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<title>Folha Online - Colunas - Hélio Schwartsman    </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@folha.com.br (Webmaster Folha Online)</webMaster>
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<title>Folha Online - Colunas - Hélio Schwartsman    </title>
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<title>De apagões e responsabilidades</title>
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Não me sinto muito confortável na posição de defensor do governo, mas não dá para comparar o apagão de Lula com o de FHC.
Em 2001, o que tivemos foi um problema crônico de geração de energia que derrubou o PIB em três pontos percentuais e despertou a justa ira da população. Em 2000, vínhamos crescendo a uma taxa de 4,3% ao ano, que passou a 1,3% após a imposição do racionamento. Evidentemente, ocorreram prejuízos e demissões que podem ser diretamente atribuídos à barbeiragem elétrica.
Segundo relatório divulgado em julho pelo Tribunal de Contas da União, em dinheiro vivo a imprevidência custou R$ 45,2 bilhões, dos quais 60% foram pagos pelos consumidores na forma de aumentos na conta de luz (o seguro-apagão) e o restante pelo contribuinte, através de aportes do Tesouro a várias empresas. O desastre só não foi maior porque boa parte desse dinheiro se converteu nos investimentos de que o setor se ressentia havia anos.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u654268.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (19/11/2009 - 00h13)</description>
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<title>Chamem os universitários</title>
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Raras vezes vi um tiro no pé tão bem disparado. Por qualquer ângulo imaginável que se analisasse, afigurava-se como ruinosa a decisão da Uniban de expulsar, através de anúncio nos jornais, Geisy Arruda, a garota que há três semanas quase apanhara de seus colegas universitários por andar com um vestido considerado curto demais.
Quando a direção da universidade se deu conta da magnitude de seu desatino, voltou atrás e desexpulsou a jovem, no que foi interpretado mais como confissão de leviandade do que como demonstração de coragem por ter admitido, ainda que indiretamente, seu erro. Em suma, o episódio pode ser qualificado como um desastre total, ou &amp;quot;dafaecatio maxima&amp;quot;, como escrevi na &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0811200926.htm&quot;&gt;edição impressa (só para assinantes&lt;/a&gt; da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; de domingo. Acho que nem um estudante do primeiro ano do curso de marketing da própria Uniban teria cometido tantos e tamanhos equívocos.
Com sua atitude, a universidade conseguiu a proeza de colocar do mesmo lado a UNE e a blogsfera de direita, o Ministério Público e a OAB, o primeiro escalão do governo Lula e associações feministas. Até a imprensa estrangeira deu destaque à história, que apareceu em órgãos tão distintos como &amp;quot;The New York Times&amp;quot;, &amp;quot;China Daily&amp;quot; e &amp;quot;Manila Bulletin&amp;quot;. Alguns dos novos epítetos sugeridos para a instituição incluem Unibando e Unitaleban. Atenho-me aos publicáveis.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u650998.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (12/11/2009 - 00h02)</description>
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<title>As portas da percepção</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u647571.shtml</link>
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Sempre que a violência do crime organizado dá mostras de descontrole, como no caso da guerra do tráfico no Rio de Janeiro, alguém desengaveta a proposta de legalização das drogas. Não tenho nada contra trazer as drogas para o maravilhoso mundo dos negócios legais, mas que o façamos pelas razões certas. Acabar com a violência não é uma delas. É até possível que, num horizonte de tempo mais dilatado, uma eventual legalização diminua os lucros e, consequentemente, o poder de fogo das quadrilhas, mas, no curto prazo, seria mais realista esperar um aguçamento dos crimes bárbaros. Sugerir o contrário é tentar vender gato por lebre.
A venda de cocaína e assemelhados não é exatamente uma vocação à qual se dedicam pessoas com especial talento para alargar &amp;quot;as portas da percepção&amp;quot; de seus clientes. Se a legalização ocorresse amanhã, é muito pouco provável que os traficantes de hoje trocassem o &amp;quot;berro&amp;quot; pela gravata e se convertessem em respeitáveis homens de negócios. Privados do lucro fácil das drogas --a única modalidade criminosa na qual as supostas vítimas (os usuários) fazem fila para ser voluntariamente &amp;quot;prejudicadas&amp;quot;--, é quase certo que os integrantes do exército do tráfico se lançariam com fúria redobrada na consecução de delitos realmente violentos, como assaltos e sequestros, nos quais as vítimas não costumam estar de acordo com a transação proposta pelos bandidos.
A grande verdade é que não existe solução para o problema das drogas. O mundo não é bem um paraíso idílico; ao contrário, é um lugar cheio de perigos, que incluem várias centenas de substâncias psicoativas, pelas quais nossos cérebros pessimamente projetados têm uma fraqueza muitas vezes fatal. Não está no poder de nenhuma lei modificar essa realidade bioquímica. Pelo menos com o atual nível de tecnologia médica, só o que a sociedade pode fazer é tentar modular as repercussões desse indesejável pendor humano.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u647571.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (05/11/2009 - 00h03)</description>
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<title>Uma questão de justiça</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u641229.shtml</link>
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Quando escrevi a &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u637928.shtml&quot;&gt;coluna da semana passada&lt;/a&gt;, na qual falei mal da homeopatia, estava ciente de que receberia alguns e-mails indignados de defensores do &amp;quot;similia similibus curantur&amp;quot;. De fato os recebi, mas o que me chamou a atenção foi um outro fenômeno. Um bocado de gente, alguns dos quais meus correspondentes há anos e cuja opinião prezo, ficou brava com o fato de eu ter dito que considerava exageradas as penas de prisão impostas pela Justiça australiana ao casal de homeopatas. Para essas pessoas, a sentença máxima de oito anos dada ao marido e de cinco anos e quatro meses destinada à mulher, foi pouco. Por ter deixado a filha morrer em agonia (evitando tratá-la com remédios convencionais), mereceriam muito mais. É uma boa ocasião para revisitarmos o conceito de justiça.
Antes, porém, de nos embrenharmos por sendas filosóficas, convém esclarecer alguns pormenores do caso em tela. O fato de eu ser um autonomista no sentido forte do termo (isto é, acreditar que na esmagadora maioria dos casos o paciente ou seu representante legal deve ter poder de veto sobre o tratamento médico proposto), não me torna automaticamente um inimigo das crianças.
Estou entre os primeiros a aplaudir quando a Justiça determina que filhos de Testemunhas de Jeová recebam, mesmo que contra a vontade dos pais, transfusões de sangue que possam salvar suas vidas. O mesmo vale para aqueles genitores que negam a seus filhos tratamentos oncológicos que ofereçam chances razoáveis. É claro que poderíamos passar um ano discutindo se seis meses de suplícios quimioterápicos seguidos de 40% de possibilidade de sobrevida nos próximos cinco anos é ou não &amp;quot;razoável&amp;quot;, mas acho que o leitor já captou a ideia: não devemos poupar esforços para prevenir a morte de crianças devido a escolhas pouco sábias de seus pais, mas, consumado o óbito, a discussão muda de figura. Uma punição que não vise a impedir que o autor de um delito venha a repetir seu crime nem tenha valor como exemplo para terceiros ainda faz sentido?
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u641229.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (22/10/2009 - 00h08)</description>
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<title>Os grilhões da homeopatia</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u637928.shtml</link>
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Tenho ouvido louvores à Suprema Corte do Estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, por ter sentenciado a duras penas de prisão um casal de homeopatas cuja filha morreu devido a complicações de um eczema. Como eles se obstinaram quase até o fim num tratamento que não funcionava, e a menina, de apenas nove meses, pereceu em agonia, foram acusados de homicídio culposo, por negligência. &amp;quot;I respectfully disagree&amp;quot;. Não vejo muito propósito na condenação, e não porque defenda a homeopatia. Ou melhor, num certo sentido até defendo, mas pelas razões que os homeopatas odeiam.
Acho, porém, que é melhor começar pelo começo. A história teve início em novembro de 2001, quando a pequena Gloria Sam, de Earlwood, então com quatro meses, apresentou os primeiros sinais de eczema, uma doença da pele que normalmente pode ser controlada com a aplicação de corticóides tópicos.
O problema é que o pai de Gloria, Thomas Sam, 42, não era um entusiasta da medicina tradicional. Ao contrário, ele não apenas era um ferrenho defensor da homeopatia como ainda a praticava e promovia através de palestras. (Embora Sam tenha formação superior, ele não é médico. Na Austrália, como na maior parte do mundo civilizado, qualquer um que queira proclamar-se homeopata e receitar pílulas sem princípio ativo é livre para fazê-lo). Encarregou-se ele próprio dos cuidados da filha.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u637928.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (15/10/2009 - 00h02)</description>
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<title>Pesadelo olímpico</title>
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Eu sinto por dar uma de estraga-prazeres, mas essa história de Jogos Olímpicos no Rio pode ser a maior vitória de Pirro da história desde que o próprio Pirro destruiu os exércitos romanos na Batalha de Ásculo, em 239 a.C. O pior é que 90% do que li na imprensa são relatos ufanistas de como o Brasil do futuro venceu as potências decadentes, a começar dos norte-americanos, que, apesar de terem mobilizado o próprio Barack Obama, experimentaram humilhante derrota. (Pensando bem, talvez seja melhor assim; que festejemos agora, pois ainda teremos muitos anos para lamentar o dia em que o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar a competição de 2016).
Uma imagem exibida pela TV durante a cerimônia de anúncio da cidade vencedora traduz muito bem os meus receios: ali, em meio a Lula, Pelé, Paulo Coelho e outros cabos eleitorais do Rio, despontava Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil. Que diabos um presidente de BC faz numa solenidade essencialmente esportiva? O meu temor é o de que ele tenha viajado a Copenhague como garantia de que o Brasil não hesitará nem mesmo em girar a maquininha de fazer dinheiro, se isso for necessário para a realização dos Jogos. Não sei se isso faz ou não parte do espírito olímpico, mas é fato que não faz parte do espírito de responsabilidade que deve orientar a finança pública.
Dizem que um povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la. Isso é uma tremenda de uma bobagem. É perfeitamente possível que uma nação ignore o seu passado e jamais o reencene, da mesma forma que pode conhecê-lo à perfeição e, ainda assim, recair nos mesmos erros. Em todo caso, a máxima vale por nos lembrar de conferir os precedentes. E é exatamente aí que o sonho olímpico dá lugar ao pesadelo.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u634797.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (08/10/2009 - 00h01)</description>
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<title>Os melhores amigos</title>
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Na semana que passou, o Brasil viu-se erguido a protagonista numa trama que envolve personagens entre o folclórico e o deplorável interpretando cenas explícitas de república de bananas. Fomos levados a tal posição por um pouco por azar --ele se chama Hugo Chávez e mora alguns graus ao norte da linha do equador-- e muito por inabilidade do Itamaraty.
Cuidado. Não chego como alguns a ver na novela hondurenha a prova do fracasso de nossa política externa e nem tentativas de fundar as bases de um imperialismo brasileiro. Imagino que dentro de dois ou três meses, quando a presente crise estiver superada, tudo será relegado a uma pequena nota de rodapé da história, sem número significativo de mortos ou feridos para nenhum lado. Ainda assim, acho que vale a pena aproveitar a ocasião para discutir a linha abraçada pela diplomacia nacional.
Antes de mais nada, é preciso explicar um pouco a situação política em Honduras, sem o que nada fará muito sentido. O artigo 3º da Constituição hondurenha traça um bom retrato do país: &amp;quot;Ninguém deve obediência a um governo usurpador nem a quem assuma funções ou empregos públicos por força das armas ou usando meios ou procedimentos que descumpram ou ignorem o que esta Constituição e as leis estabelecem. Os atos produzidos por tais autoridades são nulos. O povo tem o direito de recorrer à insurreição na defesa da ordem constitucional&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u631371.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (01/10/2009 - 00h02)</description>
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<title>&quot;Faites vos jeux&quot;</title>
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Volta e meia algum parlamentar tira do escaninho uma proposta para legalizar o jogo no Brasil. Os alinhamentos se seguem quase automáticos: a turma ligada à moral e aos bons costumes se junta à bancada da segurança (Ministério Público, Fisco, polícia) para protestar, enquanto setores associados à indústria do turismo e sindicatos aplaudem a iniciativa.
Não estou na folha de pagamento de nenhum desses lobbies e muito menos na dos donos de bingo, bicheiros e traficantes de drogas. Nunca entendi, porém, em qual lógica se baseia a ideia de que o Estado precisa proteger o indivíduo de si mesmo. Ou melhor, até compreendo, mas é uma lógica torta, à Jânio Quadros. Ela é, para dizer o mínimo, contrária a todos os princípios que fundamentam as sociedades abertas contemporâneas, que têm como pressuposto a noção que os cidadãos são, na maior parte das vezes, seres capazes de tomar decisões racionais e por elas responder.
Receio, entretanto, que já esteja me antecipando. Comecemos pelo lado negro do jogo. Casos de pessoas que desenvolvem sérios problemas psicológicos e financeiros por causa da mania de apostar são conhecidos desde a Antiguidade. Foram imortalizados por autores como Dostoievski, cujo clássico &amp;quot;O Jogador&amp;quot; vale por um tratado de psiquiatria.
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<title>Lula vai às compras</title>
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Eu e armas sempre mantivemos prudente distância um do outro, de modo que nunca desenvolvi as competências necessárias para palpitar sobre quais caças, helicópteros e submarinos mais convêm às Forças Armadas brasileiras. Do ponto de vista político, entretanto, essa novela toda do acordo militar com a França está muito malparada.
Acho até que o governo pode ter um importante argumento a seu favor quando sustenta que possuir a França como parceira resultará em maior transferência de tecnologia e liberdade para utilizá-la. Não sei como os suecos agem nessa matéria, mas é fato que os EUA são em geral bastante restritivos. Washington se reserva, por exemplo, poder de veto sobre a venda de equipamentos militares fabricados no Brasil quando desenvolvidos a partir de tecnologia norte-americana. Por conta de limitações contratuais desse gênero, o Brasil e a Embraer já foram impedidos de negociar aviões Super Tucanos com a Venezuela. O computador de bordo, o motor, a hélice e o sistema inercial de voo da aeronave têm origem nos EUA.
Só que a questão tecnológica não é o único ponto que precisa ser considerado. Preço e adequação do equipamento às nossas necessidades são quesitos pelo menos tão importantes quanto a transferência de conhecimento científico. Não me parece que essas questões tenham ainda sido bem apresentadas à sociedade. Estamos, afinal, falando de um investimento que deve chegar à casa das dezenas de bilhões de reais até 2020.
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<title>Lolitas</title>
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Comento hoje o caso do cidadão italiano que foi preso em Fortaleza na terça-feira retrasada depois que um casal de turistas de Brasília o denunciou à polícia por beijar a boca da própria filha de oito anos e fazer-lhe carícias.
Infelizmente, eu não estava nas lúbricas praias cearenses na semana passada, de modo que não vi o que aconteceu. Em teoria é, sim, possível que o súdito de Silvio Berlusconi, traindo seus deveres de pai, tenha abusado sexualmente da filha. Considero, entretanto, essa uma possibilidade remota.
A orla marítima de Fortaleza em plena luz do dia e diante dos olhos de todos não é o melhor cenário para um estupro paterno. Soa-me bem mais verossímil a explicação dada pela mãe brasileira da garota, segundo a qual, na Itália, é relativamente comum pais e filhos beijarem-se na boca.
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<title>A ética de Hipócrates</title>
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Eu e os médicos do Brasil concordamos que o Código de Ética Médica (CEM) vigente, que data de 1988, precisava ser revisto, mas acho que é só. Uso o &amp;quot;acho&amp;quot; por uma razão muito precisa. Embora eu esteja há quase uma semana atrás do novo texto, que foi aprovado no último sábado no âmbito da Comissão de Revisão e ainda precisa passar pelo plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM), não consegui obtê-lo. A razão alegada, até a aprovação, era que o documento ainda poderia sofrer modificações; depois, passou a ser que ele necessita de uma revisão jurídica. Escrevo, portanto, baseado em relatos indiretos de pontos específicos que, por diferentes vias, vazaram para a imprensa.
Lembrando que foram quase dois anos de muitos debates e alguma propaganda, minha sensação geral é de que a montanha pariu um rato. Seria, é claro, injusto afirmar que não houve nenhum tipo de avanço, mas receio que as mudanças tenham sido menos substanciais do que eu gostaria. Há até caso de retrocesso em comparação com resoluções que haviam sido baixadas pelo CFM.
Refiro-me especificamente à norma CFM 1.805/06, que autorizava o abandono do chamado &amp;quot;tratamento fútil&amp;quot;, isto é, a utilização de todos os recursos para manter vivo um paciente terminal. A resolução foi suspensa pela Justiça a pedido do Ministério Público. Só que, em vez de comprar essa briga, que é necessária, os médicos preferiram capitular. Embora o novo CEM traga alguns artigos relativos aos cuidados paliativos, ele aparentemente avança muito pouco tanto na questão da ortotanásia (o não prolongamento artificial da vida) como da eutanásia ativa (a aplicação de drogas que provocam a morte).
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u618482.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (03/09/2009 - 00h03)</description>
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<title>Paraísos artificiais</title>
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Desconfio profundamente dessas iniciativas para descriminar o uso da maconha, como agora defende o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Não, ainda não me tornei um conservador empedernido, daqueles que gostam de fritar estupradores na cadeira elétrica e têm urticária só de ouvir falar em tolerância para com o usuário de drogas.
Problema desse gênero de proposta é que ela apenas resolve a situação de uma certa classe média urbana, que gosta de fumar um baseado de vez em quando sem ser incomodada pela polícia, mas mantém mais ou menos inalterado o &amp;quot;statu quo&amp;quot; da relação entre Estado e drogas --o que realmente precisa mudar.
Trocando em miúdos, a ideia de tirar a Cannabis da lista de substâncias proibidas, embora inegavelmente simpática e quase realista (não consigo imaginar nenhum Legislativo do mundo hoje indo além disso), carece de uma racionalidade mais abrangente. Se quisermos prosseguir numa linha liberal porém lógica, precisamos não descriminar, mas sim legalizar todas as drogas, não só a maconha. E, para ser consequentes, deveríamos também relaxar os controles burocráticos que atualmente recaem sobre produtos legais mas monitorados, como anfetaminas e narcóticos opioides.
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<title>O Senado e a ética</title>
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Alguns leitores me cobram um comentário sobre a crise no Senado. Começo-o por uma inconfidência: estou com aquilo que os antigos romanos chamariam de &amp;quot;saccus scrotalis repletissimus&amp;quot;.
No primeiro grande escândalo político durante minha carreira jornalística --as denúncias que culminaram no &amp;quot;impeachment&amp;quot; de Fernando Collor de Mello--, eu sabia de cor e salteado cada uma das lacunas nas explicações oficiais. Era capaz de dar os nomes dos agentes financeiros envolvidos na Operação Uruguai, o alegado empréstimo de US$ 5 milhões que o ex-presidente providenciou para justificar seus gastos na Casa da Dinda, e estava a par de todos os fatos e boatos acerca das disputas intestinas da família Collor de Mello.
Quando e então mandatário foi finalmente afastado da Presidência, eu e outros milhões de brasileiros estávamos convencidos de que o país abraçara um novo --e melhor-- paradigma no que diz respeito à tolerância para com os desmandos da classe política.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u611973.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (20/08/2009 - 00h02)</description>
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<title>Crucifixos na berlinda</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u608704.shtml</link>
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Não resisto a comentar a ação judicial movida pelo Ministério Público Federal de São Paulo que pede a retirada de crucifixos e bíblias das repartições públicas federais no Estado. Antes que me acusem de mais uma vez pegar no pé dos religiosos, já advirto que, desta vez, ao final do artigo os defenderei dos excessos do anticlericalismo.
É claro que eu sou a favor de que esses símbolos desapareçam de uma vez por todas de nossas cortes. Essa é uma discussão que já deveria ter sido resolvida mais de um século atrás, quando a Constituição de 1891 estabeleceu a separação entre Estado e igreja. Inexplicavelmente, porém, as Cartas que se seguiram ao texto de 1891, em vez de avançar, recuaram no que diz respeito à laicidade do poder público. O grande escândalo é a Constituição de 1988, que, contrariando a tendência histórica dos países desenvolvidos e os mais elementares ditames do bom senso e da administração responsável das verbas públicas, reintroduziu o ensino religioso nas escolas da rede oficial.
Deixemos, porém, a involução do direito constitucional brasileiro um pouco de lado e nos concentremos na questão dos símbolos religiosos em espaços públicos. Os defensores da permanência de crucifixos se dividem em duas categorias: há os que tentam justificá-la recorrendo ao argumento de que a maioria da população é cristã e os que veem na simbologia um apelo a valores éticos universais. Discordo de ambos.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u608704.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (13/08/2009 - 00h05)</description>
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<title>Desconfie dos números</title>
<link>http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u605495.shtml</link>
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Não me convence o número de 70.142 mortes por gripe sazonal em 2008 divulgado pelo Ministério da Saúde. É claro que a epidemiologia não é uma ciência muito exata e que, dependendo do método utilizado, obtêm-se resultados bastante díspares. No mais, não há nada de trivial em calcular a mortalidade associada à gripe, pois ela raramente consta dos atestados de óbito, que costumam apontar causas mais próximas como pneumonia, parada cardiorrespiratória etc.
É fácil, porém, constatar que os 70 mil óbitos não estão em linha com as cifras mais comumente empregadas. A OMS (Organização Mundial da Saúde), por exemplo, estima que a influenza comum provoque entre 250 mil e 500 mil mortes anuais em todo o planeta. Ora, se o Brasil, sozinho, contabiliza 70 mil, ou bem o país apresenta uma letalidade incrivelmente maior do que a média mundial ou a nossa população teria de corresponder a algo entre 14% e 28% do total de habitantes da terra. Como nenhuma dessa hipóteses parece verossímil (somos menos de 3%), é melhor desconfiar dos números.
Nossa cifra também não bate com a dos EUA. Lá, os CDCs (vigilância epidemiológica) calculam que a gripe comum esteja associada a 36 mil mortes por ano durante a década de 90. Vale lembrar que os EUA têm um sistema de monitoramento viral bem mais sofisticado que o nosso, além de uma população 50% maior que a brasileira e com uma proporção mais robusta de idosos --os quais respondem por 90% dos óbitos da gripe sazonal. Custa crer, portanto, que o Brasil apresente quase o dobro das baixas contadas pelos americanos. Melhor desconfiar dos números.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/helioschwartsman/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u605495.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (06/08/2009 - 00h01)</description>
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