os pontos, sugerindo que resolvêssemos por ali mesmo as fantasias para a festinha das bruxas. Posso dizer que acertei na mosca.
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<title>Cinema pra gente grande</title>
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Essa é uma coluna um pouco diferente das demais. Trata-se de um texto sobre cinema, a respeito de um filme que vi recentemente com os meninos. Vamos lá.
Não se assuste leitor adulto, mas &amp;quot;Up - Altas Aventuras&amp;quot; é um dos melhores filmes do ano. Já faz um tempo, desde o lançamento de &amp;quot;Toy Story&amp;quot;, em 1995, que nos acostumamos a ouvir que desenhos animados já não são uma forma de entretenimento exclusivamente infantil. Ainda assim, naquele momento, o grande impacto gerado pelo primeiro longa da Pixar não era a sua temática em si, mas a técnica, que decretava uma nova era nos modelos de animação, substituindo o tradicional traço dos desenhos dos estúdios de Walt Disney, como &amp;quot;Peter Pan&amp;quot; e &amp;quot;Cinderella&amp;quot;, pela computação gráfica, com sua ilusão de profundidade e formas em terceira dimensão.
O que vimos desde então foi uma história de superação constante. Artística, técnica, temática. Ano após ano, a turma (e aqui trata-se de uma turma mesmo, como aquela formada por Francis Coppola, George Lucas, Steven Spielberg e Martin Scorsese nos final dos anos 60) capitaneada por John Lasseter (o diretor de &amp;quot;Toy Story&amp;quot; e de &amp;quot;Carros&amp;quot; e produtor de todos os demais) vem mostrando que criança não deve ser tratada como debiloide e, mais ainda, que os adultos não devem encarar os desenhos como obras infantilóides.
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<title>Os óculos de Harry Potter</title>
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Foi por mero acaso que descobri. Ao chegar em casa à noite, notei que o João apertava os olhos para enxergar a TV. E olha que a TV é grande! Ainda assim, ele espremia os olhinhos. &amp;quot;Ô João, não tá enxergando não?&amp;quot;, perguntei, intrigado. &amp;quot;Mas claro que estou&amp;quot;, e continuou mirando a tela fixamente. &amp;quot;Mas você tá apertando os olhos, o quê exatamente você está vendo?&amp;quot; Foi aí que ele se tocou. Relaxou a vista e virou-se para mim. &amp;quot;Mas eu vejo tudo muito bem, quer dizer, às vezes as letrinhas que aparecem embaixo ficam meio embaçadas, mas não é sempre não.&amp;quot; Ok, já era hora de levá-lo ao oftalmologista.
Contei para a Mãe e, no dia seguinte, ela também notou que vez ou outra lá estava ele fazendo esforço para ver a televisão. &amp;quot;Ô João, mas como é na escola? Você tem tido dificuldade pra enxergar a lousa na sua classe?&amp;quot;, perguntou ela, indo mais fundo na questão. &amp;quot;É, quando eu sento mais para trás, tenho dificuldade para ver o que tá escrito lá na lousa sim. Já até pedi para a professora que me mudasse de lugar.&amp;quot;. Bem, se havia alguma dúvida, já estava dissipada. Três dias depois, a Mãe se apresentava ao consultório do oftalmologista com o João a tiracolo.
Quando voltaram, ele, com as pupilas dilatadas, dizia, não sem alegria (para meu total espanto, registre-se), que teria sim de usa óculos. Não para perto, mas para longe, já que o diagnóstico havia apontado miopia. Bem, usar óculos nunca foi um grande problema para mim, ainda que ele tenha me apanhado mais tarde, por volta dos 14 anos. No caso do João, a estreia no mundo dos &amp;quot;quatro olhos&amp;quot; se daria mais cedo, aos 7. &amp;quot;Oba, quero um igual ao do Harry Potter!&amp;quot;, e lá fomos nós em busca de um modelo com lentes redondas, como o do menino bruxo. Foi só aí que entendi a felicidade do João. Afinal, agora estaria ainda mais parecido com um de seus personagens preferidos. Ao chapéu e varia mágica, se juntava agora os indefectíveis óculos de aros redondos.
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<title>O espaço</title>
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Sol, calor, poluição, trânsito, fumaça. Semana passada foram mais ou menos essas as condições enfrentadas por quem vive, ou sobrevive com asma, tosse e coceira, na cidade de São Paulo. No entanto, uma brecha azul no céu acendeu a lampadinha sobre a cabeça da Mãe. &amp;quot;E se a gente fosse para a praia?&amp;quot; Nada mais inspirado. E lá fomos nós, com os meninos excitadíssimos com a possibilidade de voltar a ver o azul do mar.
No sábado pela manhã, a viagem não poderia ter sido mais tranquila com poucos carros e estresse zero, a molecada se esbaldou nos túneis e curvas da estrada de Santos. Ao chegarmos na Baixada, o sol segurava-se firme no céu enquanto um brisa soprava preguiçosa, apenas com intensidade suficiente para tornar uma caminha à beira-mar um passeio agradável para papai, mamãe, vovó e meninos.
Justiça seja feita aqui, nunca fui lá muito fã de Santos e adjacências, salvo a época em que a Baixada era a única referência de mar para capiaus do interior feito eu. Falo aqui de uns trinta anos atrás! De lá pra cá, o litoral norte aos poucos empurrou Santos para o lado e assumindo-se como sinônimo de praia no verão. Pois bem, mas não é que a cidade tá muito bacana? Tranquila, com o amplo calçadão e areia limpa, a praia lançava um convite praticamente irrecusável aos garotos. Logo ao pisar no calçadão, o Pedro já foi tirando a sandália e disparando numa corrida alucinada. Logo atrás, o João também se livrou dos calçados e saiu no seu encalço. Enquanto os meninos sumiam areia afora, eu pensava em quanto era cruel por negar-lhes esse imenso prazer por absolta preguiça e falta de iniciativa. Sim, por que, além da curta distância, Santos ainda conta com um bem cuidado apartamento dos avós, o que nos garante um pouso seguro e confortável. Aí, só não vamos mais porque não nos mexemos!
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<title>A Volta 2</title>
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Depois de 45 dias de papo quase para o ar, os meninos voltaram às aulas nesta semana. No início, quando foi anunciada a decisão de se prorrogar as férias, confesso que achei uma grande bobagem. Afinal, que diferença fariam 15 dias a mais ou menos para uma epidemia que não para de crescer? Bem, mas no fim, acho que teve um efeito, ao menos psicológico, positivo. Essas duas semanas serviram de alguma maneira para tranquilizar os pais e, claro, levar os garotos ao delírio com mais alguns dias de brincadeira livre de qualquer obrigação pedagógica.
Neste período, e durante todo o período de férias, acompanhei a saga da Mãe em encontrar amigos disponíveis para a diversão. E não é que no final a coisa ficou bem mais fácil? Afinal, estávamos todos no mesmo barco e de repente a possibilidade de passar o dia na casa de um ou receber a visita de outro se revelava uma salvadora boia de borracha no meio do oceano. O mais legal foi a chance que os meninos tiveram de rever alguns antigos companheiros, explorar juntos brincadeiras inéditas e, o melhor, fazer novos amigos. Para eles, no fim, a gripe não representava uma ameaça, mas simplesmente a oportunidade de brincar ainda mais. E, assim sendo, aproveitaram ao máximo.
Claro que a escola, sobretudo a do João que está no segundo ano, não se furtou em enviar algumas lições de casa. Afinal, o cronograma estava correndo e era preciso, na opinião deles, ir preparando os meninos para o inevitável retorno. Confesso que achei desnecessário, mas, fazer o quê? O principal envolvido na questão, o João, encarou com naturalidade e fez suas tarefas sem reclamar. Nada muito complicado, verdade, mas ainda assim, tarefa! Mas ok, se ele não reclamou, por que eu reclamaria? E assim foi. O engraçado é que o Pedro, do alto de seus 3 anos, também exigia, ao ver o João debruçado sobre as folhas de papel com lápis e borracha nas mãos, fazer a &amp;quot;sua&amp;quot; lição de casa. &amp;quot;Mas papai, eu também tenho lição! Quero fazer agora!&amp;quot; E lá íamos nós com uma folha em branco e vários lápis coloridos cumprir a obrigação imaginária do esforçado menininho. Bem, pelo menos não dá pra dizer que a galera lá em casa tá gazeteando....
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<title>Pizza e balada</title>
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Queria chegar aqui hoje e dizer que tudo está muito bem. Ou ainda, que está tudo maravilhosamente bem. Mas...
Então, acontece que esta semana acabei tendo umas discussões com o João, o primogênito. Do alto dos seus 7 anos, ele vem aprontando umas e outras que me tiraram do sério. Nada muito grave, é verdade, mas algumas discussões que me levaram mais uma vez a refletir sobre algo que sempre batuco por aqui: de que, antes de ser o melhor amigo, pai é pai. E é aí a que a coisa pega.
A primeira rusga aconteceu na quarta-feira, quando ele recebeu um convite para uma festinha. Até aí, tudo bem. Festas fazem parte do cotidiano de todos e nunca vetei a participação do João em nenhuma. Mas o enrosco veio quando em vez da habitual palavra &amp;quot;festa&amp;quot;, o convite trazia &amp;quot;balada&amp;quot;.
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<title>Papo de boteco</title>
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Esta semana reencontrei uns amigos numa mesa de bar. Dia de jogo na TV, mulheres e crianças em casa, só homens. Éramos cinco. Chope, Jack Daniels, cachaça de Minas, porção de fígado acebolado, caldinho de feijão com torresmo, canapés de anchova, pasteizinhos diversos. Papo bom, daqueles que só velhos companheiros conseguem engrenar. Assuntos diversos na seguinte ordem --talvez não com 100 % de exatdião, visto que minha memória pode ter sido afetada pelo álcool e por aquele último pedaço de anchova, ms vamos lá:
&lt;b&gt;1)&lt;/b&gt; Mulheres. Claro, afinal eu sou o cara da turma que trabalha na &amp;quot;PLAYBOY&amp;quot;, aquele paraíso onde coelhinhas desfilam em trajes minúsculos e passam o dia servindo dry martínis batidos, não mexidos.
&lt;b&gt;2)&lt;/b&gt; Viagens. Um dos companheiros tinha acabado de chegar de um safári na Namíbia. Não um safári comum, mas de uma verdadeira caçada, com direito a batismo com sangue de antílope e degustação do fígado, ainda cru, do animal recém-abatido.
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<title>Férias nas montanhas</title>
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Enfim, férias. Pelo menos para eles, trinta gloriosos dias. Do lado de cá do balcão, a Mãe e eu conseguimos cinco dias de folga para que pudéssemos nos dedicar inteiramente aos meninos. E, num lance de ousadia desmedida de minha parte, propus levar a família para uma agradável temporada nas montanhas. Digo ousadia porque, pelo menos por aqui, semana passada fazia frio, muito frio. Mas achei que as crianças adorariam mais que mudar de cenário, mudar de ares. E numa manhã acinzentada de quinta-feira lá fomos nós rumo a São Bento de Sapucaí, cidadezinha cravada na divisa SP-MG, rodeada de muito verde e morros por todos os lados.
O dia não poderia estar mais feio. Durante todo o caminho de quase 200 quilômetros, a chuva praticamente não parou, ganhando, em alguns trechos, a ajuda de uma densa neblina. Enquanto os meninos se divertiam com o DVD do Scooby Doo e a Mãe devorava algumas revistas, eu matutava se havia tomado a decisão certa. Afinal, fora por minha insistência que estávamos nessa rota, atendendo a uma secreta paixão que nutro pelas montanhas e que todos os anos insiste em despertar justamente nesta época do ano. E se a chuva não parasse? Bem, aí eu realmente estaria com problemas.
Com água e temperatura caindo à medida que avançávamos, decidi por uma parada estratégica na simpática estação de trem em Santo Antônio do Pinhal. Ali, abrigados do vento gelado, era possível esticar as pernas, mostrar os trilhos para as crianças, saborear uns doces caseiros e provar o famoso bolinho de bacalhau do lugar. Vinte minutos, não mais, foram suficientes para reanimar a turma e determinar uma pequena correção de rumo: em vez de seguir direto para a pousada, almoçaríamos em Campos do Jordão, não muito longe dali e deliciosamente deserta na tarde de um dia útil.
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<title>Janela</title>
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Quinta-feira cheguei em casa e logo vi que algo estava diferente por ali. Logo que abri a porta, o João abriu um sorriso daqueles, deixando à mostra todos os seus pequenos dentes. Todos? Ops, todos não! Foi aí que percebi a janelinha no andar de baixo e que o motivo daquele sorriso era um imenso orgulho. Afinal, aos 7 anos, finalmente o primeiro dente caíra. E o João sentia-se muito mais maduro, dava para ver.
- E aí, João, como você está se sentindo?
- Esquisito.
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<title>Sábado</title>
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Como sempre, o sábado começou animado. Alvorada festiva, crianças vestidas e logo lá vamos nós todos a caminho da padaria para uma café-da-manhã familiar. É quase sempre assim, salvo viagem, chuva ou ressaca. Pois bem, neste dia, depois de uma rodada de mini pães de queijo, trouxinhas de maçã, sucos, cafés e sei lá mais o que, o João disparou:
- E se a gente fosse até a galeria do rock?
&amp;quot;Uau! Que bela ideia!&amp;quot;, pensei, mas não falei. Antes, olhei para a Mãe, que olhou para o Pedro que olhou para o pão de queijo. Aí ela me devolveu o olhar e encarei com olhar de aprovação o João, que continuou:
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<title>O dia da Mãe</title>
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Não é fácil ser mãe. Vejo em casa, sei do que estou falando. Numa corrida sem linha de chegada, acordo com a Mãe acordando com o grito do Pedro, no outro quarto: &amp;quot;Mamãe! Acordei!&amp;quot;. E eis que está dada a largada. Ainda cambaleando de sono, ela se levanta e vai acolhê-lo. Logo depois, é a vez do João, que, mais independente, já se manda pra sala correndo. Minutos depois, estão os dois no sofá, ou nas mini-cadeirinhas de balanço, tomando seu leitinho matinal. Anjinhos de pijama e remela, ainda esquentando as turbinas. Enquanto isso, a Mãe, já desperta, aperta o passo afim de esticar ao máximo o seu tempo com os meninos.
Na mesa da sala, ela toma café e passa os olhos no jornal enquanto ouve o João falar até perder o fôlego sobre as histórias que inventa, escolhe a heroína para a brincadeira (&amp;quot;Mulher Maravilha ou Mulher Invisível?&amp;quot;), oferece mais uma bisnaguinha com requeijão para o Pedro, pega cereal para os dois e vê pela milionésima vez o DVD do Rei Leão até que percebe que a manhã escorre pelos seus dedos e precisa correr ainda mais para se arrumar e chegar no trabalho na hora marcada.
Enquanto troca de roupa, os meninos entram no quarto e pulam na cama. Falam sem parar. Por vezes, o Pedro despenca. Aí ela fica nervosa, pede para que parem. Nem sempre é atendida, até que, desolada, olha em minha direção como que implorando para que eu faça algo. Qualquer coisa, diga-se. Desde que os faça cravar os pés no chão. Se não faço, me fuzila. E às vezes não faço, deixo-os pular. Afinal quando vão poder fazer isso de novo? E o melhor, juntos! Meu corpo, numa dessa, já está crivado de balas imaginárias.
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<title>O que se vai</title>
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Primeiro foram as fraldas. E com elas as minhas visitas à farmácia do bairro, de onde, todas as semanas, saía com ao menos dois pacotes, um diurno, outro noturno. Mas tudo bem.
Depois, chegou a vez do berço. E com ele o trocador, trambolho que ocupava um espaço considerável no quarto dos meninos. No caso do berço, ele já tinha sido &amp;quot;engavetado&amp;quot; uma vez, quando o João completou três anos e ganhou sua própria cama. Um ano depois, no entanto, lá estava eu novamente sozinho no meio do quarto suando feito um leitão no forno tentado &amp;quot;reencaixar&amp;quot; o que teimava ser &amp;quot;inencaixável&amp;quot;, mas que um dia, lembro muito bem, esteve sim perfeitamente encaixado.
Parafusos desaparecidos, arruelas perdidas, porcas inexistentes, tudo parecia sumir na hora que eu mais precisava: aquela em que você, estatelado no chão, com uma mão segura a base, enquanto com as pernas apoia o encosto, com o cotovelo segura o estrado e, claro, com a cabeça sustenta todo o resto que ameaça despencar bem em cima do nariz.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/colunas/paiepai/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/paiepai/ult10097u556787.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (27/04/2009 - 11h20)</description>
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<title>Parafuso</title>
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Tem dias que, sinceramente, não sei. Como ontem, por exemplo. Mas para falar de ontem, preciso falar de um dia antes. Então vamos lá. Na manhã de anteontem, tudo parecia exatamente igual a tantas outras manhãs dos últimos dias. Rotina de sempre, João acordando cedo, tomando café, fazendo a lição de casa, pulando na minha cama, batendo um papo sobre super-heróis diversos, trocando o pijama pelo uniforme e embarcando na perua rumo à escola. Ao mesmo tempo, o Pedro também tomando o seu café, assistindo seus desenhos, trocando de roupa, uma duas, três vezes até a Mãe se irritar e dizer chega, rabiscando o papel, pulando no colchão como se fosse uma cama elástica, rindo, brincando, pegando um brinquedo, um livro até chegar a hora de dois descermos para o carro e nos mandarmos para a escola (ele) e trabalho (eu).
Pois bem, assim vinha sendo até que aconteceu ontem. E, bem, nada disso funcionou.
Não tenho a menor ideia do motivo, mas o fato é que o menor de todos acordou com a pá virada. Nada estava bom, tudo o irritava. Do café à roupa, passando pela TV, pelo brinquedo, pelos rabiscos, pelo livro, tudo era motivo para choro. E daqueles, que a gente já sabe qual é: barulhento, estridente, seco. Traduzindo, manha em seu estado mais puro. Eita!
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<title>O aniversário da vovó</title>
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Fim de semana passado foi aniversário da minha mãe. Setenta anos. Festeira, esperava que ela preparasse um evento daqueles, com 300 convidados, almoço, missa, jantar, baile e café da manhã e sei lá mais o quê. Mas não. Tranquila, ela conversou comigo e com minha irmã e propôs um final de semana na pacata estância hidromineral de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Somente a gente, filhos, genro, nora, irmão e, claro, os netos. Ok, ok, alguns irão torcer o nariz para a tal &amp;quot;pacata estância hidromineral&amp;quot;. Afinal de contas, onde já se viu levar crianças para uma &amp;quot;pacata estância hidromineral&amp;quot;? O que eles iriam faz num lugar onde a faixa etária média supera em muito os 60 e a principal diversão é se meter numa banheira de água sulfurosa que parece saída de um filme de terror do século passado? Calma que eu explico.
Poços de Caldas tem um valor sentimental para a minha família. Meus avós maternos costumavam passar férias e feriados ali. Hospedavam-se sempre no suntuoso Palace Hotel, o maior da cidade, tombado pelo patrimônio histórico, dotado de quartos amplos, piscina coberta e aquecida, jardim de inverno, restaurante e uma infinidade de salas, salões, sofás e corredores. Em algumas dessas vezes, eu e minha irmã (mais ela do que eu) os acompanhamos. E eu, do alto dos meus 10 anos de idade, admito, adorava aquilo tudo. Também visitamos a cidade outras vezes com meus pais, mas foram as estadias com os meus avós que ficaram gravadas na memória. E era por isso que minha mãe queria comemorar ali o seus 70 anos. Para estar mais uma vez, e agora na companhia da nova geração, num lugar onde fomos todos muito felizes. Achei ótimo.
Acostumadas a hotéis de praia, os meninos estranharam um pouco toda aquela arquitetura e espaço. Na frente do hotel, não havia areia ou mar, mas um belo jardim com coreto, gente dançando, famílias caminhando juntas, crianças correndo. Logo eles tomaram conta do lugar. No primeiro dia, logo pela manhã, passeamos de charrete. Isso mesmo: charrete,coisa que o João e o Pedro nunca haviam feito. E eles adoraram sair pelas ruas acompanhando o ploc-ploc-ploc-ploc do cavalo. Numa breve parada, aproveitaram para comer queijo (afinal estamos em Minas!), comer doce de banana e mais ploc-ploc-ploc-ploc. Estavam extasiados.
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