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<title>Folha Online - Colunas - João Pereira Coutinho</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@folha.com.br (Webmaster Folha Online)</webMaster>
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<title>Folha Online - Colunas - João Pereira Coutinho</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
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<title>Terras do Nunca</title>
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Pobre Michael Jackson. O homem morre como todos morremos. Radicalmente só. Com o coração a despedir-se prosaicamente do corpo. O mundo, em choro e transe, não acredita. Um mito não morre assim. Porque assim morremos nós, anônimos e mortais, mergulhados na nossa própria miséria. Os mitos só morrem por acidente ou conspiração invejosa de terceiros, que não aguentam o brilho incandescente da estrela.
John Kennedy não foi abatido pelo fracassado Lee Oswald numa manhã funesta de Dallas. Kennedy foi assassinado pela CIA, pelos cubanos, pelos soviéticos, pela máfia, eventualmente pelos extraterrestres.
O mesmo para a &amp;quot;Princesa do Povo&amp;quot;, Diana Spencer. Uma vítima de um motorista alcoolizado e irresponsável numa noite de Paris? Não, mil vezes não. Diana foi vítima da Família Real inglesa, que a desprezava para lá do tolerável. Para dar mais requinte ao episódio, há quem garanta que Diana estava grávida. A autópsia não confirmou. Mas quem se prende a pormenores? Eu, por mim, aposto que eram gêmeos.
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<title>A obamanização do mundo</title>
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LISBOA - Estou cansado da obamanização do mundo. Inventei agora a palavra. Vocês sabem o que ela significa: a obamanização consiste em substituir a realidade pela fantasia, esperando que nos quatro cantos do globo surja sempre um candidato capaz de imitar a retórica bondosa e evangelista do original Barack.
Aconteceu agora no Irã. Li os jornais disponíveis. Acompanhei as reportagens televisivas. O tom era semelhante: pela primeira vez desde 1979, altura em que Khomeini deixou o seu exílio dourado em Paris para regressar a Teerã, os iranianos iriam escolher novo presidente. Pior: iriam escolher um &amp;quot;moderado&amp;quot; (Mousavi) por oposição a essa grotesca criatura chamada Ahmadinejad.
A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei.
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<title>Favor não incomodar</title>
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LISBOA- Falo ao telefone com uma amiga e jornalista brasileira que confessa a sua ignorância sobre as &amp;quot;eleições europeias&amp;quot;. O assunto, pelos vistos, não entusiasma os brasileiros. Mas ela, por dever profissional, terá que escrever matéria a respeito. Por onde começar, pergunta-me, em tom de evidente desespero?
Fácil: escrevendo simplesmente que as eleições europeias interessam tanto aos brasileiros como aos próprios europeus. Ela ri e julga que faço piada. Eu não rio e ela percebe que não faço piada. A União Europeia gastou 20 milhões de euros em propaganda forte para levar os europeus às urnas. A partir de quinta-feira, quando ingleses e holandeses inaugurarem a maratona eleitoral, é provável - corrijo: é inevitável que 60%-70% dos europeus simplesmente não votem. Um drama?
Nem por isso. O Parlamento, criado em 1958, nunca se distinguiu por sua vocação democrática. Só em 1979, por exemplo, a elite burocrática de Bruxelas entendeu que talvez não fosse má idéia umas eleições democráticas para o seu parlamento largamente inútil e ineficaz.
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<title>O caso João Ubaldo Ribeiro</title>
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Notícias de Portugal: o escritor João Ubaldo Ribeiro voltou a ser censurado por uma cadeia de supermercados lusa. Pela segunda vez em dez anos. Tudo por causa do romance &amp;quot;A Casa dos Budas Ditosos&amp;quot;, recentemente reeditado, que levou o grupo Auchan, proprietário dos supermercados Jumbo, a declarar a obra &amp;quot;pornográfica&amp;quot;. E obras &amp;quot;pornográficas&amp;quot; não têm lugar em supermercados de família.
O caso, uma vez mais, saltou para os jornais portugueses, com João Ubaldo e o seu editor a condenarem o acto. Fizeram bem: o acto é ridículo, provinciano. Pior: analfabeto. Li os &amp;quot;Budas&amp;quot; de João Ubaldo. Gostei e ri. Só uma cabeça apedeuta pode vislumbrar na obra pornografia pura.
O problema é que a discussão começou a ganhar contornos delirantes e, temo bem, igualmente analfabetos. Alguns especialistas ouvidos a respeito entenderam que o acto era um retrocesso na liberdade de expressão. Mais: no afã de defenderem João Ubaldo e os seus &amp;quot;Budas&amp;quot;, alguns chegaram mesmo a sugerir que Portugal regressava aos tempos da censura e do regime salazarista.
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<title>Cheiros do futuro</title>
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Notícias da Europa: uma empresa suíça resolveu dar o último passo para ajudar os internautas a escolher o par ideal. Segundo a Basisnote, as pessoas frequentam cada vez mais sites de encontro. Trocam memórias, experiências, gostos comuns. Mas falta o cheiro. O cheiro é fundamental para avaliar a compatibilidade entre os potenciais amantes.
Falta, não. Faltava. Agora, os suíços desenvolveram um mecanismo que permitirá a qualquer internauta digitalizar o seu próprio odor e enviá-lo ao objeto do seu afeto, como quem envia uma foto ou um e-mail. Os suíços, apoiados pelos mais recentes estudos científicos, concluíram que as mulheres preferem homens com um sistema imunológico diferente do seu. A ideia dos suíços é permitir que o macho tente a sua sorte pela net; e que a fêmea, ao receber o cheiro, encoste o nariz a uma espécie de ventilador informático e se encante com o odor do príncipe.
A história não tem nada de excepcional. Eu próprio, em conversas com criaturas várias, vou aprendendo as novas virtudes da tecnologia, que me reduzem imediatamente a uma condição jurássica. Amigos e familiares, sem falar de alunos, confessam sem pudor que têm dezenas de conhecidos virtuais, com quem desenvolvem cumplicidades impensáveis na vida banal. Um deles tem três relações amorosas, com três mulheres de três continentes distintos. Nunca se viram, nunca se tocaram, nunca se beijaram. Mas isso não impediu que uma delas (a australiana) tenha entrado em depressão por alegadas &amp;quot;infidelidades&amp;quot;.
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<title>Os meninos de Madonna</title>
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Madonna foi às compras e um tribunal não deixou. Aconteceu no Maláui. Em 2006, a cantora pop mais famosa do mundo proletário aterrou em África, praticamente raptou financeiramente uma criança e depois zarpou para Ocidente com o troféu nas mãos.
Agora, a operação não teve igual sucesso e Madonna não conseguiu fazer o par da coleção. Um juiz decidiu que, sem residência mínima no país por período de 18 a 24 meses, Madonna tem que procurar crianças em outro lugar. Onde?
Uma sugestão: em Portugal, por exemplo. Eu próprio não me importaria de ser adotado por Madonna. As vantagens são evidentes: crescido e alfabetizado, sem necessidade de fraldas (por enquanto), seria uma criança adorável, capaz de tomar o leite a horas certas e sem necessidade de presença maternal durante os concertos da diva.
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<title>Pequenos e terríveis</title>
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As crianças adoram-me. Não exagero, não minto. Quando vou jantar a casa de amigos com filhos, o filme é repetidamente o mesmo: entro na sala; as crianças apercebem-se da presença de um iman magnético; aproximam-se; e, durante o serão inteiro, vão despejando em cima de mim uma quantidade obscena de substâncias alimentares que dariam para alimentar tribos inteiras: chocolate, sorvete, batatas, arroz, gorduras. Certa vez, houve sangue nasal. Sem falar das que vomitaram depois de tanta trepidação. Ao fim da noite, estou transformado numa tela de Pollock em tamanho natural.
Eis a verdade: sou o caixote do lixo dos filhos dos meus amigos. E os amigos, quando assistem a tudo, olham para mim embevecidos e ainda perguntam: &amp;quot;É um anjo, não é?&amp;quot;
Eu respondo que sim, e depois penso naqueles anjos que John Milton descreve no &amp;quot;Paraíso Perdido&amp;quot;: os anjos do inferno, reunidos no Pandemonium e prontos para arruinar a Humanidade. Por polidez, nada digo sobre as infernais criaturas. E prometo a mim próprio que jamais regressarei ao mesmo lugar sem trazer um fato de mergulho com escafandro.
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<title>Comedores de lixo</title>
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Que dizer da história de Jade Goody? Caso não saibam, Jade Goody foi concorrente do Big Brother britânico, notabilizando-se por sua linguagem e comportamento vulgares. A Grã-Bretanha rendeu-se a ela e encontrou em Goody um novo símbolo da &amp;quot;informalidade&amp;quot; proletária que faz parte da nossa modernidade.
Acontece que Jade adoeceu gravemente (com câncer). A notícia fatal, aliás, foi comunicada à própria em pleno programa televisivo, fazendo disparar as audiências. Mas o melhor ainda estava para vir: se Jade tinha câncer terminal, o melhor era morrer em frente às câmeras, proeza que Jade tem cumprido com profissionalismo de Hollywood. Das operações cirúrgicas às sessões de quimioterapia, sem esquecer o seu casamento-relâmpago, Jade aproveita as últimas semanas de vida para mostrar ao mundo o seu lento caminho para o fim. Não é de excluir que a tv filme o seu último suspiro. Os produtores garantem que não. Mas se as audiências exigem tudo, por que raio não devem ver tudo?
Essa é a questão. O caso de Jade tem alimentado debates inflamados na Grã-Bretanha. A discussão centra-se, invariavelmente, na falta de ética da televisão contemporânea, que se aproveita de uma mulher moribunda para fazer negócio. Vozes moralistas condenam os produtores, exigindo rápida intervenção do governo. E Jade Goody, quando confrontada com a pornografia do seu ato, afirma simplesmente que está a pensar nos filhos: duas crianças que ficarão sem mãe em breve e que, graças à prostituição sentimental de Jade, herdarão 1,7 milhões de euros.
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<title>Oscar minuto a minuto</title>
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Existem jornalistas que cobrem guerras, furacões, terremotos. Esses são os corajosos. E depois existem os jornalistas verdadeiramente heroicos: jornalistas que passam mais de três horas a assistir ao Oscar (sem dormir, ou quase), acompanhando a cerimônia minuto a minuto. Esse ano, e em nome dos leitores desta &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;, eu próprio experimentei o abismo.
Primeiras impressões: a Academia já falhou várias vezes, e eu lembrei aqui, em &lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u373207.shtml&quot;&gt;texto passado&lt;/a&gt;, alguns esquecimentos homéricos. Esse ano, porém, Hollywood superou todas as minhas piores expectativas. Não acreditam? Confiram.
&lt;b&gt;0h01&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;
Hugh Jackman entra em cena. Jackman sempre me pareceu um Clint Eastwood mais novo, embora seja impossível discernir qualquer talento por ali. &amp;quot;Australia&amp;quot;, o filme, confirma-o. Esperemos que Jackman não lembre o seu papel em &amp;quot;Australia&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u508289.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (23/02/2009 - 03h31)</description>
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<title>Animais, músicos &amp; apaixonados</title>
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&lt;b&gt;25 de janeiro&lt;/b&gt;
O escritor George Steiner, em entrevista ao jornal espanhol &amp;quot;El Pais&amp;quot;, teceu alguns comentários racistas que estão a incomodar a &amp;quot;intelligentsia&amp;quot; britânica. Disse Steiner, em seu pessimismo antropológico, que os seres humanos têm um lado obscuro, violento, irracional, profundamente incivilizado, que seria hipócrita esconder ou negar.
E, a título de exemplo, Steiner cita o cenário hipotético de uma família de negros jamaicanos que se instalaria junto da sua pacata casa de Cambridge, com reggae e música rock a tocar todo o dia e os preços imobiliários a descerem pelas redondezas. Para Steiner, isso bastaria para ele perder o verniz.
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<title>Ateus, poetas &amp; messias</title>
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&lt;b&gt;13 de janeiro&lt;/b&gt;
A estupidez humana não cessa de me espantar. Leio na imprensa do dia que uma associação &amp;quot;humanista&amp;quot; da Grã-Bretanha lançou em Londres uma campanha pública para defender a provável inexistência de Deus. A ideia foi escrever nos ônibus da cidade duas frases de arrasadora profundidade filosófica: &amp;quot;Deus provavelmente não existe. Por isso, deixa de te preocupar e aproveita a vida&amp;quot;.
A tese espanta, não apenas pela infantilidade que a define --mas pela natureza ilógica que a contamina. Se Deus não existe, haverá necessariamente motivos para celebrar?
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<title>Cubanos, suicidas &amp; antissemitas</title>
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&lt;b&gt;1º de janeiro&lt;/b&gt;
O ano começa em beleza. Passo pelos canais televisos. Referências demoradas à Revolução Cubana de 1959. Aumento o volume. Ajeito os óculos. Sinto o cérebro a derreter com a paixão dos &amp;quot;jornalistas&amp;quot; ocidentais por psicopatos avulsos: Cuba é romantismo para eles. Não é uma ditadura esquálida que sobrevive há cinquenta anos. Como explicar o tom apologético das matérias? Por ignorância? Se fosse por ignorância, eu entendia e perdoava. Omnisciência é propriedade divina, não humana.
Mas em 2009 não há espaço nem tempo para ignorantes, muito menos para &amp;quot;ignorantes úteis&amp;quot;. Os crimes do comunismo são conhecidos por qualquer intelecto civilizado, ou até semi-civilizado. Aposto antes na estupidez e na má-fé de intelectuais e jornalistas que negam a evidência por cegueira ideológica.
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<title>As crianças de Atenas</title>
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Estive em Atenas uma única vez na vida. Fui roubado. Literalmente. Verdade que também fui roubado no Brasil, na Espanha e no Egito. Desconfio que deve existir uma organização criminosa internacional que entra em alerta máxima sempre que eu me preparo para viajar. &amp;quot;Atenção: otário em movimento. Ataquem.&amp;quot;
Mas o roubo em Atenas foi diferente. Foi, digamos, indolor: não houve armas (como no Brasil), não houve vidro do carro partido (como em Espanha) e não houve coação física (como no Egito). Depois de um jantar a dois passos da praça Syntagma (a única praça da capital grega que parece civilizada), lancei a mão à carteira e descobri o bolso do casaco vazio. Passei os oito dias seguintes (quatro em Atenas, quatro nas ilhas) com dinheiro emprestado e uma garrafa diária de retsina.
Lembro tudo isso porque a Grécia voltou a ocupar os noticiários. Duas semanas atrás, a polícia matou um rapaz de 15 anos. Nas duas semanas que se seguiram, jovens descontentes com o estado do mundo e com o estado da Grécia resolveram &amp;quot;vingar&amp;quot; a morte do companheiro e verter a raiva incontida em lojas, carros e policiais. Diz a imprensa que os prejuízos rondam os 130 milhões de dólares e, pior, estão longe de acabar: resguardados no Politécnico de Atenas, espaço onde a polícia não entra por determinação constitucional (os estudantes tiveram papel heróico no derrube da ditadura e isso garante-lhes certas prerrogativas espaciais), eles transformaram o Politécnico em &amp;quot;embaixada&amp;quot; e aí preparam as bombas que lançam quando a noite cai. Perfeito.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u479295.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (15/12/2008 - 00h02)</description>
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<title>A síndrome de Truman</title>
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A epidemia do século 21 já tem nome: &amp;quot;Síndrome de Truman&amp;quot;. O nome pertence a filme de 1998, &amp;quot;The Truman Show/ O Show de Truman&amp;quot;, com Jim Carrey no papel principal. Não lembram? Eu lembro: o personagem de Carrey era um simpático vendedor de seguros que, gradualmente, descobre a fraude existencial que o envolve. A sua vida, desde o berço, é apenas um gigantesco &amp;quot;reality show&amp;quot;, filmado por câmeras ocultas 24 horas por dia. E todas as pessoas que o rodeiam --mulher, família, vizinhos, amigos e inimigos-- são meros actores contratados para representarem seus papéis.
O filme termina em registro heróico, com Carrey a libertar-se do pesadelo, ou seja, abandonando o estúdio onde viveu encerrado (e filmado) durante décadas.
Acontece que o pesadelo já emigrou para a realidade. Leio agora na imprensa do dia que cresce assustadoramente o número de pessoas que acredita genuinamente que a vida não lhes pertence. Pertence a um produtor televisivo que montou uma gigantesca ilusão em volta. Como no filme de Jim Carrey, esta gente-se sente-se vigiada por câmeras imaginárias e olha para as respectivas vidas como se apenas estivessem a cumprir um roteiro pré-escrito.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u473451.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (01/12/2008 - 00h02)</description>
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<title>Filmes paulistanos</title>
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Passei os últimos dias em São Paulo. É sempre um prazer aterrar nesse planeta, especialmente quando há filmes que prometem. Infelizmente, promessas são promessas e os resultados são mistos. Há coisa boa, coisa média e coisa má em exibição. Por onde começar?
&lt;table class=&quot;fd330&quot;&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td class=&quot;fo1c&quot;&gt;Alexandre Ermel/Divulgação&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;&lt;img src=&quot;http://f.i.uol.com.br/guia/cinema/images/08255230.jpg&quot; alt=&quot;Dirigido por Fernando Meirelles, &amp;quot;Ensaio Sobre a Cegueira&amp;quot;, com Julianne Moore, foi visto por mais de 400 mil pessoas no Brasil&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td class=&quot;fo1l&quot;&gt;Dirigido por Fernando Meirelles, &amp;quot;Ensaio Sobre a Cegueira&amp;quot;, com Julianne Moore, foi visto por mais de 400 mil pessoas no Brasil&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/table&gt;
Pelo pior. E o pior é Fernando Meirelles. Lamento. &amp;quot;Blindness/Ensaio sobre a cegueira&amp;quot; não convence. Pecado original. O livro de Saramago pretendia ser uma alegoria distópica sobre uma sociedade &amp;quot;cega&amp;quot; por sua intrínseca desumanidade &amp;quot;capitalista&amp;quot;. Li o livro com enfado, sentindo um abismo épico entre mim e a narrativa. O problema, o recorrente problema de Saramago, é o seu tom didático e grandiloquente. Comigo, não. Fiz a minha catequese na idade certa. Comunhão solene, idem. Não preciso de um monge comunista para me ensinar que o capitalismo pode levar à cegueira. Diziam o mesmo da masturbação. Nunca ceguei.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u468288.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (17/11/2008 - 00h30)</description>
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