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rumo duvidoso
14/04/2004
Lula pode acabar como De la Rúa, diz economista

O economista e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Fernando José Cardim disse ontem que o governo Lula está "sem rumo" e que o petista pode acabar seu mandato como o ex-presidente argentino Fernando De la Rúa, eleito em 1999 e deposto em dezembro de 2001, após grave crise político-econômica e grandes protestos em Buenos Aires.

Segundo Cardim, Lula comete um equívoco ao manter dois discursos antagônicos: o da transição, que passa a idéia de que o governo do PT está ainda por começar, e o da credibilidade, que serve para dar tranqüilidade ao mercado financeiro.

"Acho extremamente arriscada essa forma de condução do governo. É o exemplo que o Fernando De la Rúa nos deu quando uma base política se desfaz", disse o economista ontem. "O presidente Lula entrou com uma expectativa muito maior do que o De la Rúa e o risco que se tem é que ainda é muito cedo para que este tipo de desgaste ocorra, porque estamos com apenas um terço de mandato. Temos mais de dois anos e meio pela frente, não podemos nos dar ao luxo de repetir uma experiência de desintegração", completou ele.

As declarações foram dadas depois de uma palestra no seminário "Avaliação do Governo Lula", que aconteceu ontem, no Rio, e foi promovido pela Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais).

Presidente de sindicato
Cardim disse acreditar que uma das causas da paralisia do governo seja a forma de agir de Lula, que, para o economista, continua atuando como se fosse "um presidente de sindicato".

"O presidente tem que superar a visão que tem da Presidência. Ele não é um árbitro, mas é um líder, que tem que dizer para onde a gente vai. Isso é que provoca a paralisia do governo e foi o que acabou com o De la Rúa, que se mostrou incapaz de dizer para onde ia", afirmou.

O economista da UFRJ critica a gestão Lula por, de acordo com ele, não ter projetos nem de curto nem de longo prazos.

Na visão de Cardim, o governo tem sido sustentado, principalmente, pela confiança na pessoa do presidente.

"Nada pode acontecer daqui a quatro anos que não tenha começado antes. A não ser que se esperem milagres, como Frei Betto espera pela multiplicação de pães e peixes", disse.

Para Cardim, esse tipo de visão envolve "um risco muito grande". "Ela nos dá a percepção de que o governo não tem rumo, nem de curto nem de longo prazos. O curto prazo foi entregue ao Ministério da Fazenda, e o longo prazo ainda está esperando para saber qual é a estratégia de desenvolvimento", afirmou.


MURILO FIUZA DE MELO
da Folha de S. Paulo

   
 
 
 

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