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<title>Folha Online - Colunas - Eliane Cantanhêde    </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<title>Folha Online - Colunas - Eliane Cantanhêde    </title>
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<title>Novidades no ar</title>
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Você que precisa ou gosta de viajar, anote aí na agenda: o ministro Nelson Jobim prometeu ao presidente, diante de um punhado de ministros e de chefões de estatais, que em um mês vai apresentar um plano para diferenciar as taxas aeroportuárias dos vôos internacionais, reduzindo as dos vôos para a América do Sul.
A reunião foi na quarta, 25/06. O plano, com uns diazinhos de colher-de-chá para o ministro, tem de sair da promessa para o papel até 31 de julho. Ele concordou plenamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e com os representantes do Itamaraty em que não é razoável o sujeito que viaja para Buenos Aires, aqui ao lado, pagar a mesma taxa que o outro que vai para Tóquio, do outro lado do mundo.
Hoje, a taxa de embarque internacional é unificada em US$ 36 (em torno de R$ 60) no Rio e em São Paulo. Proporcionalmente, significa que o passageiro para Buenos Aires morre às vezes em até um quarto da passagem para pagar a taxa, enquanto o que vai para Tóquio só paga 2%.
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<title>Questão de fé</title>
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O senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal e candidato à Prefeitura do Rio, não é fraco, não.
Além do apoio da Universal, ele é do PRB do vice-presidente José Alencar e da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E consegue coisas do arco-da-velha, como conquistar o apoio do presidente da República, do ministro da Defesa, do ministro da Cidade e do comandante do Exército para o seu projeto &amp;quot;Cimento Social&amp;quot;, no morro da Providência, no Rio --mesma cidade onde ele disputa a eleição.
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<title>&quot;Fora Exército&quot;</title>
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Desde as &amp;quot;Diretas, já&amp;quot;, de 1984, não me lembro de gente na rua gritando &amp;quot;Fora Exército&amp;quot; e jogando pedras em soldados. Mas é o que está ocorrendo no morro da Providência, no Rio, onde um tenente, três sargentos e sete soldados entregaram três rapazes, de 17, 19 e 24 anos, para serem torturados e mortos por uma quadrilha de traficantes de um morro rival.
Uma ação bárbara, brutal e acima de tudo covarde. O tenente Vinícius Ghidetti, de 25 anos, estava mal-humorado e tinha prendido os rapazes por supor que havia &amp;quot;um volume&amp;quot; debaixo da roupa de um deles que sugeria uma arma. Não havia arma nenhuma, o rapaz deve ter se exasperado e o tenente mudou o alvo da ira. Não era mais o &amp;quot;volume&amp;quot;, passou a ser o &amp;quot;desacato&amp;quot;.
Por causa disso, os três foram levados para o morro vizinho, da Mineira, e entregues de bandeja para assassinos armados. Certamente, o tenente não achava que os traficantes iriam fazer apenas um carinho nas vítimas, e os corpos dos rapazes foram encontrados como lixo num aterro sanitário. Foi ou não crime premeditado?
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<title>Vivendo perigosamente</title>
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O depoimento de horas e horas da ex-diretora da Anac Denise Abreu no Senado não foi importante por conter revelações novas, mas pela firmeza nas acusações e por detalhar cronologicamente toda a ação do Planalto e do compadre do presidente Lula na operação de &apos;salvamento&apos; da Varig, à custa da lei, dos prazos, das cautelas obrigatórias.
As &apos;ingerências&apos; da Casa Civil e a &apos;forma truculenta&apos; com que o escritório do advogado Roberto Teixeira atuou na Anac &apos;são, no mínimo, imorais e podem gerar uma ilegalidade; eu não tenho dúvidas disso&apos;, disse Denise aos senadores.
É mais uma frente de batalha do governo, alvo fácil dos fatos e de denúncias que explodem de dentro --não de fora-- do poder. Desta vez, não apenas passando por Dilma Rousseff, a preferida de Lula para a sua sucessão, mas chegando a Teixeira, o compadre de Lula e Marisa que lhes emprestava casa para morar em São Paulo.
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<title>Leis desdenhadas, negócios escusos</title>
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A ex-diretora da Anac Denise Abreu cansou de ser bode expiatório e botou a boca no trombone no Senado, ao confirmar o que as torcidas do Flamengo, do Corinthians e do Sport Recife sabiam:
1) Os compradores da VarigLog eram laranjas de um fundo internacional e, portanto, não poderiam fazer o negócio. Afinal, a lei limita a 20% o capital externo no setor.
2) Essa foi apenas uma etapa de todo o processo para que esse grupo comprasse a própria Varig depois, sem sucessão das dívidas trabalhistas e tributárias. E, numa guinada fantástica, pudesse vender tudo no final para a Gol, com um lucro estratosférico.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/elianecantanhede/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u411202.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (11/06/2008 - 12h42)</description>
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<title>Chuva de dinheiro</title>
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Se ninguém é capaz de apostar quem vai ser o futuro presidente norte-americano, uma coisa é certa: a campanha não tem nada de baratinha. Ao contrário, é uma fábrica de dinheiro, por um lado, e um saco sem fundo do outro.
A disputa está sendo entre a &amp;quot;experiência&amp;quot; do septuagenário John McCain, republicano, e a &amp;quot;mudança&amp;quot; prometida pelo razoavelmente jovem Barack Obama, que já tem a maioria dos delegados democratas. Na arrecadação de fundos, McCain usou sua experiência para repetir uma forma velha e ultrapassada que tem o foco nos grandes doadores e nas grandes somas. Já Obama de fato inovou e está dando de lavada ao recolher pequenas quantias de milhões de eleitores pelo país afora, via internet.
Nisso, Obama já ganhou. Em abril, último registro de arrecadação, ele teve em torno de US$ 31 milhões (pouco mais de R$ 50 milhões), contra os US$ 18 milhões (em torno de R$ 29 milhões de McCain).
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/elianecantanhede/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u408558.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (04/06/2008 - 03h25)</description>
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<title>Erramos: Efeito bumerangue</title>
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Diferentemente do publicado na Pensata &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u399430.shtml&quot;&gt;Efeito bumerangue&lt;/a&gt; (07/05/2008),&lt;br/&gt;
a ministra Dilma Rousseff passou três anos na prisão, e não dois. O texto já foi corrigido.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/elianecantanhede/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u404137.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (21/05/2008 - 13h10)</description>
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<title>Sapos amazônicos</title>
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Lula se disse surpreso com a decisão de Marina Silva de abandonar o barco e o governo. Como sempre, disse que não viu nada, não sabia de nada, nem que a ministra do Meio Ambiente estava cansada de engolir um sapo amazônico atrás do outro. O pedido de demissão era só questão de tempo. Foi agora.
Até que Marina resistiu bem. Digamos que bem mais do que se supunha já desde o início do primeiro mandato, quando ficou claro que o PT --como, de resto, o PSDB e os grandes partidos-- é extremamente urbano e acha esse negócio de desenvolvimento sustentável uma chatice. Coisa para inglês ver. E, claro, para moldar a aura do partido politicamente correto.
Marina é uma cabocla que cresceu descalça, foi alfabetizada já mocinha, fez faculdade de história na marra e enveredou pela política no grupo do ambientalista Chico Mendes, no Acre. Magrinha e frágil, sofre com a contaminação de mercúrio.
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<title>Efeito bumerangue</title>
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A ministra Dilma Rousseff deu um banho na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Também, pudera. A primeira providência da oposição foi destacar sua condição de vítima da ditadura militar e lhe dar palanque para um contundente discurso sobre seu papel na resistência à época.
Dilma lembrou que tinha 19 anos (19 anos!) quando foi presa, torturada e acabou passando três anos na cadeia. Falou do quanto dura é a tortura e do quanto dói. Mostrou que mentir, nesse caso, era um ato de bravura, uma &amp;quot;honra&amp;quot;. &amp;quot;Eu não tinha nenhum compromisso em dizer a verdade para a ditadura.&amp;quot;
E aproveitou para uma estocada tão sutil quanto profunda contra o senador José Agripino Maia, do DEM, que tinha tentado colocar a ministra contra a parede, acusando-a de falar mentiras e de defender mentiras. Depois de falar da ditadura, da tortura, dos desaparecimentos e das mortes, foi no fígado: &amp;quot;E nós estávamos em campos opostos&amp;quot;. Ou seja, ela na resistência a tudo isso. Ele, oriundo da Arena e do PDS, a favor.
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<title>Quem atira a primeira pedra?</title>
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Os alckministas disputavam Quércia. Os petistas da Marta disputavam Quércia. Os demo do Kassab disputavam Quércia. Mas quem levou foi José Serra.
Quércia é, digamos, o mal necessário. Saiu de fininho de uma carreira política meteórica para cuidar dos seus muitos negócios bem-sucedidos, mas manteve força política baseada num tripé: o tempo de TV do PMDB (4 minutos na eleição paulistana), controle da máquina partidária e muito dinheiro, algo fundamental em campanhas.
Na entrevista que o ex-governador e ex-senador deu para Monica Bergamo na &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; de hoje (30/04), ele foi um primor. Disse boas verdades, insinuou meia verdades e foi provocativo como sempre, ironizando o fato cristalino de que foi alvo de um leilão, até bater o martelo com Serra a favor da candidatura Kassab. Alguém há de desmentir que tentou seu apoio? Alckmin, Marta, Serra? E quem vai atirar a primeira pedra porque Serra venceu essa?
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<title>Bolsa Vizinhos</title>
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A estratégia de Evo Morales na Bolívia deu certo e está se alastrando pela América do Sul. Contra o Brasil.
Morales mandou o Exército invadir as refinarias da Petrobras, e o que o Brasil fez? Ofereceu a outra face, negociou, cedeu. Faltou uma crítica dura à invasão, antes de ceder.
Agora, o ex-bispo Fernando Lugo vence as eleições presidenciais no Paraguai e vai logo avisando que vai rediscutir com o Brasil o Tratado de Itaipu, que só vence em 2023. Já está decidido: o Brasil não vai rever o tratado em si, mas aceita sentar e renegociar os preços que paga ao parceiro pela energia excedente, além de criar programas de financiamento para uma linha de transmissão da usina até a capital Assunção.
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<title>Culpa e responsabilidade</title>
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A imprensa está fazendo um carnaval com a morte da pequena Isabella. Algumas vezes, me envergonho. Outras, me convenço de que não é só um dado da realidade, mas também um mal necessário. Um choque, uma necessidade de reflexão coletiva.
Por que a vergonha? Porque fica a sensação de que Isabella continua sendo asfixiada, maltratada, humilhada e finalmente jogada do sexto andar todos os dias, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Uma vítima sem fim. E tão indefesa. É como se aquelas câmeras e microfones invadissem a sua alma, roubando um pouco da dor da nossa menina para distribuir e animar a torcida.
E por que, apesar disso, a impressão de que há algo de positivo nessa voracidade da mídia? Porque os relatos do calvário de Isabella, sempre acompanhados de fotos tão enternecedoras, servem como um alerta geral. Um alerta para que todos nós tenhamos mais paciência, mais compreensão e sobretudo mais cuidado com os nossos pequeninos e não aconteçam tantas Isabellas por aí. Quantas vezes a própria Isabella já tinha sido vilipendiada? E quantas milhares de crianças são maltratadas todo santo dia, sem que nem ao menos o pai, a mãe ou ambos fiquem sabendo? (Quando não são eles mesmos os algozes...)
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<title>Chama a polícia! E chora</title>
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Agora, virou moda em Brasília. Toda vez que há um impasse, chame-se a polícia!
Em vez de investigar, identificar e prender ladrões, corruptos e traficantes de armas, de drogas e de influência --que, aliás, ela tem feito muito bem--, a Polícia Federal começa uma outra etapa. Passa a investigar estudantes pela invasão da UnB e se dedica a descobrir quem é o tal &amp;quot;clandestino&amp;quot; (nas palavras do presidente Lula) que vazou o dossiê da Casa Civil contra FHC e sua mulher, Ruth.
O, digamos, interessante das duas histórias é o alvo. Na UnB, quer-se punir os estudantes, quando o importante é descobrir quem desviava dinheiro de pesquisa para comprar lixeiras, plantas e abridores milionários para o imóvel funcional do reitor. E, na Casa Civil, procura-se quem vazou, quando o fundamental seria descobrir quem, como, quando e por que foi buscar um arquivo morto e sigiloso em outro prédio para chantagear adversário político.
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<title>Fica esperto, porque aí tem!</title>
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José Dirceu sonhava ser candidato à Presidência e caiu. Antonio Palocci foi cogitado e também caiu. Agora, Dilma Rousseff vira a &amp;quot;mãe do PAC&amp;quot; e candidata preferida de Lula à sucessão, e já leva um tranco do &amp;quot;dossiê do uiscão&amp;quot;.
Enquanto isso, Lula bate recordes de popularidade, perto dos 60% de aprovação, e o PT não tem nomes para repor as perdas de Dirceu e de Palocci nem para servir como plano B para Dilma.
Patrus Ananias? Tarso Genro? Marcelo Déda? Jaques Wagner? É muita areia para o caminhãozinho deles.
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<title>A vocação da derrota</title>
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A gente não pode nem dar um pulo ali em Washington porque, quando volta, encontra tudo de pernas para o ar na politicagem nacional e os tucanos trocando bofetadas em praça pública.
José Serra era o candidato natural do PSDB à Presidência e estava em primeiro lugar nas pesquisas em 2006, mas quem levou a candidatura foi Geraldo Alckmin. Assim como Alckmin não ajudou Serra na eleição de 2002, Serra também lavou as mãos para Alckmin em 2006. Todos os tucanos perderam juntos tanto em 2002 quanto em 2006. Mas não aprenderam nada.
Agora, Alckmin é o candidato natural do PSDB à Prefeitura de São Paulo e está na dianteira das pesquisas, mas o partido não consegue responder em consenso se é melhor ir com um nome próprio para a disputa, ou garantir uma aliança com o DEM para a eleição que realmente interessa: a presidencial, em 2010.
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