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<title>Folha Online - Colunas - Eliane Cantanhêde    </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<title>Folha Online - Colunas - Eliane Cantanhêde    </title>
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<title>Lula mundo afora</title>
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Judeus, Baha&apos;i, gays, feministas e acadêmicos protestaram democraticamente de norte a sul do país, mas Lula não estava nem aí. Recebeu o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na segunda-feira, 23/11, deu todos os recados que quis dar, aproximou os empresários dos dois países, disse &amp;quot;tchau&amp;quot; e ficou por isso mesmo. Mais um lance ousado da diplomacia brasileira e do próprio Lula.
O próximo, três dias depois, será em Manaus, quando Lula vai botar o presidente da França, Nicolas Sarkozy, debaixo do braço e levá-lo a uma reunião de presidentes dos países amazônicos, como os adversários Venezuela e Colômbia, por exemplo.
Lula e Sarkozy claramente fazem um contraponto aos Estados Unidos. Além do pacotaço já selado de submarinos e de helicópteros e além da forte possibilidade do anúncio já da compra de caças Rafale, eles também fecharam uma proposta comum para levar à Conferência do Clima em Copenhague, em dezembro.
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<title>Onde é que nós estamos?</title>
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Junto aqui duas manchetes, uma do &amp;quot;Valor Econômico&amp;quot;, que compara os salários dos servidores estatutários e da iniciativa privada em 2008, e outra da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;, sobre o rombo da previdência pública.
Resumindo, o servidor público estatutário ganha o dobro do salário do trabalhador da iniciativa privada e depois se aposenta ganhando múltiplas vezes mais, porque vai para a casa, viver mais uns 20, 30 anos, com o povo lhe pagando salário integral.
Sem contar que os trabalhadores privados podem ser demitidos a qualquer momento, sob pretexto de qualquer crise, mas os estatutários têm estabilidade no emprego, com crise, sem crise, faça chuva ou faça sol. Só saem se aprontarem daquelas da pesada.
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<title>Mixórdia moral e olimpíada imoral</title>
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Quando o Rio foi escolhido para as Olimpíadas de 2016, comemorei como tudo mundo e particularmente como brasileira e carioca. Mas já alertando que não ia ser fácil. Aí, choveram e-mails me chamando de pé-frio e dizendo que sou sempre do contra.
Bem. Desde então, o que o mundo, a gente brasileira e os pobres cariocas estamos assistindo no Rio é uma Olimpíada cruelmente diferente da festa que se imagina para 2016.
Num resumo rápido, porque não haveria espaço nem tempo para tudo, vamos aos fatos (e às imagens): ladrões derrubando a tiros um helicóptero da polícia; as pessoas se jogando no chão em meio aos tiroteios; a foto tétrica de um homem morto dentro de um carrinho de supermercado; os mais de 40 assassinatos na guerra de quadrilhas; a jovem mãe que carregava um bebê de 11 meses e morreu com um tiro nas costas; a mocinha de 18 anos estrangulada pelo namorado viciado em crack.
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<title>Ciro, outro &quot;irrevogável&quot;?</title>
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O verdadeiro alvo de toda a intensa movimentação de Lula a favor de Dilma não são José Serra, mesmo estando disparado na frente das pesquisas, nem Aécio Neves, que continua à espreita e recolhendo simpatias na oposição. O grande adversário do projeto Lula neste momento, a ser batido já, é outro: Ciro Gomes, que permanece insistentemente à frente de Dilma em praticamente todos os cenários, apesar do obstinado empenho governista a favor de sua candidata.
A oposição pode muito bem esperar. Ficar para depois, em 2010, e até lá vai se derrotando sozinha, com Serra e Aécio dividindo energias e votos internos, e com o PSDB e o DEM se estranhando em praça pública.
O problema imediato é controlar Ciro e esvaziar seu potencial eleitoral. Lula tem suas armas, e sabe muito bem como e em que momento usá-las. Uma delas é pessoal, o p oder de convencimento (se necessário, constrangimento). A outra é política, o poder real que a Presidência e sua forte popularidade lhe conferem.
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<title>Fim do Mundo</title>
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Imagine a cena: uma jornalista à beira de uma cachoeira no bucólico Vale da Lua, que faz jus ao nome e fica próximo ao povoado de São Jorge, em Goiás. De repente, ela se lembra de algo importante no trabalho. Enxuga a mão, saca um celular e dali mesmo liga para Brasília e/ou São Paulo, sem a menor cerimônia e sem o menor problema.
A situação, além de insólita, tem algo de ridículo, de falta de bom senso. E é assim que, num estalo, a jornalista percebe que ali, naquele aparelho celular que pesa alguns gramas e cabe na palma da mão, ela tem tudo do que precisa para se comunicar com o mundo.
Foi-se o tempo em que nossos pais e avós encantavam-se com relógios Patek Philippe ou mesmo que nossos amigos e filhos divertiam-se com essas marcas moderninhas, de pulseiras de plástico coloridas.
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<title>Lula: &quot;alegria e preocupação&quot;</title>
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A sexta-feira, 02/10/2009, marca duas comemorações para o Brasil: o dia em que o Rio bateu Madri, Tóquio e Chicago para hospedar as Olimpíadas de 2016 e também o dia em que o Lulinha brasileiro venceu Barack Obama, presidente da maior potência mundial, o primeiro negro a presidir os EUA, ainda envolto numa estupenda aura internacional.
Lula foi de Brasília, e Obama se despencou de Washington para defender Chicago, onde tem forte base eleitoral. E deu Lula, com o Rio, com o samba, com o futebol, com as mulatas, com a feijoada, com o Maracanã, com a Bossa Nova, com o Cristo Redentor.
A sensação de que Lula é &amp;quot;o cara&amp;quot;, e ainda por cima um cara de sorte, passou de mente em mente no Brasil e deve ter corrido o mundo. É impossível não fazer uma projeção, ou pelo menos uma indagação política: o quanto as Olimpíadas em 2016 vão pesar na volta dele, já tão falada desde hoje, à presidência em 2014?
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<title>Bananas, abacaxis e pepinos</title>
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Enquanto o Brasil e o mundo acompanhavam, aturdidos, aquela confusão bananeira em Honduras, com o presidente deposto Manuel Zelaya e seu chapelão refestelados nos sofás da embaixada brasileira, por aqui também se produziam bananas, abacaxis e pepinos.
Precisando voltar à tona, o presidente do Senado, José Sarney, anunciou triunfante o fim de 500 vagas na Casa, para economizar uns caraminguás depois da onda de escândalos, viagens, empreguismo, atos secretos.
Só que... como logo se descobriu, esses cargos não estavam preenchidos. Portanto, ele mandou acabar o que simplesmente não existia. Economia zero. Marketing negativo.
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<title>Fedendo</title>
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Esse negócio de liderança regional geralmente custa caro e às vezes dá um trabalhão. É o caso, agora, quando o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, entre tantas opções, decide escolher justamente a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa para dali ficar cutucando o governo golpista de Roberto Michelleti.
Pelas versões em Brasília, Zelaya tramou toda a volta com o super-aliado Hugo Chávez, da Venezuela, mas só comunicou ao principal interessado -- o governo brasileiro -- depois do fato consumado. Ou seja: ele literalmente mandou uma deputada zelaysta bater à porta da embaixada, pedindo refúgio.
Zelaya não apenas se aboletou na Embaixada, que é território estrangeiro e, portanto, inviolável, como levou a mulher e algo em torno de 70 amigos, assessores, aliados, curiosos. E o clima parece estar irrespirável. Imagine só essa gente toda trancada, depois que Michelleti mandou cortar água, luz e telefone, num cerco que é para Zelaya, mas que atinge a integridade da embaixada.
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<title>O Lula desarmado</title>
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A entrevista de Lula ao jornal &amp;quot;Valor Econômico&amp;quot;, publicada na quinta, 17/09, é dessas peças imperdíveis.
Fora do palanque, sem estar inebriado pela última pesquisa, sem ter de desancar a imprensa, sem demonstrar rancor ou ciúme de antecessores e até mesmo sucessores, Lula se mostrou Lula.
Afora, talvez, um excesso de &amp;quot;eu&amp;quot;, ele mostrou o que pensa, o que faz, como interfere diretamente em estatais (BB) e até em empresas privadas (Vale) e o que considera do leque de candidaturas até aqui colocadas para sua sucessão em 2010.
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<title>Vexame internacional</title>
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Lula foi ali, comeu uma moqueca com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e fez uma confusão dos diabos, com repercussão dentro e fora do país.
O processo de seleção para a compra de 36 aviões de caça para renovar a frota da FAB está no seguinte pé: a Aeronáutica já analisou todas as propostas, afunilou a escolha para três opções e está finalizando o relatório confrontando condições, preços e desempenho de cada um para apresentar a Jobim e, por ele, a Lula.
Mas Lula, embalado pela moqueca, pelo prazer da companhia de Sarkozy, pela ânsia de fechar logo a &amp;quot;aliança estratégica&amp;quot; com a França, meteu os pés pelas mãos. Chamou os diplomatas e produziu uma espécie de adendo ao comunicado conjunto para anunciar que o Brasil havia optado pelos Rafale, da francesa Dassault, em detrimento dos F-18, da Boeing dos EUA, e dos Gripen, da Saab sueca.
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<title>E daí? Daí nada</title>
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O senador José Sarney continua na presidência do Senado, como se nada tivesse acontecido, e participou ao lado de Lula, Marisa Letícia, Dilma, Michel Temer e o ministro Edison Lobão do lançamento das regras para o pré-sal. Tudo bem que só ele e Marisa não discursaram, mas Sarney é irrevogável.
Os 100, 200 diretores (sabe-se lá quantos há/havia no Senado) continuam trabalhando na casa normalmente, contando tempo para a aposentadoria e provavelmente com o mesmo salário de antes da descoberta fabulosa. Eles também são irrevogáveis.
O efeito dos 500, 600 atos secretos (sabe-se lá quantos há/havia) continua inabalável e, afora uma exceção ou outra mais gritante e com destaque nos jornais, nada mudou. Os atos, como as pessoas, também são irrevogáveis no Senado.
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<title>Reconstrução de Palocci</title>
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Acompanhei de Bariloche, cobrindo a reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), a decisão do Supremo de não decidir coisa nenhuma sobre um ministro que jogou o peso do Estado indevidamente para quebrar o sigilo bancário de um simples caseiro.
Até de longe, não houve nenhuma surpresa no resultado. Você aí conhece algum peixe graúdo que tenha sido efetivamente processado e finalmente condenado pela Justiça Brasileira?
É assim que Palocci está leve, livre e solto do processo no Supremo pelo caso do caseiro Francenildo e de outros sei lá quantos processos em instâncias menores por causa daquelas coisas e daqueles assessores esquisitas e esquisitos da sua época de prefeito em Ribeirão Preto. E pronto para reconstruir sua trajetória na política brasileira.
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<title>Casa de Zumbis</title>
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Peço a sua licença, leitor, para reproduzir aqui a coluna que publiquei hoje na pág. A-2 da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; e que vem recebendo inúmeras manifestações, via e-mail. Bom domingo!
&amp;quot;Na Presidência, José Sarney não tem condições de presidir sessão nenhuma, arrastando os pés tristemente do gabinete ao plenário sob uma nuvem de ostracismo. Sua voz e sua mão nunca mais vão parar de tremer na tribuna.
Na liderança do PT, Aloizio Mercadante é um fantasma dele mesmo, numa função fantasma. Líder de uma bancada subjugada pelo Planalto e que se desfez em pedaços e em intrigas, ele não fala mais para seus pares petistas, nem para a base aliada, nem para a oposição.
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<title>Cerco a Dilma</title>
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O resultado mais relevante da pesquisa Datafolha publicada pela &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; hoje (domingo, 16/08/09) é que a eleição está cristalizada, com os dois candidatos favoritos, Serra e Dilma, chegando ao respectivo patamar de cada um, sem previsão de solavancos nem para cima, nem para baixo. Ele tinha 38% em maio e está com 37%. Ela estava com 16% e continua com os mesmos 16%.
A conclusão óbvia é que Serra se consolidou na dianteira, apesar da oscilação negativa, e Dilma aparentemente perdeu fôlego e estacionou antes do tempo, apesar de todos esses meses viajando pelo país com Lula, o grande e indispensável trunfo de sua candidatura. Ela saiu de 3%, pulou para 11% em um ano e parou em 16%. Como se este fosse o seu teto.
Junte-se a isso o fator Marina Silva, que está para sair do PT para o PV e entrar na disputa com o empurrão do desenvolvimento sustentável. Marina é o chamado &amp;quot;fato novo&amp;quot; e seus 3%, hoje, não dizem muito, a não ser que ela, pouco conhecida e sem rejeição, tem muito para crescer.
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<title>Escalada</title>
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Todos os sábados, de duas a três horas, o presidente Rafael Corrêa apresenta-se no rádio aos cidadãos do Equador. O pretexto é prestar contas do que faz. Na prática, ele incita o ouvinte contra a imprensa, que acusa de &amp;quot;corrupta&amp;quot; e de &amp;quot;vendida&amp;quot;, com um sugestivo fundo musical: &amp;quot;mentem, mentem, mentem... não param de mentir&amp;quot;.
Isso lembra alguém, de algum lugar? Sim, lembra Hugo Chávez, da Venezuela, que inaugurou programas jogando a população contra a imprensa e agora vai da palavra aos atos: toda hora, manda fechar uma TV daqui, dúzias de rádios dali. Já são mais de 30.
O nível de manipulação popular contra TVs, rádios, jornais, seus donos e seus jornalistas vem num crescendo. Porque tudo que os governantes não querem é ler, ouvir e ver os desmandos de seus governos, de seus grupos de poder e até de seus familiares expostos à opinião pública. Preferem tudo intramuros, restrito aos seus palácios.
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