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<title>Folha Online - Colunas - Kennedy Alencar      </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@folha.com.br (Webmaster Folha Online)</webMaster>
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<title>Folha Online - Colunas - Kennedy Alencar      </title>
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<title>Um espectro ronda o Congresso</title>
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O mais novo escândalo nacional é o das notas fiscais frias de deputados federais para justificar gastos com a chamada verba indenizatória. Os repórteres da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; Alan Gripp e Ranier Bragon obtiveram cerca de 70 mil notas fiscais apresentadas pelos deputados para justificar despesas nos últimos quatro meses de 2008.
A conclusão é estarrecedora. Empresas que não existem. Endereços fictícios. Justificativas inverossímeis. Abuso e mau uso do dinheiro público. Uma pequena amostra de uma caixa-preta que assombra o Congresso Nacional.
Essa verba indenizatória foi criada em 2001 pelo então presidente da Câmara, o tucano Aécio Neves, como saída para evitar a votação de aumento salarial dos deputados. O gestor Aécio prestou um desserviço ao Congresso. Nasceu ali uma forma indireta de salário que passou a ser usada sem nenhuma fiscalização.
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<title>Síndrome da bala de prata</title>
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O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que o PT ficou sem agenda na eleição presidencial de 1994. Em entrevista ao programa &amp;quot;É Notícia&amp;quot;, da RedeTV!, Vannuchi reconheceu que o Plano Real atendia com perfeição à principal necessidade da sociedade brasileira: acabar com a alta inflação que afetava principalmente os mais pobres e que impedia a articulação de políticas públicas minimamente eficientes.
O então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que chegara a ter mais de 40% nas intenções de voto, ficou sem discurso. Ao viajar pelo país, Lula ouvia uma simples pergunta: &amp;quot;E o Real?&amp;quot;. Para piorar as coisas, o PT decidiu ficar contra o plano, dizendo que teria efeito temporário só para ganhar as eleições. O Real deu a vitória ao tucano Fernando Henrique Cardoso, mas o efeito permitiu ao Brasil dar o passo mais importante em sua história recente para melhorar a vida de seu povo. A partir dali, a economia se organizou.
A um ano da sucessão presidencial de 2010, a oposição a Lula está em situação semelhante à do PT de 1994. O governo petista conseguiu implementar uma série de políticas que atendem ao principal interesse da população. Temos um mercado interno vigoroso, que vem crescendo a cada ano e que virou o principal motor da economia. Há uma ampla rede social que protege os mais pobres como nunca antes na história deste país. A alta valorização do real em relação ao dólar preocupa setores importantes da indústria, mas a economia como um todo se encontra longe do desarranjo dos tempos inflacionários.
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<title>O eleitor, esse ingrato analfabeto</title>
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez novo movimento para assumir a linha de frente da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em artigo no último domingo (01/11), nos jornais &amp;quot;O Globo&amp;quot; e &amp;quot;O Estado de S. Paulo&amp;quot;, desceu a lenha em Lula com elegância e vigor.
Segundo FHC, o petista comete &amp;quot;transgressões cotidianas&amp;quot;. Atropela a lei e os &amp;quot;bons costumes&amp;quot;. Faz uma aliança de natureza política autoritária, unificando sob verbas públicas os interesses do Estado, de sindicatos, dos movimentos sociais, dos fundos de pensão e das grandes empresas. Alerta para o risco de subperonismo. E sapeca um novo conceito político-sociológico: &amp;quot;autoritarismo popular&amp;quot;.
Em meio a uma oposição sem discurso, com potenciais candidatos ao Palácio do Planalto que não desejam atacar Lula, FHC cumpre o papel de tentar desgastar um presidente, que, com sua alta popularidade, tentará eleger como sucessora a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
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<title>Serra não quer briga com Lula</title>
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No PSDB, há pouquísisma dúvida em relação à candidatura presidencial de José Serra, governador de São Paulo. Ele está condenado a ser candidato. O governador sabe disso. E tem mais: deseja muito ser candidato. Pretende agarrar essa oportunidade com todas as suas forças.
Tende a zero a probabilidade de Serra desistir devido ao fortalecimento político-partidário da virtual candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Dilma deverá ter o apoio do PMDB e de uma penca de partidos da base de apoio ao governo Lula, o que garantirá o maior tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito, fase decisiva da disputa presidecial.
Essa história de que Serra poderá amarelar e concorrer a uma tranquila reeleição ao governo de São Paulo tem um objetivo. Ajudar o governador a comprar tempo. E ele está taticamente certo. Serra vende uma indecisão que não corresponde aos acertos políticos já feitos nos bastidores com o seu próprio partido e os aliados DEM e PPS.
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<title>Lula e os fariseus</title>
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Num país cristão e conservador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou uma expressão inadequada para retratar uma realidade. Disse que seu sucessor teria de fazer alianças políticas conservadoras para governar.
Assim falou Lula: &amp;quot;Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão&amp;quot;.
Jornalisticamente, a frase é muito boa. Forte e de uma clareza ímpar em relação ao que Lula pensa. Enxergar nela ofensa religiosa é exagero. Teve até comunista mostrando inusitada indignação religiosa. Chegou a ser engraçado, farisaico até.
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<title>Roubar pode?</title>
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Nos últimos meses, a opinião pública assistiu ao strip-tease do Senado. Para ser elegante, digamos que foram revelados atos que equivalem a roubo de dinheiro público. Ações lesivas aos cofres públicos tomaram conta da gestão do antigo diretor-geral da Casa, Agaciel Maia.
O que aconteceu? Nada.
Para não ser injusto, algumas medidas adotadas durante a crise vão frear ou impedir desmandos, irregularidades e desvio de dinheiro público. Mas são grãos de areia.
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<title>A criminalização da política</title>
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É pertinente questionar se foram corretas as decisões do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de ter filiação partidária. O primeiro ingressou no PMDB. O segundo, no PT.
Parecem bons os argumentos de que, nesses casos, são ministros muito mais a serviço do Estado do que do presidente de plantão. Há uma discussão sobre a &amp;quot;profissionalização&amp;quot; e o &amp;quot;caráter técnico&amp;quot; dessas funções. Ao abrir a possibilidade de uma carreira partidária, esses dois ministros podem ser ver tentados a tomar decisões mais &amp;quot;políticas&amp;quot; do que &amp;quot;técnicas&amp;quot;. &amp;quot;Políticas&amp;quot;, no caso, seriam aquelas com o objetivo de obter algum ganho eleitoral ou de ficar bem na foto com a opinião pública.
Ou seja, ceder a uma tentação de popularidade e abandonar eventuais medidas duras que o técnico deveria tomar.
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<title>Rio merece mais que Olimpíadas</title>
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Se concretizada, será uma excelente notícia a escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Todos os brasileiros devem torcer para que a cidade realize o principal evento esportivo planetário. No entanto, é bom tomar cuidado com a mistificação e o oba-oba de políticos, empresários e intelectuais que foram a Copenhague, na Dinamarca, fazer boca-de-urna no Comitê Olímpico Internacional. A decisão do COI sai nesta sexta-feira (02/10).
As Olimpíadas não salvarão o Rio, que, aliás, não precisa ser salvo. Precisa resolver graves problemas sociais. Precisa se desenvolver mais economicamente, como todo o Brasil também precisa.
Em menor dose, os Jogos Pan-americanos de 2007 foram vendidos como a solução de boa parte das mazelas cariocas. Por um tempo, a cidade se tornou mais limpa, mais segura e até mais embelezada. Mas a melhoria de equipamentos urbanos e esportivos foi passageira. O Pan deixou uma herança pífia.
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<title>Está pintando chapa Dilma-Temer</title>
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A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), deverá derrotar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na batalha pelo apoio do PMDB na sucessão presidencial de 2010. Ela tende a obter o apoio formal da legenda, o que garantirá maior tempo no horário eleitoral gratuito e o suporte de uma máquina partidária enraizada nacionalmente. Serra deverá ficar com dissidentes, que marcharão ao seu lado em alguns Estados contra o acordo nacional PT-PMDB.
O roteiro está traçado com aval da própria Dilma:
O PMDB pretende indicar o presidente da Câmara, federal Michel Temer (SP), para ser o vice da ministra. Na próxima quarta (30/09), Temer viajará com Lula para a Dinamarca, na comitiva brasileira que defenderá a candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Os dois selarão a decisão política sobre a aliança e o nome do vice.
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<title>Ponto de Ciro e Marina; alerta a Serra e Dilma</title>
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Numa primeira avaliação, a pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje (22/09) é boa para o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e a senadora Marina Silva (PV-AC). O mesmo levantamento traz alertas para o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).
Todos os quatro são potenciais candidatos ao Palácio do Planalto em outubro do ano que vem. No cenário que hoje parece ser o mais provável, eles obtiveram os seguintes resultados. Serra marcou 35%. Ciro, 17%. Dilma, 15%. Marina, 8%. Brancos e nulos, 14%. Eleitores que ainda não sabem, 10%.
Ciro e Dilma estão em situação de empate técnico, mas é inegável que o primeiro voltou a viver um bom momento político. A ministra enfrenta turbulências.
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<title>Marolinha, Serra e 2010</title>
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Aos olhos de hoje, é correto dar o braço a torcer, inclusive este jornalista, e dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou quando disse no ano passado que a crise econômica mundial chegaria ao Brasil como uma marolinha. Diante das expectativas da época de governos, empresas e veículos de comunicação do mundo todo, o que bateu no país foi mesmo uma marolinha.
Na virada de 2008 para 2009, parecia que o planeta iria quase acabar. E Lula foi duramente atacado por seu otimismo. Ele cumpria o fundamental papel de animador do auditório na hora da crise, mas também a subestimava um pouco.
Nesse sentido, o pessimismo da mídia teve papel importante para acordar Lula e o governo. O presidente vive reclamando da imprensa, mas os alertas que hoje soam exagerados fizeram o governo levantar da cadeira e arregaçar as mangas. O Brasil ganhou com esse choque de opiniões, apesar da azia do presidente e de críticas de parte da imprensa que pareciam chiliques e torcida política.
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<title>Ciro e lições de 1989</title>
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Parece que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se deu conta de que a tendência do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) é mesmo disputar o Palácio do Planalto em 2010. Talvez ainda venha a acontecer, dependendo da evolução da corrida eleitoral, uma tentativa de fazer da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a candidata única de todas as forças que apoiam Lula.
O presidente tem uma carta na manga. Tentar emplacar Ciro como vice de Dilma. Mas é uma articulação complicada, porque dificultaria muito a aliança formal com o PMDB, partido que deseja a vice para oficializar o apoio à candidatura presidencial da ministra.
A prioridade política de Lula é a aliança com o PMDB. Motivos: tempo significativo no horário eleitoral gratuito e a estrutura do partido mais enraizado no território nacional. Transformar a eleição presidencial numa disputa plebiscitária vem em segundo lugar.
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<title>Lula dá nó na oposição</title>
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Pesquisas de opinião mostram que a privatização é um tema maldito para os entrevistados. De pouco adianta argumentar a favor da venda do antigo sistema Telebras, lembrando como eram raros e caros os telefones. Muitos avaliam que a privatização da Companhia Vale do Rio Doce foi um erro. Enfim, uma parcela significativa do eleitorado acredita que a privatização significou oportunidade de enriquecimento de grupos privados à custa do patrimônio público.
Ciente disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tira proveito desse sentimento no debate sobre as reservas de petróleo do pré-sal. Antes de continuar, um registro: Lula está convencido mesmo de que um modelo exploratório mais estatizante é o correto. Acredita na tese. Essa crença dá credibilidade ao seu discurso público. Ele fala porque acha realmente que está certo.
Logo, ao debater com a oposição os projetos que enviou ao Congresso propondo uma nova Lei do Petróleo, Lula navega num mar favorável. Encurrala a oposição. Não é casual o governador de São Paulo, José Serra, economizar palavras ao tratar do pré-sal. Serra quer dialogar com o eleitorado de Lula para ganhar a eleição presidencial do ano que vem. O tucano acredita que o modelo atual, menos estatizante, é melhor do que o proposto por Lula. No entanto, não deverá entrar de cabeça nesse debate.
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<title>O futuro de Palocci</title>
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Com placar apertado, 5 a 4 no STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-ministro Antonio Palocci Filho ficou livre de responder judicialmente pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa --episódio que levou à sua queda da pasta da Fazenda no final de março de 2006.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer reabilitar Palocci politicamente. Tem feito gestos nesse sentido. O ex-ministro e deputado federal foi escalado para relatar e articular projetos de interesse do governo na Câmara. Lula o escuta semanalmente sobre economia e estratégia política.
No entanto, o presidente acha que ainda falta um acerto com os eleitores, não apenas com a Justiça. Daí ter feito um acordo de bastidor com o ex-ministro: Palocci deverá ser o candidato do PT ao governo paulista no ano que vem.
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<title>PT é refém de Lula</title>
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Até o anúncio do resultado da sucessão presidencial de 2010, não há a menor chance de um levante ou racha petista influenciar os rumos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dita ao partido. Motivo: não existe um líder no PT capaz de se contrapor à força de Lula.
Desde de 2004, quando José Dirceu ainda era o poderoso chefe da Casa Civil e quase beijou a lona por causa do episódio Waldomiro Diniz, começou a novela de destruição de biografias do PT. Caíram todos aqueles que poderiam, com algum brilho ou poder próprios, contestar ou persuadir Lula.
Ao longo desses seis anos e oito meses de governo, Lula cresceu, e o PT diminuiu. Governadores, senadores, deputados e a cúpula da máquina petista têm sido solenemente ignorados pelo presidente.
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