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<title>Folha Online - Colunas - Sérgio Malbergier    </title>
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<description>Primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados.</copyright>
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<title>Folha Online - Colunas - Sérgio Malbergier    </title>
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<title>Pouso forçado</title>
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Os rumores sobre a morte do reinado das finanças na economia global parecem exagerados. Está se confundindo a parte (podre) com o todo. O sistema financeiro é uma das grandes invenções humanas, o maior multiplicador de riquezas. Sujeito a excessos, colapsos, esquemas, crimes, infâmias. Mas indispensável e regenerável.
Por isso o governo americano decidiu gastar sabe-se lá quanto, mas muito, mensurável em PIBs brasileiros, para tentar estabilizar o mercado financeiro global.
O economista Nouriel Roubini, o &amp;quot;Mr. Doom&amp;quot; (Sr. Catástrofe), prevê corrida a bancos e muitos 11 de Setembros financeiros pela frente. É uma resposta tão sólida quanto todas as outras à pergunta de 1 trilhão de dólares. Ninguém sabe o que vai acontecer, é difícil agir.
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<title>Big Bang 2</title>
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George W. Bush, 62, vale um fado. O destino o pegou, duas vezes, em cheio.
Na primeira, os aviões-bomba do 11 de setembro de 2001 pegaram o presidente com menos de nove meses no posto mais importante do mundo, mas com pouca experiência internacional. Refugiou-se na sabedoria dos falcões do Pentágono e da vice-presidência, e o mundo nunca mais foi o mesmo.
O segundo big bang de Bush é o colapso do sistema financeiro americano, que nunca mais será o mesmo. Mas Bush já jogou para a história seu legado e, &amp;quot;lame duck&amp;quot; por excelência, delegou agora a um instintivo falcão de Wall Street, o secretário do Tesouro, Hank Paulson, e a um reflexivo acadêmico de Princeton, o presidente do Fed, Ben Bernanke, a administração quase impossível do colapso financeiro.
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<title>O capitalismo avança</title>
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A crise financeira atual é bem diferente das outras. Ela é muito mais global e muito mais rápida. Mas, ao contrário do canto das cassandras que até hoje choram o fim da história e a consolidação da economia de mercado como a mais capaz de organizar a produção de forma eficiente e progressista, ele não enfraquece o capitalismo. Pelo contrário, o fortalece.
A prova maior dessa força é que são os Estados Unidos do liberal George W. Bush e de seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, ex-executivo do Goldman Sachs, que conduzem intervenções estatizantes em ícones de Wall Street. A mensagem não é &amp;quot;a intervenção estatal é a solução&amp;quot;, mas &apos;somos pragmáticos, não somos sectários, vamos intervir quando necessário&amp;quot;.
O que vivemos hoje é mais um capítulo das crises cíclicas do sistema capitalista, esta parida num caldo explosivo de crédito farto e barato, avanços extremos na engenharia financeira e na desregulamentação dos mercados e grandes reservas de capital de países asiáticos e petroleiros em busca de papéis para investir.
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<title>O fim da Primeira República</title>
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O que se viu após a redemocratização do país foi uma corrupção desembestada que atingiu os principais partidos nacionais, grandes empresas e empresários, parlamentares, juízes, governantes, em suma, todo o establishment público e privado, ligados umbilicalmente pelo financiamento ilegal da atividade política.
Não, não estou falando do Brasil. Mas da Itália. Onde a operação Mãos Limpas, a partir de 1992, expôs a podridão do sistema político-econômico italiano do pós-guerra, levando aos tribunais milhares de suspeitos, entre políticos, empresários e funcionários dos Três Poderes. Uma das conclusões foi a de que os custos das obras públicas chegavam a dobrar para atender a todas as demandas dos envolvidos.
O comportamento do ex-premiê socialista Betino Craxi, símbolo máximo do podre sistema político italiano, foi notório. Ao ser questionado sobre o recebimento de dezenas de milhões de dólares ilegalmente pelo Partido Socialista, defendeu-se com um constrangedor &amp;quot;todo mundo faz&amp;quot;. Após ser condenado na Justiça, acabou fugindo para a Tunísia, onde morreu. Já o presidente da Eni, uma espécie de Petrobras italiana, suicidou-se na prisão e sua mulher depois devolveu aos cofres públicos US$ 3 milhões em propinas.
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<title>Dependência de empregada</title>
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Uma das piores memórias que tenho é dos gritos: &amp;quot;Tereeeeeeza! Tereeeeeeeeeeza! Traz um copo d&apos;água! Por favor!&amp;quot;.
Gritávamos da sala, seis, sete anos de idade, assistindo à TV, para a empregada trazer um copo d&apos;água.
Um horror...
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<title>Os perigos do petropoder</title>
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O forte do governo Lula nunca foi a organização, a racionalidade, a clareza. São os instintos de Lula que o guiam, para o bem e para o mal.
No debate do pré-sal, temos a desorganização de sempre. E os instintos de Lula. Que viram na promessa de petróleo abundante nas profundezas da costa o combustível para o projeto (este bastante racional) de manutenção do poder petista.
Sabemos muito pouco da extensão, da viabilidade e da forma de exploração dessas reservas. Mas Lula já sabe que os petro-reais servirão para &amp;quot;fazer reparação aos pobres deste país&amp;quot; e &amp;quot;resolver definitivamente o problema da educação neste país&amp;quot;.
&lt;a href=&quot;http://redir.folha.com.br/redir/online/folha/pensata/sergiomalbergier/rss091/*http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/sergiomalbergier/ult10011u438686.shtml&quot;&gt;Leia mais&lt;/a&gt; (28/08/2008 - 02h53)</description>
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<title>Marta lá, Serra onde?</title>
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O governador de São Paulo, José Serra, finalmente apareceu, hesitante, no programa eleitoral tucano apoiando o colega de partido Geraldo Alckmin. A hesitação de Serra custa caro ao PSDB e a ele mesmo. PT e Marta agradecem.
Sua opção pela ambigüidade foi feita quando os primeiros retratos das pesquisas revelavam força dos candidatos do campo Dem-tucano à Prefeitura de São Paulo. Em fevereiro, tinham, juntos, 41% das preferências (29% de Alckmin e 12% de Kassab), contra 25% de Marta, na pesquisa &lt;b&gt;Datafolha&lt;/b&gt;. Já neste mês, é Marta que tem 41%, enquanto os dois acumulam 34% (26% de Alckmin e 8% de Kassab), segundo o Ibope.
Se o retrato antigo parecia permitir a ambigüidade serrista, o atual expõe um enorme erro estratégico. Que pode ficar ainda pior agora que a campanha eleitoral atinge as massas via TV. O eleitor fica confuso e desconfiado: Por que o governador está com um pé em cada canoa? Por que Serra não apóia seu colega de PSDB?
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<title>Os nossos Borats</title>
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Por mais que a situação apresente complexidades e nuances, não é difícil saber quem está mais errado nessa mini-guerra do Cáucaso entre Rússia e Geórgia.
Viver às margens do Império Russo/Soviético sempre foi um viver subjugado. Assim que a Cortina de Ferro começou a cair, por marretadas de seus sufocados prisioneiros, os satélites europeus livres do jugo soviético correram aos braços ocidentais, associando-se o quanto antes às instituições do mundo democrático, como a União Européia e a Otan.
Mesmo a eslava Sérvia, que perdeu Kosovo, toma o mesmo caminho ocidental da democracia e da economia de mercado. Líderes de Ucrânia, países bálticos, República Tcheca e outros da região solidarizaram-se imediatamente com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, que tem relações carnais com os Estados Unidos.
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<title>Nem a coroa nem os espinhos</title>
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Os ministros mais eficientes de Lula, não que a concorrência seja grande, não por coincidência são profissionais em suas áreas, como o chanceler Celso Amorim, não por coincidência no cargo desde a primeira posse de Lula, em 2003.
Sob Lula e Amorim, o Brasil tornou-se uma das sete vozes mais importantes nas discussões de comércio global no âmbito da Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio), iniciada em 2001 na cidade que a batiza.
O grande pulo do gato brasileiro ocorreu nas negociações em Cancún (2003), quando o Brasil liderou a criação do G20, bloco de países em desenvolvimento formado por Índia, China, Egito, Indonésia, Argentina, México, África do Sul e outros, unidos para ganhar força no embate com as forças dominantes do comércio global: EUA, Japão e europeus.
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<title>O silêncio dos publicitários</title>
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No nefasto pacto de silêncio que une empresas corruptoras e políticos corruptos na pilhagem do Estado, alguns maus publicitários são peça-chave. Marcos Valério e Duda Mendonça são os canos mais visíveis desse imenso duto subterrâneo ao qual CPIs e investigações policiais deram alguma publicidade.
Os publicitários brasileiros realizaram neste mês o IV Congresso Brasileiro de Publicidade, o primeiro do tipo em décadas, anunciado como fórum seminal do setor. Em meio a justos elogios ao papel da propaganda no sistema capitalista e justas críticas a ingerências do governo no setor, não se debateu o papel fundamental dos maus publicitários na corrupção degenerada que aprisiona o Brasil.
A agência de propaganda DNA de Marcos Valério recebeu muitos milhões das empresas de telefonia de Daniel Dantas e do Banco do Brasil e é acusado de, com esses recursos, irrigar o mensalão multipartidário. O publicitário mineiro nega.
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<title>O silêncio dos inocentes</title>
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O silêncio mais constrangedor neste momento é o da chamada oposição.
As partes conhecidas do relatório do delegado Protógenes Queiroz indicam ação intensa do que chama repetidas vezes de &amp;quot;organização criminosa&amp;quot; liberada por DVD (Daniel Valente Dantas) sobre figuras centrais do lulo-petismo, de José Dirceu a Gilberto Carvalho ao filho de Lula ao compadre de Lula ao antigo advogado de Lula... Ninguém sabe onde esse fio acaba. Os boatos são intensos, frenéticos.
Mas a pequena grande oposição cala-se. Pois foram primeiro pefelistas (notadamente o carlismo) e depois tucanos que inventaram Daniel Dantas. É esse o jogo político brasileiro. O jogo do silêncio e da cumplicidade. O caixa-dois disseminado e assumidíssimo das campanhas eleitorais e o fisiologismo travestido de governabilidade igualam partidos e governos.
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<title>Juiz contra juiz</title>
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Ao ordenar a soltura imediata da cúpula do banco Opportunity, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, desancou a decisão do juiz Fausto Martin de Sanctis de decretar a prisão temporária do banqueiro Daniel Dantas e associados.
De Sanctis é juiz da 6ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária de São Paulo, expert em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Cuida de casos paradigmáticos e rumorosos como o do banqueiro Edemar Cid Ferreira, o dos funcionários de bancos suíços acusados de remessa ilegal de divisas ao exterior e o do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia.
Toda essa expertise, porém, não impediu que Gilmar Mendes atacasse duramente o mérito do decreto de prisão assinado por ele contra Dantas e associados. Para o presidente do Supremo, a decisão de De Sanctis seria infundada e fascistóide, que &amp;quot;em muito se assemelha à extinta prisão para averiguação, que grassava nos meios policiais na vigência da ordem constitucional pretérita&amp;quot;.
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<title>Ricos mais ricos, pobres mais ricos</title>
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Sempre foi assim, mas hoje parece mais assim ainda, a economia explicando e guiando o Brasil no século 21 enquanto nossa prática política, parada no século passado, só explica o nosso atraso.
Assim lemos na mesma semana (no caderno de economia, claro) que o número de milionários cresceu 19,1% no Brasil no ano passado e que o desemprego recuou ao seu menor registro em maio (7,9%), puxado pelo emprego de menor rendimento.
Para um país avançar é preciso que ricos fiquem mais ricos e pobres fiquem mais ricos. Uma das inúmeras dádivas do fim do socialismo classista, ilusão que tanto atrasou o século passado, é a percepção geral de que os diferentes setores sociais avançam juntos, não um contra o outro, para a verdadeira criação de riqueza.
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<title>Bush, Scolari e dubstep em Londres</title>
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Não ia a Londres desde 1995. Voltei com George W. Bush. Eu, de férias, o presidente dos EUA, em seu tour de despedida pela Europa, já incapaz de atrair as multidões que em visitas anteriores o xingavam a plenos pulmões.
No domingo fresco e ensolarado da primavera londrina, 15 de junho, não chegaram a 2.000 os protestantes, comprimidos na praça entre o Parlamento e os gabinetes do governo britânico, em Westminster.
Bush não viu nem ouviu o mix previsível de esquerdistas e arabistas gritando &amp;quot;Bush terrorista&amp;quot; e &amp;quot;criminoso de guerra&amp;quot; no jantar a ele oferecido em 10 Downing Street pelo premiê trabalhista, Gordon Brown, na companhia de alguns eméritos historiadores como Simon Schama e Martin Gilbert. O novo mantra de Bush é que o julgamento da história o salvará, uma saída óbvia, a la Getúlio Vargas (&amp;quot;saio da vida para entrar na história&amp;quot;), tirando o suicídio.
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<title>Nunca antes na história daquele país</title>
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Foi um truque baixo, mas a política não é uma coleção deles?
Quando Hillary Clinton apareceu nos vídeos globais na noite de terça-feira, após as duas últimas primárias da campanha, todos aguardavam que ela desistisse. Barack Obama tinha acabado de garantir a maioria dos votos na convenção democrata, e Hillary não estragaria momento tão avassalador da história.
Com a atenção da América e de boa parte do mundo garantida, ela resolveu listar suas posições e exaltar os EUA antes de dizer o que todos (não) esperavam: &amp;quot;Não tomarei nenhuma decisão nesta noite&amp;quot;.
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