São Paulo, quarta-feira, 03 de setembro de 2008

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Dólar vai a R$ 1,665, maior cotação desde maio

Moeda avança no exterior; Bolsa cai 1,4% com Petrobras

FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O dólar deu sinais ontem de que seu período de enfraquecimento pode ter ficado para trás. A moeda norte-americana se apreciou diante das principais divisas do mundo, para atingir picos em relação a várias delas. No mercado doméstico, o dólar subiu 1,15%, para R$ 1,665, em sua mais elevada cotação desde maio.
A depreciação do petróleo, que chegou a ser negociado a US$ 105 ontem, abriu espaço para o dólar se recuperar. Diante do euro, a moeda americana alcançou ontem seu mais alto valor em quase sete meses, para fechar com valorização de 1%, a US$ 1,452. Em relação à libra esterlina, obteve ontem a maior cotação em dois anos, com a OCDE prevendo que o Reino Unido pode entrar em recessão ainda neste ano.
Na América Latina, destaque para as desvalorizações de 1,75% do peso colombiano, de 0,38% da moeda chilena e de 0,29% do peso mexicano.
"O petróleo em queda fortalece a moeda norte-americana. Enquanto isso, o euro sofre com a elevação do índice de preços ao produtor na região. Nesse cenário, era esperado que o real se desvalorizasse novamente", afirma José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.
Após o retorno do feriado, o barril se desvalorizou em 4,98% em Nova York, sendo negociado a US$ 109,71 -a menor cotação desde 8 de abril. Em Londres, o óleo encerrou a US$ 108,34. Há dois meses, o petróleo atingiu seu pico, ao superar os US$ 145. O arrefecimento do risco representado pelo furacão Gustav acabou por derrubar os preços do petróleo e das commodities metálicas.
Para a Bovespa, o resultado foi mais um pregão de queda, com as ações da Petrobras e das siderúrgicas encerrando em baixa. A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 1,37%, para 54.404 pontos. A depreciação no ano alcança os 14,84%.
Os papéis da Petrobras marcavam queda de 3,21% (preferenciais) e 2,39% (ordinários) no fim do pregão. Para as siderúrgicas, as perdas foram ainda mais expressivas: Usiminas PNA caiu 6,32%; CSN ON recuou 5,78%; e Gerdau ON teve depreciação de 4,31%.
Em Wall Street, as ações das petrolíferas também recuaram e levaram o índice Dow Jones a encerrar em baixa de 0,23%. Os papéis da Chevron caíram 3,51%, e os da Exxon Mobil tiveram baixa de 3,36%.

Bancos em alta
O setor bancário evitou que os pregões nas Bolsas tivessem resultados mais fracos.
Uma das notícias que deram fôlego ao setor foi a confirmação por autoridades sul-coreanas de que o Banco Coreano de Desenvolvimento negocia a compra de uma relevante participação na instituição financeira americana Lehman Brothers -cujas ações subiram 0,25%.
Os destaques no mercado nos EUA ficaram com as ações de Bank of America (4,78%), JPMorgan Chase (1,30%) e Citigroup (0,63%).
O mesmo ocorreu no Brasil -os bancos ajudaram a Bovespa a sentir um pouco menos o impacto da queda considerável das siderúrgicas.
Os papéis preferenciais do Bradesco subiram 2,74%, seguidos por Unibanco units (1,57%) e Itaú PN (1,11%).
Ontem, a Bovespa divulgou que, apesar do mau momento que atravessa o mercado, o investidor pessoa física elevou sua participação no segmento acionário. O número de contas de investidor pessoa física subiu de 528.769 no fim de julho para 529.089 em agosto. Os dados pertencem a levantamento da CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).


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