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<title>Folha Online - Colunas - João Pereira Coutinho</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@folha.com.br (Webmaster Folha Online)</webMaster>
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<title>Folha Online - Colunas - João Pereira Coutinho</title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
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<title>O fim de John McCain?</title>
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As eleições americanas são o maior espetáculo do mundo. Basta olhar para as pesquisas dos últimos tempos. Dois meses atrás, ninguém diria que McCain poderia ganhar. Eu próprio cheguei a falar com republicanos de longa data que confessavam, em voz baixa, que a vitória de Obama era praticamente segura. Exceto se houvesse um milagre.
E o milagre aconteceu. Em forma feminina. Sarah Palin, governadora do Alasca, ressuscitou as esperanças e fez McCain virar o jogo. Subitamente, os republicanos voltaram a acreditar na vitória e a América &amp;quot;popular&amp;quot; apaixonou-se por Palin. Eu vi, nas ruas de Nova York, Sarah Palin convertida em figura pop, sorridente em capas de revista ou lojas de moda.
Infelizmente, o milagre durou pouco e o entusiasmo foi arrefecendo, arrefecendo. Até estagnar. Há pelo menos uma semana que Sarah Palin não faz qualquer diferença nas pesquisas e os republicanos, temerosos de que a inexperiência da senhora pudesse fazer estragos e afundar definitivamente o barco, começaram a guardar a jóia da coroa dentro de gaiola dourada, impedindo entrevistas, declarações, exposições. Uma jornalista televisiva chegou a fazer piada a respeito, gritando em direto: &amp;quot;Por amor de Deus, libertem Sarah Palin!&amp;quot;
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<title>Em defesa do relativismo suave</title>
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O problema do mundo é não ser um pouco mais relativista. Eu sei, eu sei: o relativismo é mau, dizem, porque a idéia de que os valores dependem de meras escolhas individuais, sem nenhuma justificação externa ou racional, é uma fraqueza epistemológica e ética da maior gravidade. Fato. Mas eu falo de um relativismo ligeiro, um relativismo banal, o relativismo das coisas menores. Como um tempero que se coloca sobre o prato da vida, só para dar algum sabor mortal a tudo o que fazemos e sentimos. É o relativismo suave que ensina que nada tem uma imporância tão absolutamente esmagadora quando o fim é certo e o esquecimento também.
Lembro tudo isso com notícias que leio na imprensa portuguesa. Nos últimos dias, soube que 32 mulheres foram assassinadas em 2008 por seus namorados ou maridos. Existem cenários macabros de homens que apontam uma arma e disparam sem pestanejar em plena via pública. O resto é igualmente macabro: estrangulamentos, espancamentos, envenenamentos. O diabo a quatro. Motivos? Passionais, sempre passionais: o homem descobre, ou suspeita, que a mulher não é casta. E num gesto de loucura, comete a loucura.
E então recordo uma conversa que tive uns anos atrás com um amigo, em São Paulo, e o relato que ele me fazia de um conhecido jornalista que entrara em cenário idêntico: descobrira que a namorada, mais jovem, se afastara dele para procurar uma &amp;quot;nova vida&amp;quot;, como se diz nas telenovelas; e ele, de cabeça perdida, incapaz de aceitar a rejeição, pegou na arma e fez o que fez. Arruinou a vida, a carreira, os amigos, a família, e etc. etc. etc.
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<title>Pequenos monstros</title>
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Confesso: tenho assistido aos Jogos Olímpicos. A culpa não é minha. A culpa é da diferença horária: quando vou para a cama, Pequim está acordado. Deitado no leito, com a tv ligada, acompanho os exercícios. E a insônia vem a seguir.
Insônia por quê? Por causa dos atletas chineses. Nada tenho contra chineses. Mas é difícil resistir ao rosto dessa gente. Americanos, russos, europeus, brasileiros - tudo gente normal, com as alegrias e tristezas de gente normal. Mas os chineses são outra história: o rosto exibe uma tensão e uma infelicidade que não se encontram nos outros. E quando falham, isso não representa uma derrota para os atletas. Representa uma tragédia de contornos apocalípticos. Como explicar o fenômeno?
Infelizmente, com política. Os Jogos não são mero desporto para a China; são uma forma do regime mostrar superioridade perante o mundo (tradução: perante os EUA), vencendo mais medalhas e apresentando uma organização imaculada, onde o fogo de artifício é gerado por computador e crianças inestéticas são dubladas por rostos mais fotogênicos. Um atleta chinês, quando entra em cena, está em guerra diplomática. Perder é morrer.
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<title>Como chegar aos cem</title>
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Sim, sou um nostálgico da simplicidade. Tenho 5.000, 6.000 livros. Mas o meu sonho supremo era ter apenas dez ou vinte e fechar a contagem. Ah, como seria bom reunir &amp;quot;os livros da minha vida&amp;quot; numa única estante e deixar que o ruído do mundo, e das letras, passasse lá por fora. A biblioteca perfeita não se faz por adição; faz-se por subtração. Não me canso de o repetir.
Como tudo o resto, aliás: acumulamos centenas, milhares de objetos sem desígnio ou sentido. Quando seria possível viver com metade, ou metade da metade, ou metade da metade da metade. Só nos Estados Unidos, leio agora, existem milhares de &amp;quot;centenários&amp;quot;: indivíduos que, cansados do excesso consumista, reduziram as suas vidas a cem objetos fundamentais. A moda espalhou-se por jornalistas do Reino Unido. Da Europa. De Portugal. Que fizeram a experiência e sobreviveram a ela.
E por que não? Sentado no sofá da sala, olho em volta e, saturado pela paisagem, começo a subtrair mentalmente. Ao fim de algumas horas, há mais espaço: físico, mental e até existencial. Não acreditam? Acreditem, leitores. E sigam-me, por favor.
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<title>Vamos ser tolerantes?</title>
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Questão bicuda: a Alemanha tem 163 mesquitas para seus 3 milhões de muçulmanos. Mas 163 mesquitas não chegam. Informa a revista &amp;quot;Der Spiegel&amp;quot; que mais 184 mesquitas vêm a caminho, uma realidade que não agrada à maioria dos alemães. Os alemães não desejam a &amp;quot;islamização&amp;quot; do seu espaço público. E temem que as mesquitas sejam centros de propagação fanática ou de recrutamento terrorista.
Os confrontos já começaram. Em Lavingen, por exemplo, cocktails Molotov são recorrentemente jogados na mesquita da cidade. Em Hanover, opta-se pelo insulto verbal, com o dito &amp;quot;Terra christiana est&amp;quot;, qualquer coisa como &amp;quot;Essa é terra cristã&amp;quot;, escrito nas paredes do edifício.
Mas notável é a projetada mesquita de Colónia, que será a maior de toda a Europa, com seus 22 mil metros quadrados, 55 minaretes, uma altura comparável a 18 andares e, imagino eu, o inevitável chamamento para a oração que cobrirá toda a cidade com os dizeres do Corão. Como responder ao problema social que as mais de três centenas de mesquitas começam a representar para os alemães?
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<title>Torturas e torturas</title>
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Sou contra a tortura. Qualquer forma de tortura. Especialistas vários fazem distinções. Uma coisa é espancar um ser humano, eletrocutá-lo, amputá-lo. Isso é tortura. Outra é privá-lo do sono ou &amp;quot;encharcá-lo&amp;quot; para simular o afogamento. Isso é um &amp;quot;interrogatório coercivo&amp;quot; que, sem exagero, qualquer democracia liberal pratica. Devemos tolerar o segundo tipo e condenar o primeiro?
A questão ganha outra dimensão quando nos confrontamos com o célebre dilema da bomba-relógio. Vocês conhecem o filme. O terrorista sabe onde está a bomba; o terrorista recusa-se a confessar onde está a bomba; a bomba, provavelmente, vai chacinar centenas ou milhares de pessoas; devemos torturá-lo? Ou, pelo menos, devemos aplicar-lhe uma tortura mais &amp;quot;branda&amp;quot; e fazê-lo falar?
Não, não devemos. Para começar, o cenário é falacioso porque nós partimos do pressuposto de que o suspeito sabe. Acontece que, na realidade, nós nunca sabemos que o suspeito sabe. Apenas suspeitamos, o que significa que a margem de erro é enorme.
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<title>O sexo oral</title>
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Sou fã de &amp;quot;O Sexo e a Cidade&amp;quot;. Descobri que era fã numa certa noite de insônia, corria 2004. Liguei a TV, assisti a dez minutos da série e adormeci como um anjo. Fiquei viciado no produto, que viaja comigo para qualquer parte. E quando a insônia regressa, pronta para destruir uma noite de repouso, eu dispenso as pastilhas habituais. Dez minutos com as Spice Girls de Nova York a ruiva, a loira, a morena, a intermédia; nunca tive tempo para decorar os nomes delas e tenho oito horas de sono garantido.
Como explicar o fenômeno? Bom, não sou especialista em neurologia. Mas desconfio que há uma parte do meu cérebro que simplesmente desliga quando existem mulheres a conversar &amp;quot;conversas de mulheres&amp;quot;. O meu drama não se limita a séries de tv. Por diversas vezes tombei da cadeira em mesas de restaurante, para pânico das meninas que conversavam em volta. É embaraçoso. E é mais forte do que eu.
Não sou misógino, não sou machista. Com os homens é exatamente a mesma coisa: quatro amigos debatendo &amp;quot;assuntos de homens&amp;quot; futebol, carros, economia, eventualmente mulheres e eu ronco alto. O problema, creio, está nas &amp;quot;conversas de gênero&amp;quot;: previsíveis, entediantes, circulares. Serei caso único? Não creio. E há vários anos que defendo &amp;quot;audiobooks&amp;quot; só com homens, ou só com mulheres, conversando os temas habituais entre si. Seriam vendidos em farmácias sem necessidade de receita médica. Não há coisa mais narcótica.
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<title>Quero ser Cristiano Ronaldo</title>
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Portugal está apaixonado por Cristiano Ronaldo. Quem é Cristiano Ronaldo? Bom, caso os leitores tenham vivido em Marte nos últimos tempos, Ronaldo é, segundo os especialistas, o melhor jogador do mundo. No Manchester United, equipe vencedora da &amp;quot;Champions&amp;quot; e da Liga Inglesa, Ronaldo foi o principal marcador em ambas as competições. E com a Eurocopa em andamento, Scolari acredita que Ronaldo será coroado rei. Aos 23 anos.
&lt;table class=&quot;fe220&quot;&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td class=&quot;fo1c&quot;&gt;Sandro Campardo/Efe&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
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&lt;td&gt;&lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u409367.shtml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://f.i.uol.com.br/folha/colunas/images/0816099.jpg&quot; alt=&quot;Astro do Manchester United, Cristiano Ronaldo vira unanimidade em Portugal&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;
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&lt;tr&gt;
&lt;td class=&quot;fo1l&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u409367.shtml&quot;&gt;Astro do Manchester United, Cristiano Ronaldo vira unanimidade em Portugal&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;
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Longe de mim contestar a sabedoria dos fatos. A história triunfal de Cristiano Ronaldo, nascido na ilha da Madeira em circunstâncias de pobreza familiar, é uma saga que merece aplauso. E, além disso, não partilho da opinião geral de que o rapaz é insuportavelmente arrogante. Não é. Tem simplesmente um gosto quase adolescente pelo jogo, o que só lhe fica bem em tempo de mercenários: quando Ronaldo joga, ele joga como um garoto no recreio escolar, driblando, correndo e chutando como se estivesse a brincar entre amigos. Existe no estilo de Ronaldo o doce sabor da nostalgia da infância.
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<title>Caça ao gordo</title>
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Pobres gordos. Numa cultura que elevou a saúde, a juventude e a beleza a patamares verdadeiramente insanos, a espécie já não tinha vida fácil. Mas uma coisa é a estética; outra, bem mais grave, são os imperativos da ética. Agora, a ciência resolveu dar uma ajuda para empurrar os gordos rumo ao abismo moral.
Segundo leio na imprensa do dia, a London School of Hygiene and Tropical Medicine estabeleceu uma ligação séria, e alarmante, entre os gordos e o inevitável aquecimento global. Dizem os cientistas que os primeiros são diretamente responsáveis pelo segundo. Como?
Para começar, porque comem. Muito. Demais. Diariamente, um gordo consome 1.680 calorias só para sair da cama (sem grua); e mais 1.280 só para efetuar as tarefas mais banais. É incomparavelmente mais do que uma pessoa decente, ou seja, com peso &amp;quot;normal&amp;quot;. Resultado: a energia dispendida para produzir cada vez mais comida contribui decisivamente para o efeito de estufa (uns 20% do problema global). No mundo, existem 400 milhões de gordos. Mas a Organização Mundial de Saúde afirma que em 2015 existirão 700 milhões. Como será possível alimentar a gula dessa gente toda sem arruinar definitivamente o planeta?
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<title>Ronaldo e as hienas</title>
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Vivemos tempos interessantes. Basta ler jornais. Ou revistas. Ou assistir a programas televisivos. A liberalização dos costumes é total. Sexo? Nunca se viu tanto como agora. E nunca se derrubaram tantos tabus como agora. Abaixo o moralismo, abaixo os moralistas. Ou, como se dizia em Paris, quarenta anos atrás, é proibido proibir. Um vitoriano que viesse diretamente do século 19 ficaria em estado de choque com a libertinagem festiva do século 21.
Ou talvez não. Porque aqui reside o paradoxo do nosso tempo: nunca se viu tanto moralismo, e tanto moralista, como agora. Basta ler os mesmos jornais. Ou revistas. Ou assistir aos mesmos programas televisivos. Sempre que uma figura pública é &amp;quot;apanhada&amp;quot; com companhias pouco recomendáveis, o mesmo jornalismo que faz do século 21 uma orgia sem limites regressa imediatamente ao século 19, espiolhando os lençóis e condenando a intimidade alheia. Sexo? Já não há tabus. E, paradoxalmente, nunca existiram tantos tabus como agora.
Um dos últimos casos aconteceu com Ronaldo, o jogador de futebol que, segundo leio, foi &amp;quot;apanhado&amp;quot; com travestis no Rio de Janeiro. O caso despertou indignação, risadas e interrogações. E, no entanto, que crime cometeu Ronaldo para que as fogueiras fossem ateadas em público?
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<title>Regressando a &quot;Tropa de Elite&quot;</title>
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Duas semanas atrás, escrevi na &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; um pequeno comentário sobre &amp;quot;Tropa de Elite&amp;quot;, o filme de José Padilha que conquistou Berlim e deixou o Brasil em estado de choque. Dizia então que &amp;quot;Tropa de Elite&amp;quot;, pela forma séria como apresentava a criminalidade urbana no Rio, era o filme mais adulto do moderno cinema brasileiro.
Foi o que bastou para que o meu email explodisse com a fúria dos leitores. &amp;quot;Racista&amp;quot;, &amp;quot;fascista&amp;quot;, &amp;quot;nazista&amp;quot;, &amp;quot;ditador&amp;quot;, &amp;quot;criminoso&amp;quot;, &amp;quot;sanguinário&amp;quot;. Esses foram os elogios. Os insultos são irreproduzíveis porque a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; é um jornal de família. A pergunta é óbvia: por que essa hostilidade, Deus meu?
A hostilidade, creio, nasce pela forma caricatural como o crime é apresentado e analisado no Brasil. Quando o assunto é &amp;quot;droga&amp;quot; ou &amp;quot;favelas&amp;quot;, existem de imediato dois campos que, no seu simplismo primário, se enfrentam com irracionalidade clássica.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u396370.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (28/04/2008 - 11h04)</description>
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<title>Lisboa Connection</title>
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&lt;b&gt;1º de abril&lt;/b&gt;
Parece mentira, sobretudo no dia dedicado a elas. Não é. Mudo de casa e conheço a vizinha em circunstâncias atípicas: ela, vestida; eu, nem por isso. Como foi que o encontro aconteceu? Durante séculos, pais e avós ensinavam os filhos e os netos a bater antes de entrar. A minha vizinha, que provavelmente já tem netos, não teve pais nem avós.
Na noite anterior, depois de jantar generoso, entrei em casa e encostei a porta, na crença sincera de que a trancara. Não tranquei. Encostei. A vizinha, ao ver a porta entreaberta na manhã seguinte, resolveu investigar se havia ladrões no prédio. Não havia. Como a casa é um pequeno estúdio, com cama ao centro, a prestável senhora encontrou apenas o presente cronista, tão inocente como veio ao mundo, dormindo um sono pueril.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u391705.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (14/04/2008 - 00h02)</description>
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<title>King Kong</title>
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Sou amigo de negros. Sou amigo de homossexuais. Sou amigo de lésbicas. Não sou amigo de negros politicamente corretos, homossexuais politicamente corretos, lésbicas politicamente corretas. Pessoas que se deixam infantilizar pela cartilha das patrulhas não entram na minha lista pessoal.
Porque esse é o problema central do pensamento politicamente correto: ele vê o demónio em toda a parte e acredita que é necessário proteger quem não pediu para ser protegido. É assim que a pessoa X ou Y, que tem nome, rosto e identidade singular, deixa de ser a pessoa X ou Y. Passa a pertencer a um grupo geral - os negros, os homossexuais, as lésbicas - uma forma sinistra de dissolução identitária. Lamento. As pessoas valem como pessoas. Não valem como parte de uma manada.
&lt;table class=&quot;fe220&quot;&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td class=&quot;fo1c&quot;&gt;Reprodução&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;&lt;img src=&quot;http://f.i.uol.com.br/folha/ilustrada/images/08087126.jpg&quot; alt=&quot;Jogador da NBA LeBron James posa com Gisele Bündchen para &amp;quot;Vogue&amp;quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td class=&quot;fo1l&quot;&gt;Jogador da NBA LeBron James posa com modelo Gisele Bündchen para &amp;quot;Vogue&amp;quot;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/joaopereiracoutinho/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u387201.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (30/03/2008 - 12h42)</description>
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<title>Em defesa do homem infiel</title>
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Os últimos dias foram bons para os moralistas. Eliot Spitzer, o governador democrata de Nova York conhecido por sua probidade moral, foi apanhado com as calças para baixo. Prostituição, a mais velha profissão do mundo. Ou, como diria Nelson Rodrigues, a mais velha vocação do mundo.
Melhor ainda: prostituição de luxo, o que não deixa de ser uma ironia cruel. Spitzer não foi apenas um entusiasta de legislação pesada contra a prostituição no seu estado. Ele foi um feroz e irracional opositor do &amp;quot;grande capital&amp;quot; e das &amp;quot;corporações financeiras&amp;quot; de Wall Street, que sempre lhe cheiraram a ganância, decadência e fraude. Pelos vistos, o problema do &amp;quot;grande capital&amp;quot; era não ser investido em meninas de 22 anos que fazem o serviço completo.
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<title>Chamem os enfermeiros</title>
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Por que motivo os atores são tão idiotas?
A pergunta está mal formulada. Os atores não são idiotas. São atores. Idiotas somos nós, gente da imprensa que concede espaço e oportunidade para que criaturas intelectualmente imaturas possam dissertar sobre os males do mundo. Sean Penn, Sharon Stone, Tim Robbins, Mia Farrow, George Clooney --a galeria é longa e não existe ator com pretensões de respeitabilidade que não surja aos nossos olhos com a &amp;quot;chave&amp;quot; para resolver os problemas da Terra. Do Iraque ao Afeganistão, sem esquecer o drama dos palestinos e as matanças no Darfur, tudo é simples na cabeça dessa gente. E quando seria de esperar que entrasse um enfermeiro em cena, pronto para remover o ator com uma camisa-de-força, a platéia aplaude a sabedoria do personagem e até pede bis de mãos erguidas.
Agora foi a vez de Marion Cotillard, 32, recentemente premiada com o Oscar pelo biopic de Edith Piaf, &amp;quot;La Vie en Rose&amp;quot;. Que lástima. Dupla. Primeiro, porque Cotillard é de uma beleza e elegância extremas, como já não se viam na Hollywood adolescente e reles dos últimos anos. E, depois, porque a beleza e a elegância de Cotillard não a salvam da demência.
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