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24/10/2003
Desemprego volta a bater recorde em SP

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo subiu de 20% em agosto para o nível recorde de 20,6% da PEA (População Economicamente Ativa) em setembro. É a mais elevada taxa desde o início da pesquisa Seade/ Dieese, em 1985, e iguala-se aos percentuais registrados nos meses de abril e maio deste ano.

O resultado está acompanhado de um agravante: as fundações responsáveis pelo levantamento classificam o aumento do desemprego como "atípico" para o mês, uma vez que nesse período as empresas deveriam contratar para atender à maior demanda de final de ano. Foi a terceira alta seguida na taxa -era de 19,7% em julho.

Também é recorde o número absoluto de desempregados na região: 2,03 milhões de pessoas, em uma PEA estimada de 9,855 milhões. Em 12 meses (de outubro de 2002 a setembro último), somaram-se mais 193 mil novos desocupados. Em setembro, 61 mil trabalhadores passaram a figurar no contingente de desempregados, decorrência da eliminação de 49 mil ocupações e do ingresso de outras 12 mil na PEA.

"Esperávamos neste momento estabilidade ou queda na taxa de desemprego. Ocorreu o contrário", diz Paula Montagner, gerente de análises da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). "O fato é que a redução nas taxas de juros ainda não se refletiu em mais emprego."

Pela pesquisa, os três maiores segmentos de atividade econômica tiveram perda de postos de trabalho em setembro. No comércio foram eliminadas 24 mil ocupações, seguido pelo setor de serviços, com redução de 18 mil, e a indústria, que fechou 9.000 vagas.

Montagner argumenta que, a exemplo da crise pré-eleitoral do ano passado, pode ter ocorrido em setembro um "deslocamento da sazonalidade". Ou seja: pode ter ocorrido o adiamento das encomendas e compras do comércio à indústria, com o consequente atraso na contratação de mão-de-obra -ainda que temporária e pouco especializada.

Mais tempo
A eventual retomada de contratações com carteira assinada ou mesmo de autônomos somente seria possível em um período mais amplo. "Queda nos juros demora de seis a nove meses para causar impacto positivo no mercado de trabalho", afirma Solange Sanches, coordenadora de pesquisas do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos).

Exemplos dos poucos segmentos da indústria que registraram aumentos no nível de emprego em setembro foram material gráfico, mobiliário, vidros e cerâmica. Como contrapartida, houve queda nos ramos de alimentação, de química e borracha, de vestuário, de metal-mecânica e têxtil.

São da indústria os números mais alarmantes de desemprego: desde o início do governo Lula (até setembro), o nível de emprego no setor industrial caiu 11,3%. Na comparação com o mesmo mês em 2002, o resultado é negativo em 6,3%.

Em 2003, o nível de emprego geral acumula variação negativa de 1,2%. Os índices somente não são piores porque, no ano, o comércio registra variação positiva de 3,8% no nível de emprego, assim como o setor de serviços, de 0,5%.

Como os serviços concentram 51,9%dos ocupados (dados de junho), contra 16% do comércio, a variação positiva no ano ""minimiza" o pífio desempenho da indústria (com 19,8% dos trabalhadores). Em 1985, a indústria detinha 32% dos ocupados na região.

Segundo a pesquisa, o rendimento médio dos trabalhadores ocupados passou de R$ 897 em julho para R$ 910 em agosto - alta de 1,4%. Em 12 meses (setembro de 2002 a agosto de 2003), porém, a perda acumulada é de 6,6% - em agosto do ano passado, o rendimento equivalia a R$ 974. Em fevereiro, essa perda estava em 10%. "O refreamento das perdas ocorreu porque a inflação caiu", diz Paula Montagner.

JOSÉ ALAN DIAS
Da Folha de S. Paulo

 
 
 

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