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<title>Folha Online - Colunas - Hélio Schwartsman    </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<title>Folha Online - Colunas - Hélio Schwartsman    </title>
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<title>Rifando a Amazônia</title>
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Começo com uma anedota. O sujeito chega para a mulher e pergunta: --Por 40 milhões de dólares você dormiria comigo? Necessitada, com a mãe doente e o pai desempregado, ela responde: --sim! Aí o cara dispara: --E por 20 reais você dormiria comigo? Indignada, ela retruca: --Que tipo de mulher você pensa que sou!? Ao que ele retorque: --Isso nós já determinamos, agora estamos apenas acertando o preço.
Minha coluna da semana passada, &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u413846.shtml&quot;&gt;&amp;quot;Vendendo a Amazônia&amp;quot;&lt;/a&gt;, na qual insinuei que a internacionalização da floresta poderia ser uma solução para o problema do desmatamento, gerou uma pororoca de protestos de leitores, alguns com raciocínios pertinentes, outros apenas mal-educados. Era um texto evidentemente provocativo, e eu não esperava mesmo que passasse em brancas nuvens. Ainda assim, surpreenderam-me o grande volume de palavrões e o reduzido número de missivistas que demonstrou ter lido a peça da forma como a concebi.
Retomo, portanto, o tema com o intuito de desfazer alguns malentendidos. Antes de mais nada é preciso voltar à arquitetura do texto. A soberania sobre a floresta funcionava como um pretexto para discutir o problema do nacionalismo, que era, este sim, o fulcro da coluna. A venda da Amazônia operava apenas, admito-o, como uma apetitosa isca, uma armadilha para levar o leitor incauto até o assunto que eu de fato pretendia debater. Quem puxar pela memória (ou apertar o link acima, o que é mais fácil), terá a oportunidade de constatar que eu jamais disse que a porção norte-noroeste do país será vendida aos gringos. Ao contrário, afirmei com todas as letras que isso não vai acontecer. E não vai acontecer por uma miríade de razões que incluem sua inconstitucionalidade, a ausência, ainda que momentânea, de um modelo de negócios adequado e, principalmente, o tal do nacionalismo, que faz com que a maioria de nós pense com o fígado em vez do cérebro.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u416068.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (26/06/2008 - 00h02)</description>
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<title>Vendendo a Amazônia</title>
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Entre meus muitos defeitos não está o nacionalismo. Assim, não pestanejaria muito antes de vender a Amazônia aos gringos. Acho até que, dependendo de como a operação fosse montada, todos poderiam sair ganhando: a floresta e seus recursos seriam mais bem preservados, a população local experimentaria um novo ciclo de desenvolvimento (quem sabe até ganhasse passaporte americano ou da União Européia) e o resto do Brasil, evidentemente, receberia uma bolada pela cessão da &amp;quot;soberania&amp;quot;. Desnecessário dizer que o próprio planeta seria enormemente favorecido com o fim das queimadas e a manutenção da cobertura vegetal amazônica, que exerce importante papel na regulação do regime de chuvas e do clima em geral.
É claro, porém, que isso não vai acontecer. Nossos valorosos militares, secundados por grande parte da população (inclusive gente inteligente), padece de dores físicas só de considerar a hipótese de que a Amazônia possa não ser mais &amp;quot;nossa&amp;quot;.
É este &amp;quot;nosso&amp;quot; que eu gostaria de discutir um pouco hoje. Eu não sinto em absoluto que a Amazônia seja &amp;quot;minha&amp;quot;. Para começar, nunca pisei lá. OK, falha minha, mas acredito que eu seja acompanhado nela pela maioria dos brasileiros. Estou também convicto de que eu, como a maior parte da população do país, mais perco do que ganho com as queimadas promovidas por pecuaristas e sojicultores locais. Na verdade, sé é correta, como parece que é, a tese de que o carbono de origem antropogênica representa uma ameaça às gerações futuras, tenho razões legítimas para querer o fim deste verdadeiro holocausto vegetal, que, apenas entre agosto de 2007 e abril de 2008, já custou à floresta pelo menos 5.850 km2 de cobertura, o equivalente a quatro vezes a cidade de São Paulo.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u413846.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (19/06/2008 - 00h56)</description>
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<title>A volta da filosofia</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u411269.shtml</link>
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A coluna de hoje será agitada. Começo traindo a classe. Embora eu tenha formação acadêmica na área de filosofia, vejo com desconfiança a recém-sancionada lei que torna obrigatório o ensino desta matéria e da sociologia nas três séries do ciclo médio em todo o país. A mudança, que não chega a ser uma revolução, pois as duas disciplinas já vinham sendo paulatinamente reincorporadas à rede, parece-me servir mais aos interesses de sindicatos e a um certo populismo educacional do que à causa do ensino propriamente dita.
Antes de prosseguir eu gostaria de desfazer alguns enganos comuns. Não, a filosofia não &amp;quot;ensina a pensar&amp;quot; nem a &amp;quot;ser ético&amp;quot;. Trata-se de uma disciplina como outra qualquer. O aluno é apresentado a um universo conceitual específico e, depois, nas provas e trabalhos, instado a mostrar como lida com as novas &amp;quot;ferramentas&amp;quot;. Não há mágica nenhuma. Não é porque o estudante vai ler textos que refletem sobre a aquisição do conhecimento, por exemplo, que se tornará mais apto a conhecer. De modo análogo, estudar como determinados autores pensaram a moral e a ética não é em absoluto garantia de que o aluno se tornará um ser mais moral e mais ético.
Concordo que, pelo menos no ciclo médio, é preciso alargar os horizontes do aluno. Não dá para ficar só ensinando português e matemática e as matérias &amp;quot;clássicas&amp;quot; como física, biologia, história. É preciso passar também algumas referências relevantes da cultura e da ciência ocidentais. A filosofia é uma boa candidata, mas está longe de ser a única. Por que não história da arte, direito, estatística, psicologia, medicina? O melhor, creio, seria deixar para cada escola definir o que convém mais a seu público. É esse espírito anarco-autonomista, que constava da redação original da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a popular LDB, que vem sendo revertido nos últimos anos.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u411269.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (12/06/2008 - 00h30)</description>
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<title>Para além do nome</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u408781.shtml</link>
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A vida não é justa, como gosta de dizer Ian, um de meus filhos gêmeos, agora com seis anos de idade. O pior aconteceu. Nosso cão Lico (forma apocopada de Licurgo, o legendário legislador espartano) morreu. Nós bem que vínhamos preparando os meninos para o desfecho definitivo. Lico, afinal, um weimaraner de 12 anos de idade, estava internado havia uma semana, com problemas nas articulações traseiras e uma função renal de fazer dó.
Meu irmão foi o portador da má nova. Não se permitiu circunlóquios nem eufemismos: --O Lico morreu esta manhã. Foi uma choradeira. Ian enfiou-se debaixo da mesa e disse que nunca voltaria a sair. David, mais intelectual, pôs-se a maldizer a sorte e decretou que, dali em diante, odiaria as quartas-feiras, dia da semana em que teve lugar o &amp;quot;passamento&amp;quot;.
De minha parte, tentei consolá-los com o argumento eutanástico. Expliquei que havia um lado bom, pois o cão havia deixado de sofrer. Foi em vão. Minha mulher, numa inaudita concessão a suas convicções materialistas, disse-lhes que, embora não exista um céu para pessoas, os cachorros, por serem muito bonzinhos, contavam com um. Não acreditaram. O ateísmo é mesmo um vírus contagioso.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u408781.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (05/06/2008 - 00h02)</description>
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<title>Ex-leviatã</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u406312.shtml</link>
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O que é o Estado afinal? Um leviatã sedento de poder e ávido por controlar-nos os destinos, ou uma entidade quase benigna, que, além de possibilitar a vida em sociedade, oferece-nos, através da seguridade social e de programas específicos, meios de viver mais e melhor?
Até meados do século passado, o mais sensato era apostar na primeira possibilidade. É claro que não existiriam nações e nem mesmo assentamentos humanos maiores do que vilarejos se não houvesse desde a aurora das civilizações um poder central capaz de organizar empreendimentos coletivos (preparar o campo para o plantio, construir estradas) e garantir um mínimo de ordem, a fim de que cada um pudesse cuidar de seus próprios afazeres sem precisar preocupar-se em período integral com vizinhos invejosos e bandidos. Daí que a função de policial é quase tão antiga quanto uma outra atividade também iniciada com a letra &amp;quot;p&amp;quot;.
Ainda assim, até a consolidação das democracias burguesas no final do século 19 e início do 20, o Estado era mais bem descrito como um mal necessário cujo poder tínhamos de tentar controlar para não sermos por ele devorados do que como um potencial aliado na busca pela felicidade. Para qualquer um que não estivesse sempre de acordo com a vontade do soberano, as chances de ser declarado inimigo de El-Rei e desaparecer ou ver-se esquecido nas masmorras superavam em muito as de receber algum tipo de auxílio.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u406312.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (29/05/2008 - 00h02)</description>
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<title>A guerra dos manifestos</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u404203.shtml</link>
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Às vésperas da votação, pela Câmara dos Deputados, da lei que institui cotas para negros e índios nas universidades federais e na iminência do julgamento de duas ações sobre o tema no STF (Supremo Tribunal Federal), Brasília assiste à guerra dos manifestos.
De um lado, estão os auto-intitulados &lt;a href=&quot;http://www.petitiononline.com/antiraca/petition.html&quot;&gt;&amp;quot;Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais&amp;quot;, que, no último dia 30, enviaram ao Supremo um arrazoado&lt;/a&gt; com suas posições. Na semana passada foi a vez de defensores da reserva de vagas visitarem a corte e a Câmara para apresentar seu &lt;a href=&quot;http://lpp-uerj.net/olped/documentos/1745.pdf&quot;&gt;documento&lt;/a&gt;.
De minha parte, sou mais sensível aos argumentos do primeiro texto, embora reconheça que o segundo também traz raciocínios que não podem ser desprezados.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u404203.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (22/05/2008 - 01h00)</description>
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<title>Descascando o abacaxi</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u401809.shtml</link>
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&amp;quot;Mea culpa, mea maxima absolutissimaque culpa!&amp;quot; Achei que minha observação acerca da carga fiscal que deve incidir sobre drogas, feita na &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u399513.shtml&quot;&gt;coluna&lt;/a&gt; da semana passada, passaria mais ou menos incólume em meio à argumentação, mas eis que um número bastante significativo de leitores escreveu-me para questionar a noção de que é possível, através de impostos, ressarcir o sistema público de saúde pelo aumento de custos decorrente de uma eventual legalização da maconha, cocaína, heroína etc. Tinha evitado detalhar essa proposta e meti acintosas e ostensivas aspas na expressão &amp;quot;fechar&amp;quot; a conta do SUS&amp;quot; porque a economia não está entre minhas pseudociências favoritas, mas, já que os leitores exigem, descasquemos o abacaxi.
As objeções podem ser divididas em duas famílias. Houve aqueles que concordaram com minha tese central de que não cabe ao Estado legislar sobre os venenos que cada um enfia conscientemente dentro de seu próprio corpo, mas temem que a elevação dos tributos necessária para financiar a saúde pública acabaria incentivando o contrabando. Trocando em miúdos, para pagar a conta do provável aumento de dependentes, os impostos teriam de subir tanto que o estímulo econômico ao mercado negro permaneceria. Ou seja, a legalização não bastaria ara acabar com o narcotráfico, tornando-a contraproducente ou, na melhor das hipóteses, inútil.
Um outro grupo de missivistas foi mais longe e criticou a idéia de que não é função do poder público definir o que cada um pode ou não fazer consigo mesmo. Para eles, uma vez que o consumo de entorpecentes gera ônus que recaem sobre o conjunto da sociedade, o Estado está autorizado a banir certos comportamentos à primeira análise privados.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u401809.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (15/05/2008 - 00h02)</description>
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<title>Os juízes de Brasília</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u399513.shtml</link>
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Diz a lenda que, quando Frederico 2º, da Prússia, estava construindo seu castelo de Sans-Souci, nas cercanias de Berlim, descobriu que a magnífica vista de uma das aléias seria prejudicada por um velho moinho. O monarca-filósofo teria então tentado por todos os meios comprar a propriedade ao moleiro, mas este, teimosamente, se recusava a vendê-la. Na versão do episódio imortalizada pela crônica do poeta François Andrieux, um dia, irritado, Frederico, o Grande, interpelou-o: &amp;quot;Você não sabe que, se eu quisesse, poderia tomar o moinho à força e sem pagar nada?&amp;quot;. Ao que o moleiro retorquiu: &amp;quot;Sim, poderia, se não houvesse juízes em Berlim&amp;quot;.
Quanto a Berlim, eu não sei, mas é fato que juízes, pelo menos na acepção do moleiro de Andrieux, estão rareando no Brasil. Como o poeta francês, também faço alusão a um episódio menor --a tal de marcha da maconha--, mas nem por isso menos significativo.
Manifestações em favor da legalização da droga marcadas para o domingo passado foram proibidas pela Justiça em várias cidades do Brasil. Ao que consta, a marcha só não foi decretada ilegal em quatro das nove localidades previstas. No Rio de Janeiro, um rapaz chegou a ser preso porque seu cão portava uma placa que pedia a descriminalização da erva. Para a polícia, ele violou o artigo 33 da lei n 11.343/06, que veda &amp;quot;induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u399513.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (08/05/2008 - 00h02)</description>
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<title>O não tão livre arbítrio</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u397694.shtml</link>
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Imagine a mais deliciosa sobremesa que suas papilas gustativas podem conceber. Acrescente uma camada extra de cobertura de chocolate. Agora imagine o garçom lhe estendendo uma generosa porção dessa iguaria. Você consegue recusar?
Se, como a maioria dos seres humanos, não resiste à tentação, pode perguntar-se onde diabos está o livre arbítrio de que tanto falam filósofos e padres. A questão é debatida há pelo menos dois milênios e não estamos nem perto de uma resposta definitiva. Esse conceito reúne numa só trama alguns dos mais cabeludos problemas filosóficos, como a natureza do universo (se ele é ou não determinado), a causalidade e se o homem é ou não um agente moral.
O leitor de boa memória se lembrará de que, no final de minha coluna anterior, comentando o caso da pequena Isabella, sugeri que o tal do livre arbítrio talvez seja menor do que exigiriam as noções mais comuns de justiça.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u397694.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (01/05/2008 - 17h21)</description>
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<title>O caso Isabella</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u392839.shtml</link>
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Relutei o quanto pude em comentar o caso do assassinato da pequena Isabella Nardoni. Não importa quem seja o autor do crime, o resultado é o mesmo: uma tragédia pessoal e familiar. Como há um homicídio a esclarecer, é inevitável que as autoridades policiais escarafunchem todos os aspectos da história, mas isso não significa que o grande público deva participar de tudo e acompanhar &amp;quot;on line&amp;quot; cada novo desdobramento das investigações. Até para que a família possa viver o luto, seria necessário um certo distanciamento. Receio, entretanto, que os limites do decoro tenham sido quebrados pela perversa combinação de uma imprensa ávida por sensacionalismo com declarações irresponsáveis de autoridades policiais e judiciárias. Tudo isso, é claro, motivado pelo desejo das pessoas de saber tudo a respeito desse macabro episódio.
É justamente sobre a natureza desse desejo que gostaria de lançar algumas observações na coluna de hoje. Por que o assassinato de crianças nos toca mais do que homicídios envolvendo adultos? Por que a simples possibilidade de o pai ser um dos suspeitos transforma uma ocorrência policial em comoção nacional?
Parte da resposta está na biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos de cuidadores. Estes serezinhos foram &amp;quot;desenhados&amp;quot; com características que exploram os vieses sensórios de seus pais e de adultos em geral. Tais traços, especialmente os faciais, são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney. O que torna Mickey Mouse fofinho e não repulsivo como a maioria dos murídeos? Como observa Marc Hauser em &amp;quot;Moral Minds&amp;quot;, &amp;quot;a cabeça muito maior do que o corpo e os olhos grandes em relação ao rosto (...) são como doces visuais, irresistíveis para nossos olhos&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u392839.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (17/04/2008 - 00h30)</description>
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<title>Do infanticídio</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u390569.shtml</link>
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Quão universais são os direitos universais? Colocar a pergunta dessa forma já trai uma resposta. Mas talvez seja melhor começar pelo começo.
Esta coluna tem por objeto a &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0604200811.htm&quot;&gt;reportagem&lt;/a&gt; da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; publicada no domingo sobre o infanticídio entre grupos indígenas. Alguns de nossos &amp;quot;bons selvagens&amp;quot;, como se sabe, costumam matar logo que nascem gêmeos, filhos de mães solteiras e portadores de outras &amp;quot;maldições&amp;quot;. A prática é comum em pelo menos 20 das mais de 200 etnias que vivem no país. Com o apoio de ONGs de direitos humanos, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que pretende coibir &amp;quot;práticas tradicionais que atentem contra a vida&amp;quot;.
Pela proposta, &amp;quot;qualquer pessoa&amp;quot; que tenha conhecimento de casos de uma criança em situação de risco e deixe de informá-lo às autoridades responderá por crime de omissão de socorro.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u390569.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (10/04/2008 - 00h01)</description>
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<title>Aos inimigos, a lei</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u388268.shtml</link>
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No Brasil, a lei é sempre para os outros. Até conseguimos vislumbrar a racionalidade por trás de normas positivas, mas, assim que elas passam a provocar algum embaraço a nossas atividades ou à de pessoas próximas a nós, estamos dispostos a ignorá-las ou mesmo burlá-las. &amp;quot;Aos amigos tudo! Aos inimigos, a lei&amp;quot;. A autoria do provérbio é controversa, mas há pouca dúvida de que a máxima seja genuinamente brasileira. Eu ao menos não encontrei equivalentes em outros idiomas.
Faço essas observações por conta de reportagem publicada na &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; sobre menores de 18 anos que dirigem veículos. Chamaram-me especial atenção os dados da pesquisa &lt;a href=&quot;http://asp11.volvo.com.br/CTPVST/Documentos/relatorioojovemeotransito.pdf&quot;&gt;&amp;quot;O Jovem e o Trânsito&amp;quot;&lt;/a&gt; realizada pelo Ibope em abril do ano passado e divulgada em setembro. De acordo com o levantamento, 20% dos jovens de 16 e 17 anos costumam dirigir carros e motos, mesmo sem ter idade legal para fazê-lo. Destes, 61% se metem atrás do volante ou guidão com alguma freqüência. O que mais assusta, porém, é constatar que a maioria conta com a anuência familiar: 60% dos menores que dirigem aprenderam a atividade com seus pais; os 40% restantes, com amigos ou outros parentes.
O pendor para a ilegalidade prossegue mesmo depois de completados os 18 anos. Segundo o Ibope, 30% dos jovens entre 18 e 25 anos dirigem sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), isto é, sem ter sido aprovados nos exames que demonstrariam capacidade técnica e conhecimentos teóricos da legislação.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u388268.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (03/04/2008 - 00h02)</description>
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<title>A lei do mais fraco</title>
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Longe de mim justificar a ignominiosa ocupação chinesa do Tibete, mas, sempre que uma questão desponta como virtual unanimidade planetária --caso da independência tibetana--, é lícito supor que a história esteja mal contada. Não estou com essas poucas palavras dizendo que não existam opressores e oprimidos, certo e errado. Apenas afirmo que as relações internacionais são terreno tão movediço e repleto de nuanças e sutilezas hermenêuticas que, quando uma situação qualquer parece clara demais, o mais provável é que alguma versão tenha ficado de fora do relato.
É inegável que os chineses oprimem o povo tibetano e cometem toda sorte de violação aos direitos humanos. Também está fora de questão que o governo central de Pequim vem, ao longo das últimas décadas e por diversos meios, erodindo a base da cultura tradicional tibetana. Mas daí não se segue que os chineses sejam bandidos desalmados que apenas tiranizam os heróicos e pacíficos tibetanos, sempre a um pequeno passo da santidade.
É verdade que Tenzin Gyatso, o 14º dalai-lama, é uma figura simpática. Está sempre sorrindo e vem, há quase cinco décadas, liderando uma luta de independência nacional. Fê-lo sem recorrer ao terrorismo ou a outras formas de violência muito exacerbada. Defende com o que parece ser autêntica convicção o equilíbrio ambiental do planeta. E isso já bem antes de Al Gore. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz (1989) e a medalha de ouro do Congresso dos EUA (2007), além da cidadania honorária canadense (2006).
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<title>A queda</title>
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Política, hipocrisia, sexo e poder. Num sentido mais amplo, todas essas palavras são sinônimas. Que o diga Eliot Spitzer, o ex-governador de Nova York que foi obrigado a renunciar depois de ter sido flagrado metido com uma rede de prostituição de luxo.
Há duas interpretações para a queda de Spitzer. Na primeira, ele sucumbiu porque os americanos são um povo puritano, que se compraz em punir seus líderes apanhados em &amp;quot;flagrante delicto&amp;quot; de humanidade. Pela segunda, seu pecado foi ter-se revelado um tartufo: praticava secretamente aquilo que em público condenava. O detalhe aqui é que as duas leituras não se excluem, pelo contrário, reforçam-se. Analisemo-as mais detidamente.
Se há algo a que os americanos não resistem é um escândalo sexual. O primeiro político dos EUA e meter-se com um foi Alexander Hamilton (1755 ou 1757-1804), que, em 1791, depois de uma denúncia, viu-se compelido a assumir seu relacionamento com Maria Reynolds. Ambos eram casados --e não um com o outro, é bom deixar claro. Embora insistisse em não ter violado nenhuma regra do trato com as coisas públicas, Hamilton sofreu um abalo fatal em sua carreira. Pouco depois teve de renunciar ao posto de secretário do Tesouro. Em vida, jamais voltou a gozar do prestígio que antes tivera, mas --e aí vem a primeira ambigüidade-- o pecadilho não o impediu de assumir um lugar histórico como &amp;quot;founding father&amp;quot; (pai fundador) da República norte-americana.
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<title>Clima de guerra</title>
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Felizmente, tudo terminou bem, sem que um único tiro fosse disparado. Mesmo assim fica algo de inafastavelmente ridículo no comportamento dos líderes latino-americanos que protagonizaram a mais grave crise diplomática a afetar a região nos últimos anos, depois que militares colombianos invadiram território equatoriano para dar cabo de um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na operação, foi morto Raúl Reyes, o número dois da organização guerrilheira.
Ao longo de toda a semana passada, os presidentes da Colômbia e do Equador, este secundado pelos dirigentes da Venezuela e da Nicarágua, trocaram impropérios irrevogáveis e prometeram lavar em sangue a honra do país ultrajado. Era tudo fogo de palha. Na sexta-feira já estavam trocando tapinhas nas costas. Por pouco não saíram abraços e juras de amor eterno.
Longe de mim insinuar que a guerra era preferível. Mas, se as palavras duras que lançaram uns contra os outros não eram para valer, por que as proferiram?
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