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<title>Folha Online - Colunas - João Pereira Coutinho</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@folha.com.br (Webmaster Folha Online)</webMaster>
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<title>Folha Online - Colunas - João Pereira Coutinho</title>
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<title>Os ensinamentos de Chávez</title>
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&lt;b&gt;LISBOA&lt;/b&gt; - Como evitar o tipo de &amp;quot;apagão&amp;quot; que paralisou o Brasil na última semana? Uma resposta possível foi dada por Hugo Chávez em reunião de ministros transmitida pela TV e reproduzida na internet.
Chávez é amigo do ambiente. E respeitar o ambiente implica mudar os hábitos dos venezuelanos e obrigar o povo a poupar luz nos gestos mais banais do cotidiano. Como, por exemplo, ir ao banheiro durante a noite. Ligar a luz é gasto desnecessário. Melhor usar lanterna para o efeito.
O conselho segue o essencial da filosofia paternalista de Chávez: seja luz ou seja água, a chave é não usar. Ou, pelo menos, reduzir. Não admira que o presidente tenha exortado igualmente os venezuelanos a tomarem duches de três minutos e a evitarem qualquer tipo de cantoria matinal debaixo de água. &amp;quot;Eu contei, três minutos, e não cheiro mal&amp;quot;, disse o presidente, sem que possamos confirmar a proeza (falo do tempo, não do cheiro).
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<title>O Brasil dos políticos</title>
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&lt;b&gt;LISBOA&lt;/b&gt; - O colunista Charles Krauthammer, provavelmente o melhor analista da política americana em atividade, concedeu entrevista à revista alemã &amp;quot;Der Spiegel&amp;quot; onde faz piada com o Brasil. Diz ele que, no coração sentimental do mundo, o Brasil é &amp;quot;o país do futuro&amp;quot;. O mesmo acontece em relação a Obama. O presidente americano é uma espécie de &amp;quot;Brasil dos políticos&amp;quot;: uma promessa nunca cumprida e eternamente adiada.
A metáfora é boa. Mas, primeiro, sejamos sentimentais: eu apreciei a eleição de Obama. Apesar das minhas simpatias por John McCain. Um país indelevelmente marcado pela escravatura e que manteve a segregação racial pelo século 20 adentro teria na eleição de Obama um dos seus momentos mais gloriosos. Antes de ser anti-Obama, eu sou um vergonhoso pró-americano (&amp;quot;sorry&amp;quot;, selvagens). E nenhum outro país do mundo, sem uma maioria demográfica negra, seria capaz de eleger um negro para a chefia do Estado. Exato: nem o Brasil.
Acontece que Obama não foi apenas eleito. Na sua cabeça mitómana, ele acreditou que tinha um mandado dos céus para mudar a América e o mundo a golpes de retórica e boa-vontade.
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<title>O caso Maitê Proença</title>
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&lt;b&gt;LISBOA&lt;/b&gt; - Acordo com telefonema de amigo indignado. Verdade. Tenho amigos indignados, mas prometo resolver o assunto em breve. &amp;quot;Viste o vídeo da Maitê Proença?&amp;quot;, perguntou ele, como se a Alemanha nazista tivesse invadido a Polônia novamente.
Esfreguei os olhos, despedi-me do sono e procurei na memória o nome &amp;quot;Proença, Maitê&amp;quot;. Após alguns segundos de esforço, encontrei um velho arquivo da minha adolescência. E respondi: &amp;quot;Mas que vídeo, rapaz?&amp;quot;
Ele explicou. A atriz Maitê Proença esteve em Portugal em 2007. Gravou um vídeo para o programa &amp;quot;Saia Justa&amp;quot;, da Globo GNT. No vídeo, Maitê passeia pela terrinha e goza (no sentido português do termo) com a burrice dos lusitanos.
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<title>O pedófilo é artista</title>
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&lt;b&gt;LISBOA&lt;/b&gt; - Deve um homem de 77 anos pagar por um crime cometido há três décadas? Depende do crime. Se falamos de furto ligeiro ou abuso de liberdade de expressão, não existe uma única alma compassiva que não encolha os ombros e mande o sujeito em paz. A velhice, por vezes, já é castigo que baste.
Mas o cenário muda radicalmente quando o homem em questão drogou e violou (vaginal e analmente) uma jovem de 13 anos. Aqui, o meu coração estremece. E as dúvidas, confesso, transformam-se em pó. Não que seja um pudico nessas matérias: posso entender que um adulto se sinta atraído por uma menor, desde que a &amp;quot;menor&amp;quot; em causa demonstre um grau de maturidade sexual e emocional que relativize a questão etária. Mas uma violação é uma violação é uma violação.
O auditório talvez concorde comigo. Mas o mesmo auditório sente dúvidas quando trocamos a expressão &amp;quot;homem de 77 anos&amp;quot; pelo nome &amp;quot;Roman Polanski&amp;quot;.
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<title>Quem acredita em milagres?</title>
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&lt;b&gt;LISBOA&lt;/b&gt; - Que se passa com o Ocidente? Na Grã-Bretanha, e tal como escrevi nesta Pensata algumas semanas atrás (&amp;quot;Lockerbie: um epitáfio&amp;quot;, 24/08/2009), um afamado terrorista líbio foi libertado por motivos &amp;quot;humanitários&amp;quot;, embora se suspeite que razões económicas tenham sido as mais decisivas.
Agora, o presidente Obama decidiu abandonar o escudo e o radar antimíssil na Polônia e na República Tcheca. Motivos? Robert Gates, um dos entusiastas do escudo durante a presidência Bush, mudou de ideias sob a presidência Obama. É o próprio Gates quem, em artigo para o &amp;quot;The New York Times&amp;quot; de ontem, explica as razões técnicas da mudança: o velho escudo antimíssil só estaria pronto em 2015 (no mínimo). E talvez não fosse eficaz para travar agressões múltiplas de estados hostis. Melhor apostar em proteção mais versátil contra mísseis de curto ou médio alcance, mas igualmente letais para a segurança dos europeus.
A ideia de Gates, no papel, parece pragmática e equilibrada. Mas é impossível encerrar a discussão no mundo etéreo da tecnologia. Politicamente, o gesto de Obama parece ser uma concessão a Moscovo: se, para os Estados Unidos, um escudo antimíssil era fundamental para evitar uma possível agressão nuclear iraniana, para a Rússia era uma exibição de força junto às suas fronteiras, uma intromissão abusiva na sua &amp;quot;área de influência&amp;quot; e, acredite-se ou não, uma ameaça directa à segurança do Kremlin.
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<title>Todos os homens serão castigados</title>
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Não existe maior mal do que acreditar no Mal. Eis a tese moderna dos homens modernos: depois da vitória iluminista sobre as forças do obscurantismo religioso, o Mal foi finalmente domado. Ou, pelo menos, transformado: pela reflexão sociológica, de recorte marxista; ou pelas ciências do corpo e da mente, que trataram de o &amp;quot;medicalizar&amp;quot;.
Os homens não são maus; os homens não cometem actos malignos porque escolhem livremente esse caminho. É a sociedade que os deforma: infâncias de privação ou abuso que determinam vidas adultas de desumanidade e errância.
E quando não é a sociedade, é a doença: os piores actos humanos explicam-se por um particular desequilíbrio químico, neurológico ou psicológico que é possível calibrar ou emendar.
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<title>Lockerbie: um epitáfio</title>
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LISBOA - É sempre comovente ver um terrorista regressar a casa. Uns dias atrás, pela BBC, assisti ao espetáculo: Abdel Basset Ali Al-Megrahi foi saudado como um herói pela população enlouquecida de Trípoli, capital da Líbia. Entendo o entusiasmo. Al-Megrahi foi condenado a prisão perpétua pelo envolvimento no atentado terrorista de Lockerbie (um avião, 270 vítimas). Julgamento internacionalmente reconhecido como justo e conclusivo. Al-Megrahi cumpriu oito anos de pena.
Agora, por motivos &amp;quot;compassivos&amp;quot;, o governo escocês, que é soberano em matéria judicial, resolveu libertá-lo. O terrorista está doente, com câncer terminal, disse o ministro da Justiça. Na melhor das hipóteses, tem três meses de vida. Sejamos humanos.
Eu sou humano. Mas minha humanidade, normalmente, está com as vítimas, não com os carrascos. Deformação de caráter, admito, que me transforma num verdadeiro Torquemada: ao ver Al-Megrahi recebido como um herói na Líbia, imaginei de imediato o que estariam a sentir as 270 famílias que viram os seus familiares pulverizados no ar, em dezembro de 1988. Sim, sou um monstro.
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<title>Onde está toda a gente?</title>
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LISBOA - O mundo avança. Eu fico. Há dez anos, na companhia de amigos, resolvi fundar um blog. Eu não sabia exatamente o que era um blog. Lia Andrew Sullivan, no seu &amp;quot;Daily Dish&amp;quot;, e apreciava a capacidade do bicho para publicar em cima do acontecimento. Eis o sonho de qualquer colunista: emitir opinião em cima da ocasião. Bom slogan. Vou registar.
Então avançamos. Em Portugal, os blogs eram poucos. Blogs de opinião, praticamente inexistentes. Escolhemos nome, em homenagem a Manzoni (&amp;quot;A Coluna Infame&amp;quot;), e durante dois anos, as noites eram nossas. Os dias eram dos leitores. Divertimentos? Mil. Polêmicas? Bastantes. O próprio blog terminou em polêmica e a polêmica, de tão sanguínea, chegou aos jornais.
De modos que: em 2002, talvez 2003, despedi-me da blogosfera. Verdade que nunca vivi intensamente o fenômeno. Uma brincadeira é uma brincadeira. Regressei aos livros e, claro, à imprensa. A internet é um parque infantil. Quem deseja viver eternamente num parque infantil?
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<title>A fé dos taxistas</title>
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&lt;b&gt;LISBOA&lt;/b&gt; - Tempo estranho aqui em Lisboa. Calor, sim, com um toque de umidade tropical. Quem viaja do Rio para Portugal chega a Lisboa e até acredita que ainda está em Ipanema. Será isto o aquecimento global?
Os taxistas da cidade dizem que sim. Entramos no carro e eles transformam-se em pequenos Al Gores, dissertando furiosamente sobre as alterações climatéricas. &amp;quot;Antigamente, não era assim&amp;quot;, dizem, com um tom de voz que prenuncia o Apocalipse. Antigamente, imagino eu, o clima era perfeito e uniforme. Como uma marcha militar.
Não vale a pena iludir: quando um taxista acredita no aquecimento global, o mundo caminho para a perdição. Esse, pelo menos, é o entendimento da cúpula do G8, que reuniu em Itália para, entre outras coisas, salvar a Humanidade. Julgava eu que salvar a Humanidade era cenário de Hollywood. Engano. Os líderes do G8 acordaram reduzir as emissões de CO2 em 80% e, mais ambicioso ainda, limitar o aquecimento global em 2º C. Tudo isso até 2050. Verdade que os países emergentes, como a Índia e a China, não parecem interessados em embarcar na fantasia. Mas será possível, apesar de tudo, reduzir mundialmente as emissões de CO2 para metade?
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<title>Terras do Nunca</title>
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Pobre Michael Jackson. O homem morre como todos morremos. Radicalmente só. Com o coração a despedir-se prosaicamente do corpo. O mundo, em choro e transe, não acredita. Um mito não morre assim. Porque assim morremos nós, anônimos e mortais, mergulhados na nossa própria miséria. Os mitos só morrem por acidente ou conspiração invejosa de terceiros, que não aguentam o brilho incandescente da estrela.
John Kennedy não foi abatido pelo fracassado Lee Oswald numa manhã funesta de Dallas. Kennedy foi assassinado pela CIA, pelos cubanos, pelos soviéticos, pela máfia, eventualmente pelos extraterrestres.
O mesmo para a &amp;quot;Princesa do Povo&amp;quot;, Diana Spencer. Uma vítima de um motorista alcoolizado e irresponsável numa noite de Paris? Não, mil vezes não. Diana foi vítima da Família Real inglesa, que a desprezava para lá do tolerável. Para dar mais requinte ao episódio, há quem garanta que Diana estava grávida. A autópsia não confirmou. Mas quem se prende a pormenores? Eu, por mim, aposto que eram gêmeos.
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<title>A obamanização do mundo</title>
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LISBOA - Estou cansado da obamanização do mundo. Inventei agora a palavra. Vocês sabem o que ela significa: a obamanização consiste em substituir a realidade pela fantasia, esperando que nos quatro cantos do globo surja sempre um candidato capaz de imitar a retórica bondosa e evangelista do original Barack.
Aconteceu agora no Irã. Li os jornais disponíveis. Acompanhei as reportagens televisivas. O tom era semelhante: pela primeira vez desde 1979, altura em que Khomeini deixou o seu exílio dourado em Paris para regressar a Teerã, os iranianos iriam escolher novo presidente. Pior: iriam escolher um &amp;quot;moderado&amp;quot; (Mousavi) por oposição a essa grotesca criatura chamada Ahmadinejad.
A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei.
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<title>Favor não incomodar</title>
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LISBOA- Falo ao telefone com uma amiga e jornalista brasileira que confessa a sua ignorância sobre as &amp;quot;eleições europeias&amp;quot;. O assunto, pelos vistos, não entusiasma os brasileiros. Mas ela, por dever profissional, terá que escrever matéria a respeito. Por onde começar, pergunta-me, em tom de evidente desespero?
Fácil: escrevendo simplesmente que as eleições europeias interessam tanto aos brasileiros como aos próprios europeus. Ela ri e julga que faço piada. Eu não rio e ela percebe que não faço piada. A União Europeia gastou 20 milhões de euros em propaganda forte para levar os europeus às urnas. A partir de quinta-feira, quando ingleses e holandeses inaugurarem a maratona eleitoral, é provável - corrijo: é inevitável que 60%-70% dos europeus simplesmente não votem. Um drama?
Nem por isso. O Parlamento, criado em 1958, nunca se distinguiu por sua vocação democrática. Só em 1979, por exemplo, a elite burocrática de Bruxelas entendeu que talvez não fosse má idéia umas eleições democráticas para o seu parlamento largamente inútil e ineficaz.
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<title>O caso João Ubaldo Ribeiro</title>
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Notícias de Portugal: o escritor João Ubaldo Ribeiro voltou a ser censurado por uma cadeia de supermercados lusa. Pela segunda vez em dez anos. Tudo por causa do romance &amp;quot;A Casa dos Budas Ditosos&amp;quot;, recentemente reeditado, que levou o grupo Auchan, proprietário dos supermercados Jumbo, a declarar a obra &amp;quot;pornográfica&amp;quot;. E obras &amp;quot;pornográficas&amp;quot; não têm lugar em supermercados de família.
O caso, uma vez mais, saltou para os jornais portugueses, com João Ubaldo e o seu editor a condenarem o acto. Fizeram bem: o acto é ridículo, provinciano. Pior: analfabeto. Li os &amp;quot;Budas&amp;quot; de João Ubaldo. Gostei e ri. Só uma cabeça apedeuta pode vislumbrar na obra pornografia pura.
O problema é que a discussão começou a ganhar contornos delirantes e, temo bem, igualmente analfabetos. Alguns especialistas ouvidos a respeito entenderam que o acto era um retrocesso na liberdade de expressão. Mais: no afã de defenderem João Ubaldo e os seus &amp;quot;Budas&amp;quot;, alguns chegaram mesmo a sugerir que Portugal regressava aos tempos da censura e do regime salazarista.
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<title>Cheiros do futuro</title>
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Notícias da Europa: uma empresa suíça resolveu dar o último passo para ajudar os internautas a escolher o par ideal. Segundo a Basisnote, as pessoas frequentam cada vez mais sites de encontro. Trocam memórias, experiências, gostos comuns. Mas falta o cheiro. O cheiro é fundamental para avaliar a compatibilidade entre os potenciais amantes.
Falta, não. Faltava. Agora, os suíços desenvolveram um mecanismo que permitirá a qualquer internauta digitalizar o seu próprio odor e enviá-lo ao objeto do seu afeto, como quem envia uma foto ou um e-mail. Os suíços, apoiados pelos mais recentes estudos científicos, concluíram que as mulheres preferem homens com um sistema imunológico diferente do seu. A ideia dos suíços é permitir que o macho tente a sua sorte pela net; e que a fêmea, ao receber o cheiro, encoste o nariz a uma espécie de ventilador informático e se encante com o odor do príncipe.
A história não tem nada de excepcional. Eu próprio, em conversas com criaturas várias, vou aprendendo as novas virtudes da tecnologia, que me reduzem imediatamente a uma condição jurássica. Amigos e familiares, sem falar de alunos, confessam sem pudor que têm dezenas de conhecidos virtuais, com quem desenvolvem cumplicidades impensáveis na vida banal. Um deles tem três relações amorosas, com três mulheres de três continentes distintos. Nunca se viram, nunca se tocaram, nunca se beijaram. Mas isso não impediu que uma delas (a australiana) tenha entrado em depressão por alegadas &amp;quot;infidelidades&amp;quot;.
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<title>Os meninos de Madonna</title>
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Madonna foi às compras e um tribunal não deixou. Aconteceu no Maláui. Em 2006, a cantora pop mais famosa do mundo proletário aterrou em África, praticamente raptou financeiramente uma criança e depois zarpou para Ocidente com o troféu nas mãos.
Agora, a operação não teve igual sucesso e Madonna não conseguiu fazer o par da coleção. Um juiz decidiu que, sem residência mínima no país por período de 18 a 24 meses, Madonna tem que procurar crianças em outro lugar. Onde?
Uma sugestão: em Portugal, por exemplo. Eu próprio não me importaria de ser adotado por Madonna. As vantagens são evidentes: crescido e alfabetizado, sem necessidade de fraldas (por enquanto), seria uma criança adorável, capaz de tomar o leite a horas certas e sem necessidade de presença maternal durante os concertos da diva.
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