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<title>Folha Online - Colunas - Regra 10</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<title>Folha Online - Colunas - Regra 10</title>
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<title>Bicicleta, chilena, chalaca</title>
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De todas as jogadas possíveis, a bicicleta é a mais emblemática do futebol-arte. Ninguém no mundo fica indiferente diante de um gol de bicicleta. Para realizá-la, é preciso habilidade e técnica. Muito mais habilidade e técnica, por exemplo, do que para dar &amp;quot;pedaladas&amp;quot;, essa jogadinha de ficar passando o pé em redor da bola que nos últimos tempos ganhou status de futebol bonito, mas que compartilha com a bicicleta apenas a origem &amp;quot;ciclística&amp;quot; do nome.
Certamente alheio à nomenclatura dada pelos brasileiros à jogada, o argentino Facundo Quiroga aplicou toda sua técnica em uma bela chilena no último domingo. E antes que alguém possa achar que o jogador do River Plate tenha tentado seduzir alguma moça do país vizinho, é necessário explicar que a tal chilena é a nossa bicicleta, acrobacia que tem origem controversa.
Mas nem Leônidas e nem o hispano-chileno Ramón Unzaga --de quem surgiu o nome chilena--, nem tampouco outros possíveis criadores da jogada, como Petronilho de Brito ou o italiano Carlo Parola, e nem mesmo os peruanos, que chamam o chute de chalaca e também reivindicam sua paternidade, fariam como fez Quiroga.
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<title>O retorno de dom Júnior Segundo</title>
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O retorno de dom Sebastião a Portugal nos dias de hoje não causaria tal espanto. Com certeza a volta de Júnior Segundo ao Palmeiras, que pouco parece ter de caráter messiânico, pegou mais gente de surpresa.
Até os mais otimistas palmeirenses, até mesmo aqueles que consideravam Bizu, Ditinho Souza e Buião jogadores razoáveis, devem ter se assustado com o retorno de &amp;quot;dom&amp;quot; Júnior Segundo --para quem não se lembra, esta é a forma como era chamado Roque Júnior quando chegou pela primeira vez ao clube do Parque Antarctica, em 1995.
Os mais pessimistas (ou seriam os realistas?) provavelmente prefeririam que, como no sebastianismo, jamais houvesse acontecido o retorno.
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<title>A melhor seleção é a do povo</title>
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Não existe seleção brasileira boa o suficiente. Não me lembro de nenhuma situação em que estivesse assistindo a um jogo do Brasil com um grupo de amigos, por exemplo, e alguém tivesse exclamado em alto e bom som algo como:
- Essa é a melhor seleção que eu já vi.
Ou ir além:
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<title>Futebol e crime organizado</title>
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O lançamento do livro &amp;quot;The Fix: Soccer and Organized Crime&amp;quot;, do jornalista canadense Declan Hill, me trouxe mais uma vez à cabeça uma série de questões. Será que ainda é possível acreditar no futebol? Será que vale a pena torcer, sofrer, discutir futebol?
Digo mais uma vez porque recentemente, em 2005, tivemos no Brasil o escândalo do apito, que teve como personagem principal o árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que admitiu que arranjava resultados no Campeonato Brasileiro.
Se o que está no livro de Hill é verdade --digo isso baseado apenas nas entrevistas do autor e em seu site oficial, já que o livro não foi lançado no Brasil--, então não dá para confiar em mais nada.
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<title>Pedalinho turbinado</title>
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Passear de pedalinho após fazer rafting. É mais ou menos essa a mudança de ritmo do mundo do esporte após a loucura da Olimpíada. Ok, admito que eu nunca na vida desci as corredeiras de um rio num bote --e que a última vez que andei num pedalinho os soviéticos disputavam a supremacia olímpica com os EUA.
Mas acompanhar campeonatos mundiais de 32 esportes ao mesmo tempo em um período de pouco mais de duas semanas pode ser considerado muito mais radical do que qualquer rafting. A Olimpíada é isso. Uma Copa do Mundo de futebol, um Mundial de vôlei, um Mundial de natação, um de atletismo etc. Tudo ao mesmo tempo.
Um exagero, na minha opinião. Principalmente se considerarmos que o programa olímpico inclui vários esportes que não têm alcance global. Dava para enxugar e muito o número de eventos de uma Olimpíada. Ginástica trampolim (ou cama-elástica, pula-pula) é demais.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/colunas/regra10/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/regra10/ult3255u439011.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (29/08/2008 - 08h00)</description>
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<title>Última chance do ouro no futebol*</title>
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O Upton Park tem a sua. O Galt Football Club também tem. E, principalmente, o que é muito mais dolorido: a Argentina também já conseguiu. Agora, só falta o Brasil finalmente conquistar uma medalha de ouro no futebol masculino em Jogos Olímpicos.
É isso mesmo. Upton Park e Galt Football Club já foram campeões olímpicos de futebol.
Na primeira aparição do esporte em uma Olimpíada, em Paris-1900, apenas três países participaram. O Reino Unido foi representado por um time secundário da Inglaterra, o tal Upton Park, e faturou o título.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/colunas/regra10/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/regra10/ult3255u425932.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (25/07/2008 - 08h00)</description>
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<title>Teorias da conspiração</title>
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As teorias da conspiração são, em geral, tão infundadas quanto interessantes e divertidas. Bom, talvez não sejam tão infundadas assim. Talvez o fato de eu ter escrito isso seja parte de um plano diabólico para fazer com que quem leia este texto acredite nisso.
Assim ninguém nunca descobrirá que Paul McCartney morreu e foi substituído por um sósia, que o governo norte-americano tem extraterrestres sob seu poder e que a morte da princesa Diana foi encomendada pela coroa britânica.
E, principalmente, ninguém jamais saberá o verdadeiro motivo da derrota do Brasil por 3 a 0 para França na final da Copa do Mundo de 1998, que no último sábado completou exatos dez anos.
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<title>Bafômetro e lei seca para árbitros</title>
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Álcool e apito não combinam. Esta pode ser a próxima campanha a ser lançada pela Fifa depois do inacreditável incidente ocorrido no último fim de semana em Belarus.
O árbitro Sergei Shmolik, 43, apitava um jogo do Campeonato Nacional entre Vitebsk e Naftan. No primeiro tempo, tudo normal.
Na segunda etapa, o juiz praticamente não se mexeu. Limitou-se a acompanhar o jogo parado no círculo central. Não tocou os cartões amarelo e vermelho, no bolso. Pelo gestual, parecia estar sentindo dores nas costas.
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<title>Em defesa da paradinha e contra Cevallos</title>
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Diz a lenda que quando um pênalti era marcado contra o Corinthian Football Club, clube inglês que inspirou o nome do Corinthians Paulista, o goleiro do time afastava-se do gol e deixava o cobrador marcar o gol.
Se a penalidade máxima havia sido marcada era porque a equipe havia utilizado um meio ilícito para impedir que o adversário fizesse o gol. Portanto merecia ser punida justamente com a concessão de um tento ao rival.
Os ideais do mítico clube londrino, que fez sucesso de 1882 a 1939 e existe até hoje com o nome de Corinthian-Casuals, eram promover o fair play, a honestidade e a conduta ética sem perder a esportividade.
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<title>Cristiano Ronaldo deixa Europa órfã</title>
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A Eurocopa termina sem ter visto um grande craque. Me refiro a um jogador que decide a competição, tipo um Platini na Euro-1984 ou um Van Basten na Euro-1988. Não apenas um jogador que pode ser considerado craque pelo conjunto da obra.
O grande nome era para ter sido o do português Cristiano Ronaldo, mas o jogador do Manchester United, que por falta de opção deve ser escolhido o melhor do mundo neste ano na eleição da Fifa, nem de longe fez por merecer os elogios que vinha recebendo antes da competição --aí, sim, com justiça.
O luso-brasileiro Deco até jogou bem na primeira fase, mas também não fez o suficiente para levar adiante o time de Felipão, que caiu contra a Alemanha nas quartas.
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<title>Renato Gaúcho e as 5.000 mulheres</title>
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Renato Gaúcho foi campeão da Libertadores e do Mundial interclubes como jogador, além de colecionar outros tantos títulos nacionais e estaduais. Pela seleção, conquistou uma Copa América. Como treinador, venceu a Copa do Brasil. E agora pode voltar a levantar o troféu máximo do continente no comando Fluminense.
Nada disso me impressiona tanto quanto a declaração dada dias após passar pelo Boca Juniors e classificar o time carioca pela primeira vez para uma final de Libertadores. Em entrevista ao jornal Meia Hora, o técnico afirmou ter tido relações sexuais com 5.000 mulheres diferentes.
É isso mesmo. Digo, é isso mesmo que ele afirmou. Se é verdade, são outros 500. Ou outras 5.000. É muito mais difícil do que provar os mil gols do Romário, por exemplo, que bem ou mal têm alguma documentação. Para usar uma expressão muito usada pelo Felipão quando desconfia ou não concorda com alguma coisa, posso dizer ao Renato: &amp;quot;Se tu diz...&amp;quot;.
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<title>O carisma de Big Phil</title>
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Ninguém, ou quase ninguém, duvida da capacidade do Felipão como técnico no Brasil. Principalmente depois da conquista do pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002. Mas antes mesmo disso ele já era um dos treinadores mais respeitados do país. Quase uma unanimidade.
Na Inglaterra, onde o treinador vai encarar o desafio de assumir o Chelsea a partir de 1º de julho, não é a mesma coisa. Basta navegar por grupos de discussão dos principais jornais do país para comprovar que existe muita desconfiança dos fãs de futebol ingleses em relação ao Big Phil, independentemente de serem ou não torcedores dos Blues.
Os principais argumentos dos céticos são dois: 1) Ele não tem experiência dirigindo clubes na Europa; 2) Ele não fala inglês.
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<title>Revolução corintiana</title>
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Um dos discursos mais surrados dos técnicos é aquele que diz que um time pode ser ofensivo independentemente da escalação de atacantes e meias pouco afeitos à marcação. É o futebol moderno, afirmam. E assim arrumam desculpa para rechear suas equipes de volantes.
Não tenho nada contra os volantes, também conhecidos como cabeças-de-área. Eu não gosto muito é dos cabeças-de-bagre do futebol. Mas estes, por ironia, gostam muito de ser volantes.
De qualquer forma, não vejo necessidade de se escalar mais do que dois volantes em nenhuma equipe. Três já é medo disfarçado de futebol moderno, mas ainda vá lá. Quatro é um exagero tão grande como ter quatro fechaduras na porta da sala.
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<title>As dores de uma ressaca moral</title>
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Dor de cabeça, corpo dolorido, boca seca, mal-estar generalizado. Todas as características de uma ressaca clássica, por mais assustadoras que pareçam --e elas não assustam tanto assim, haja vista o fato de que nenhum bebum deixa de tomar seu porre por causa delas--, não são piores que os efeitos cruéis de uma ressaca moral.
Geralmente a ressaca moral, caracterizada pela dor psicológica de saber que você fez uma bobagem colossal, vem de mãos dadas com a ressaca do álcool.
É o caso, por exemplo, do sujeito que passa uma cantada na mulher do amigo, ou do cara que cai em cima do bolo em uma festa de casamento, ou ainda daquele camarada que resolve soltar seu lado Carlinhos de Jesus na festa da firma.
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<title>Raí e o gordinho corintiano</title>
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O gordinho, corintiano roxo, ajoelhou-se no chão. Rezava com fervor para todos os santos de que tinha conhecimento para que Raí convertesse um pênalti. Raí, o são-paulino.
Mas o gordinho, ao contrário do que parecia, não estava louco.
Corria o dia 5 de dezembro de 1992. São Paulo e Palmeiras faziam o primeiro jogo das finais do Campeonato Paulista.
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