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<title>Folha Online - Colunas - Sérgio Malbergier    </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<webMaster>webmaster@folha.com.br (Webmaster Folha Online)</webMaster>
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<title>Folha Online - Colunas - Sérgio Malbergier    </title>
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<title>De volta ao futuro ou ao passado?</title>
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Outro dia Lobão dizia que o Rio merecia sua miséria por causa da complacência narcisista do carioca, se eu entendi bem o que ele disse.
Citava como prova o costumeiro ato de aplaudir o pôr do sol sobre o mar, um aplauso narcísico, negador da realidade.
O discurso do governo Lula padece desse mesmo mal carioca, querendo vender um Brasil maravilha onde se vê ainda um país de banguelas. Puro marketing eleitoral.
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<title>A diretoria está ótima</title>
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Até porque os diálogos de nossos filmes e novelas são tão ruins e precariamente pronunciados, os grampos da Polícia Federal produzem o que há de melhor e mais genuíno na dramaturgia brasileira.
Quer saber o que é o Brasil, ouça, por exemplo, o clã Sarney, by PF.
A frase-título deste texto, &amp;quot;a diretoria está ótima&amp;quot;, lapidar, foi dita por José Antonio Muniz a Fernando Sarney.
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<title>Lula, a falha do Brasil</title>
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Lula, já escrevi isso aqui, é o melhor presidente que o Brasil já teve. Fez a melhor ponte, mesmo precária, entre pobres e ricos e fechou o consenso em torno da estabilidade econômica e do respeito às regras básicas do jogo capitalista.
É esse consenso, iniciado em 1994 com o Plano Real, que permite ao país dar um salto econômico transformador.
Mas seu mandato ficará manchado pela cumplicidade com o que há de pior no Brasil, na política brasileira, a corrupção e a impunidade. E esse outro horripilante consenso fechado por Lula e seu PT, de que a corrupção desembestada deve ser tolerada em nome da tal governabilidade, é a maior trava para o desenvolvimento do país hoje.
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<title>Black Hawk Down, Rio 2009</title>
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Abril de 2008. O governador Sérgio Cabral inaugura a Vila Olímpica de Sampaio, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.
Primeira beneficiada por uma nova lei de incentivos a projetos esportivos visando a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a vila foi reformada por um laboratório farmacêutico para garimpar atletas para os jogos de 2016.
Só que antes de descobrir atletas, a vila descobriu a guerra.
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<title>Troca de lógica</title>
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A crise global armou a tempestade perfeita sobre as contas públicas brasileiras.
Se em paraísos liberais como Londres e Nova York se defende a mão do Estado para empurrar a economia, por que será a estatólatra Brasília a segurá-la? Mais: Por que será o governo do PT, na véspera de uma difícil eleição presidencial, moderador do gasto público?
Nos países ricos e avançados (sim, apesar do que você ouve dos neo-ufanistas, ainda somos muito mais pobres e atrasados que eles), economias longe da plena recuperação já se preocupam em encontrar saídas para o aumento dos deficits públicos pós-gastança.
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<title>Pra frente Brasil!</title>
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O clima de patriotismo pós-vitória do Rio é constrangedor, mesmo que previsível. Lula, líder inconteste da nação, levou (trouxe) mais essa. Às lágrimas, como sempre.
&amp;quot;O Brasil ganhou definitivamente sua cidadania internacional. Nós não somos mais de segunda classe, somos de primeira classe&amp;quot;, disse, para lá de emocionado, um presidente que só faz inflar na história do país.
Conquistamos as Olimpíadas de 2016 depois de, sob seu comando, levarmos a Copa de 2014, descobrirmos o pré-sal, liderarmos o G20, ditarmos regras em Honduras, resistirmos bem à crise.
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<title>Vergonha de ser brasileiro</title>
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O aspecto único do Holocausto, que o diferencia de horrores comparáveis como a escravidão, é que o extermínio do riquíssimo judaísmo europeu, berço de Einsteins, Kafkas e Freuds, foi executado pelo país mais culto da Europa pelo simples fato de os judeus serem judeus.
Eles não eram inimigos do Estado, não tinham exércitos, suas mortes não serviriam (prioritariamente) para o avanço econômico de seus perseguidores. Eram apenas de uma cultura/religião diferente e foram usados pela megalomania germano-hitlerista como a antítese do super-homem ariano, a ser eliminada do tecido alemão.
O sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, ao voltar à sua aldeia natal na Romênia, disse que a vida por lá continuava exatamente igual desde que deixara o lugar com a família, 40 anos antes, rumo à morte. A única diferença é que não havia mais judeus.
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<title>Linda, plausível e errada</title>
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O presidente Lula e sua ministra-candidata, Dilma Rousseff, repetem como mantra a tese de que essa última crise capitalista provaria a necessidade do governo grande.
Se ela provou algo, e ainda estamos perto demais para conclusões definitivas, é que o sistema financeiro estava excessivamente desregulado e alavancado no ar.
Com o seu colapso global, há um ano, o crédito secou e as economias pararam.
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<title>Lula gigante</title>
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Lula é o maior presidente do Brasil. A melhor ponte até aqui entre as extremidades do país. Seu capitalismo sindical, mesmo tão defeituoso, gerou um consenso propulsor no momento em que a economia mundial engatava uma quinta marcha. O Brasil foi junto. E mudou.
Ricos e pobres nunca ganharam tanto dinheiro, provando que a melhor forma desses extremos avançarem é conjuntamente, não um contra o outro.
Graças ao acúmulo de inéditos 15 anos de estabilidade econômica, da qual Lula foi garantidor depois de Itamar e FHC, o enorme potencial econômico brasileiro começa a realizar-se.
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<title>O petróleo é dela</title>
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A exploração comercial em larga escala do petróleo do pré-sal só deve começar em 2015. Mas o governo tem pressa em formatá-la, pensando quase exclusivamente na candidatura Dilma. Escrevo quase porque tem uma parte que é do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, da cota do PMDB de José Sarney.
A tática é tão óbvia quanto o fato de as eleições brasileiras serem decididas por uma maioria semi-analfabeta: o pré-sal acabará com a miséria e as carências sociais do Brasil, mas para isso é preciso eleger Dilma, mãe dos projetos, gestora do milagre parido por Lula.
A festa de lançamento dos projetos na segunda-feira promete ser o primeiro grande evento da campanha Dilma 2010. Arma-se palanque para 3.000 convidados em Brasília, com sindicalistas, esportistas, políticos, empresários, artistas e cantoras de palanque.
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<title>Direita para dentro, esquerda para fora</title>
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O lulismo, obviamente, é de direita. Sua aliança com (o que) Sarney (representa) prova isso mais do qualquer outra coisa, mesmo sua adesão ao capitalismo mercadista. Prova também que o Brasil só pode ser governado pela direita.
Mas há ainda um setor, importante, comandado hoje por um esquerdismo mofado e ineficaz: as relações exteriores. Esse ideologismo contamina uma área da gestão pública que, como todas as outras, deveria ser dirigida por resultados, não por ideologias.
Não que os resultados dessa gestão Celso Amorim à frente do Itamaraty sejam só ruins. O Brasil desde 2003 ganhou forte projeção internacional e nunca foi tão ouvido em questões comerciais e políticas. A atuação de Amorim na criação do G20 (grupo de países em desenvolvimento no âmbito da Rodada Doha) inaugurou novo status para a diplomacia brasileira.
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<title>Destruição criativa</title>
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Destruição criativa foi o termo cunhado pelo economista Joseph Schumpeter para descrever o avanço do capitalismo por meio da substituição violenta de modelos econômicos anacrônicos por novos arranjos mais eficientes e inovadores.
Nesta destrutiva crise global, dos escombros já em regeneração do capitalismo financeiro, emergem novidades extraordinárias para o Brasil.
A mais importante e mais evidente é o nosso sólido desempenho na crise. Foi o primeiro grande teste da estabilidade econômica brasileira pós-Real, de mais de 15 anos.
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<title>Sarneygate anima Serra</title>
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Se o Brasil já fosse sério, Paulo Duque (PMDB-RJ), segundo suplente de Sérgio Cabral, que nunca teve um voto, não seria o presidente da Comissão de Ética do Senado.
Se o Brasil já fosse sério, claro, José Sarney não seria o presidente do Senado.
Os profissionais da esculhambação do Brasil estão preocupados e disparam suas armas. Percebem que a revolta contra Sarney é uma revolta contra eles todos. Uma revolta contra o lado PMDB do brasileiro. Contra a impunidade. Contra esse sistema político cada vez mais podre e insuportável.
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<title>Eu quero o meu busão!</title>
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O povo de São Paulo finalmente saiu às ruas para protestar.
Não. Não foi para pedir a saída de José Sarney da presidência do Senado. Mas para que a Prefeitura de São Paulo suspenda as restrições à circulação de ônibus fretados.
No Brasil é assim. Não existe o nós brasileiros, que precisamos acabar com esse sistema político podre e anacrônico que nos atrasa e nos explora. Só existem eus. Cada um por si, e os políticos contra todos.
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<title>Big Brother Sarney</title>
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Os novos escândalos (eles são incontáveis) envolvendo a família Sarney são uma aula magna sobre o estado putrefato da política brasileira. Mesmo que não levem ninguém à prisão, serão para futuros pesquisadores de nosso atraso uma luz no bueiro em que nos encontramos politicamente.
Os diálogos captados pela Polícia Federal são impagáveis, reveladores. Três gerações de Sarney tramando, entre outras coisas, a nomeação do namorado da neta do patriarca, sim, o namorado da neta, para cargo no Senado. Um verdadeiro Big Brother Sarney do que há de pior no Brasil.
Não que os fatos sejam novidade. Quem não sabe quem eles são? Mas agora, além das recorrentes denúncias estampadas nos jornais, podemos ouvir diálogos da família na internet. E o calor da voz humana vale mil palavras escritas.
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